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Nilda e Vitalzinho recebem de volta mandatos de Pedro Gondim e Vital do Rêgo

Dentre os familiares dos deputados cassados estavam a deputada federal Nilda Gondim e o senador Vital do Rêgo Filho (PMDB).

7/12/2012 14:17

“Ditadura nunca mais. Viva a democracia! A Casa do povo os recebe. Sejam bem-vindos!”. Com estas palavras, os deputados Domingos Dutra (PT-MA) e Luiza Erundina (PSB-SP) recepcionaram, na tarde de quinta-feira (6), 18 dos 173 deputados federais (145 deles já falecidos) que tiveram seus mandatos cassados pelo regime militar, sem nenhum direito de defesa, no período de 1964 a 1977. Os mandatos foram devolvidos pela Câmara em solenidade simbólica realizada no Plenário Ulisses Guimarães.

Dentre os familiares dos deputados cassados estavam a deputada federal Nilda Gondim (PMDB-PB), que recebeu o diploma do seu pai, o ex-deputado federal e ex-governador da Paraíba, Pedro Moreno Gondim (in memória), e o senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), que recebeu, junto com seu filho Vital Neto, o Diploma do seu pai Antonio Vital do Rêgo (também in memória), esposo da deputada Nilda Gondim.

Para Nilda Gondim, a iniciativa da Câmara dos Deputados veio corrigir uma injustiça praticada pelo regime de exceção que governou o País no período de março de 1964 a março de 1985. “Trata-se de um resgate da memória e da importância desses parlamentares que foram eleitos pelo povo, mas foram impedidos de exercer seus mandatos por atos da ditadura”, observou a deputada, lembrando do sofrimento que a cassação dos mandatos de Pedro Gondim e Vital do Rêgo significou para ela e para a sua família.

“O meu esposo, deputado Vital do Rêgo, e o meu pai, deputado Pedro Gondim, foram cassados no mesmo dia 13 de janeiro de 1969, quando a mão da ditadura militar arrebatou das mãos do povo os seus mandatos”, ressaltou. E acrescentou: “Num sentido amplo, mais do que ter marcado nossa família, o ato de cassação foi um duro golpe nos brasileiros. E a devolução simbólica dos mandatos é uma atitude justa e merecida a todos os cidadãos que, eleitos pela vontade popular, perderam seus direitos políticos por defender as liberdades democráticas como dignos representantes do povo”.

Proposta de Erundina – A devolução simbólica dos mandatos aos deputados cassados pela ditadura foi proposta pela deputada Luiza Erundina, coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, órgão criado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, instalado em março de 2012 e encarregado de fornecer informações e fiscalizar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade.

Para Erundina, a iniciativa é importante para que as novas gerações tomem conhecimento do que aconteceu no País durante os “anos negros” da ditadura e possam, com isso, refletir sobre tais fatos para que eles nunca mais voltem a ocorrer. “As novas gerações devem saber que muitas pessoas pagaram caro para que a gente pudesse estar hoje vivendo em uma democracia. Hoje é um dia de celebração, algumas tristes, outras alegres. Ou a gente passa a limpo aquela história (da época da ditadura) e encaminha um processo de reparação e justiça às vítimas, ou a nossa democracia estará inacabada, incompleta”, enfatizou.

Dos 173 deputados cassados pela ditadura militar, apenas 28 estão vivos.

Lembrando Pedro Gondim e Vital do Rêgo

Pedro Gondim (História de um bom político) – Filho de Inácio Evaristo da Costa Gondim e de Eulina Moreno Gondim, Pedro Moreno Gondim nasceu no dia 1º de maio de 1914 no Engenho Capim Açu, em Alagoa Nova/PB. Ao longo de sua vida construiu uma família de sete filhos – Hamilton, Sônia, Nilda Gondim (deputada federal pelo PMDB-PB), Rosa e Pedro Gondim (in memória) – filhos do primeiro casamento com Ozanete Duarte, e Gilson e Fábio (filhos do segundo casamento com Sílvia Gondim), 19 netos e inúmeros bisnetos. Dentre os netos está o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), o senador Vital do Rêgo Filho (PDT) e a médica Rachel Gondim.

Casado com Sílvia Marques Gondim, o ex-governador da Paraíba manteve-se lúcido até o final de sua vida, e pouco tempo antes de morrer ainda cultivava o hábito de comparecer à sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção da Paraíba para conversar com velhos amigos e companheiros de profissão e de lutas políticas.

Depois de governar a Paraíba pela força do voto popular, Pedro Moreno Gondim foi eleito deputado federal em 1965, pleito em que apoiou o governador eleito João Agripino. O mandato de deputado federal ele exerceu até o dia 07 de fevereiro de 1967, quando os seus direitos políticos foram suspensos pelo então presidente Costa e Silva, sem prévia acusação e sem direito de defesa.

Antônio Vital do Rêgo (Política no sangue e democracia no coração) – Filho do major Veneziano Vital do Rêgo (deputado estadual por dois mandatos em Pernambuco, de 1950 a 1958, assumindo em um deles a presidência da Assembleia Legislativa) e de dona Vicentina Figueiredo Vital do Rêgo (autora do Hino do tradicional Colégio Estadual da Prata, de Campina Grande), Antônio Vital do Rêgo era natural de Campina Grande/PB, onde nasceu no dia 21 de maio de 1935 (mesmo ano em que seu tio Argemiro de Figueiredo foi eleito governador da Paraíba – cargo que exerceu até 1940). Logo cedo demonstrou vocação inquestionável para a vida pública, ingressando como líder no movimento estudantil ainda nos anos 1950, na condição de aluno da Faculdade de Direito do Recife/PE, onde estudou durante o período de 1954 a 1958.

Assessoria