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MARINA SILVA: A NOVA AVENTURA DA DIREITA – Parte I por Fabiana Agra

28/08/2014 16:15

Fabiana-AgraMARINA SILVA: A NOVA AVENTURA

DA DIREITA – Parte I

por Fabiana Agra

 

 

 

 

A preço de hoje, só há uma certeza quando se fala da disputa eleitoral para presidente: o declínio de Aécio Neves e a morte trágica de Eduardo Campos abriram uma possibilidade chamada “Marina Silva”. E a bola da vez é fazer de Marina o “Cavalo de Tróia” que viabilizará, segundo os seguidores da proposta, a restauração da política neoliberal no Brasil. Não é demais lembrar que, até bem pouco tempo, Aécio era a grande aposta da turma neoliberal – mas eis que o tucano entrou em curto-circuito após a “pane” ocorrida no acanhado aeroporto da cidade mineira de Cláudio, deixando evidente o seu despreparo político, além de uma certa limitação moral e intelectual.

Nos dias que se seguiram à morte de Campos, alguns colunistas da extrema-direita evocaram um messianismo mambembe, sentenciando que “Presidência é destino” – em contrapartida, outros mais atentos, já vaticinam que Marina significa um perigo real e imediato para o presidenciável do PSDB… De certo, sabe-se que de Marina não se espera nada, exceto levar a disputa presidencial ao segundo turno – pois sem sua presença, provavelmente Dilma encerrasse a fatura de cara. Aécio Neves, por sua vez, vive uma situação, no mínimo, complexa: precisa de Marina na disputa para manter viva a chama do segundo turno; ao mesmo tempo, corre o risco de ser ultrapassado pela “mulher da rede”, e ficar fora da grand finale.

Mas aqui há que se fazer um contraponto: em 2013, Marina não conseguiu sequer reunir as assinaturas de meio milhão de brasileiros que a quisessem fazer chefe de um novo partido político – e vejam que até um certo ex-vereador de Planaltina conseguiu criar o PROS… De certo apenas, sabe-se que Marina não tem representatividade, ela caminha movida pela sede do poder e pelo ódio que cultiva contra Dilma, Lula e o PT. Trocando em miúdos, afinal: Marina Silva é apenas uma aventura da Direita – e dela própria, Marina.

Caso se eleja presidenta, o primeiro aliado que ela jogará no lixo será o próprio socialismo apregoado pelo PSB, já que a candidata nada mais é do que um corpo estranho no PSB, fruto de um de vários erros de cálculo de Eduardo Campos. Explico: após o trágico acidente que vitimou Eduardo Campos e da escolha de Marina para candidata da coligação liderada pelo PSB, ela começou a fazer estrago no próprio PSB e nos partidos aliados. Carlos Siqueira, coordenador e homem de maior confiança do pernambucano Campos, deixou a coordenação da campanha; ao lado de outros correligionários, ele tem a certeza de que Marina, a quem tratou pelo codinome “hospedeira”, abandonará o PSB assim que a “Rede” for criada.

Para apagar a fogueira das vaidades protagonizada por Marina Silva, o PSB convocou então Luíza Erundina, deputada federal por São Paulo e candidata à reeleição, para coordenar a campanha da presidenciável. Mas aí reside outro grande problema a ser digerido nos próximos dias, eis que a própria Erundina já fez duras críticas à Rede: em julho de 2013, durante o programa “É Notícia”, da Rede TV, Erundina afirmou que: “Marina é uma pessoa maravilhosa, mas entra no senso comum da sociedade do ponto de vista de negar a política, de negar partido… tanto é que é Rede, não partido”, afirmou. “Isso desorganiza, deseduca politicamente, não há política e não há democracia sem partidos”, disse.

Os problemas do PSB não terminam na intransigência de Marina; Beto Albuquerque, deputado federal gaúcho, escolhido pelo PSB para integrar a chapa presidencial do partido na condição de vice, tem grande proximidade com o agronegócio – ponto de atrito para Marina Silva. Em 2004, Albuquerque esteve envolvido no desenvolvimento da MP que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil. Na época, Marina Silva era ministra do Meio Ambiente e se opôs à decisão. Marina chegou a pedir uma reunião com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para falar especificamente desse projeto, mas Lula manteve a decisão de sancionar a medida.

Já sobre Erundina, atual coordenadora da campanha de Marina, ainda que pese o fato ambas serem amigas, guardam diferenças políticas de peso: “Marina é uma pessoa maravilhosa, mas ela não escapa ao senso comum de negar a política, negar o partido. Tanto que é Rede, não é partido”, respondeu Erundina em outubro do ano passado, ao jornalista Kennedy Alencar. Ao assumir a coordenação da campanha, a paraibana vai levar, como legado, uma aliança com Alckmin em São Paulo – conjunção que ela renegou na última campanha, é bom lembrar.

Após digerir todos os fatos acima, alguns questionamentos surgem para o  próximo artigo, já que Marina me causa dúvidas e preocupações em vários pontos: a) sobre os recursos que sustentam sua campanha; b) acerca de alguns políticos que acompanham a candidata; c) à falta de transparência no que concerne às contribuições; d) sobre o que a candidata pontua em relação à economia; e) sobre seu fundamentalismo religioso, entre outras questões a serem respondidas.

É o que temos para início de conversa. Aguardem o próximo artigo sobre o mesmo tema – sempre surfando na aventura imponderável da direita.

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