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A ESCOLHA DE UM NOME PARA SUBSTITUIR CAMPOS: por Fabiana Agra

16/08/2014 09:16

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por Fabiana Agra

 

 

O Brasil ainda assiste, estarrecido, as imagens do terrível acidente que vitimou o candidato a presidente Eduardo Campos e seis pessoas que trabalhavam na sua campanha. A comoção atingiu a todos, independente de cores partidárias e, como não poderia ser diferente, os demais presidenciáveis deram um stand by em suas campanhas, acompanhando o luto oficial de três dias. Mas os bastidores da política sinalizam que já começou o debate interno para a escolha do substituto de Campos.

O Partido Socialista Brasileiro divulgou nessa quinta-feira (14) um comunicado oficial no qual ressalta que só irá abrir o debate sobre a escolha após o funeral de Eduardo Campos, e que a decisão a respeito do processo político-eleitoral será tomada pela direção pessebista, de acordo com seus critérios. “A direção do PSB tomará, quando julgar oportuno, e ao seu exclusivo critério, as decisões pertinentes à condução do processo político-eleitoral”, diz o texto. No entanto, os cinco partidos coligados ao PSB – PPS, PHS, PSL, PPL e PRP, declararam apoio a Marina como substituta de Campos na disputa eleitoral. Já  Antonio Campos, irmão de Eduardo, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, também apoia a indicação de Marina Silva para encabeçar a chapa do PSB, por acreditar que a atual candidata a vice-presidente da coligação seja a única com possibilidade de agregar valor à disputa eleitoral.

Ao que parece, o debate promete ser acirrado pois, de acordo com Antônio Carlos Mendes – professor de Direito da PUC – em entrevista à revista Fórum, além do prazo de dez dias que a lei impõe, cabe à coligação, e não apenas ao PSB, indicar um novo nome – que deve ser aprovado em convenção nacional pelos partidos coligados. “Havendo óbito ou renúncia de um candidato o partido se ocupa de indicar um substituto nessa fase do processo eleitoral. O substituto deverá ser indicado pela Coligação em seu Diretório Nacional”, explica.

Mendes também disse que, se algum partido quiser, pode deixar a coligação, basta o partido fazer uma justificativa, que será analisada pela própria coligação.

Em contrapartida, o comunicado divulgado pelo PSB deixou mais do que evidente a disputa dentro do próprio partido e, principalmente, o desafio de Marina Silva em conciliar seus interesses com os do PSB, enfrentando, assim, muitas resistências dentro da sigla. Sua tarefa, ao que parece, não será nada simples. A trágica morte de Eduardo Campos criou, inegavelmente, uma incógnita, pois quem bancava a presença de Marina na chapa era o próprio Campos, em grande parte contra o desejo de inúmeros correligionários. Ademais, enquanto Eduardo se mostrava um grande articulador, Marina vai pelo lado oposto, já que não conseguiu sequer organizar seu partido, talvez por pura intransigência.

De certo mesmo, é que a morte de Eduardo Campos mudou todo o cenário das Eleições 2014 e o que virá pela frente ainda não se sabe, especula-se. Somente após a escolha do candidato – ou da candidata – da coligação “Unidos para o Brasil” é que novo mapa eleitoral se delineará.

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