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A ESCOLHA DE MARINA SILVA E OS DESAFIOS DO PSB: por Fabiana Agra

21/08/2014 06:04

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por Fabiana Agra

 

Eduardo Campos ainda não foi sepultado – segundo informações de João

Lyra Neto, governador pernambucano, os restos mortais de Campos e de três

assessores devem chegar ao Recife na noite desse sábado (16). Mas já é dada

como certa a indicação do nome de Marina Silva para candidata a presidente,

apesar de o PSB, partido que a hospeda, ser um grupo sem nenhuma

liderança forte e que ainda não decidiu oficialmente que rumo tomar. Assim,

praticamente ninguém – seja no PT, seja no PSDB, seja entre os analistas

políticos, seja na mídia, ventila a hipótese de ver Marina fora da disputa.

Depois de uma sessão do Senado em homenagem a Eduardo Campos, na

manhã da próxima quarta-feira, o PSB vai reunir sua executiva para anunciar a

nova chapa com a qual vai disputar a presidência da República.

Marina Silva é nome praticamente certo no PSB, com resistências, apenas,

da ala que gostaria de se reaproximar do PT, como o vice-presidente Roberto

Amaral. A dúvida é o nome do vice. A esta altura, já são muitos os candidatos,

como os deputados do PSB Beto Albuquerque (RS), Julio Delgado (MG),

Maurício Rands, (PE), de Roberto Freire do PPS – até os nomes do irmão de

Eduardo, Antonio Campos, e da própria viúva, foram colocados na lista.

Em relação ao nome de Renata Campos, inclusive, a repórter Daniela

Pinheiro (revista Piauí), obteve a informação de que Marina quer a viúva

de Eduardo Campos como candidata a vice-presidente. Considera que ela,

auditora do Tribunal de Contas de Pernambuco, gosta de política e entende

de administração pública. Sua candidatura seria também uma maneira de

homenagear o marido e manter viva a imagem da família na própria chapa

presidencial. “Seria, sobretudo, um tremendo lance de marketing”. Já segundo

o deputado Beto Albuquerque, Marina disse que ainda está processando a

morte de Eduardo Campos, mas já admite conversar após o sepultamento.

Trocando em miúdos: Marina só não será a candidata se não quiser.

A nomeação de Marina Silva, no entanto, pode ter consequências negativas

graves para o partido. É nisso que acredita Valeriano Costa, professor de

Ciências Políticas da Unicamp, em entrevista ao site Terra: “Seria quase

impossível o PSB não dar a vaga para a Marina. Não vejo outras opções

equivalentes. Nomes menores do partido não iriam concorrer, apenas marcar

presença. Sem ela, teriam que desistir da eleição. Por isso existe um grande

dilema. No ano que vem, a Marina vai tentar regularizar as assinaturas para

montar o partido dela novamente e deve conseguir. Então, se ganhar a

eleição, vai ser um desastre total para o PSB. Mesmo se não ganhar, deve ser

bem votada, e vai levar seu potencial eleitoral para o Rede do mesmo jeito”,

completou. E o cientista político arremata: “as resistências no PSB a Marina,

tão repisadas nos bastidores da pequena política nas últimas horas, tendem

a se diluir diante da perspectiva, agora real, de chegar ao comando do país.

Ou seja, até em nome do oportunismo político os velhos socialistas brasileiros

caminham para os braços da líder ambientalista, ainda que alguns deles

tenham horror a ela”.

Na tarde dessa sexta-feira, o nome da paraibana Luíza Erundina surgiu como

alternativa a Marina Silva, em reportagem veiculada pela Folha: uma ala do

PSB defende que o partido proponha a candidatura de Erundina à Presidência,

tendo Marina como vice. Para os defensores da proposta, o nome uniria a

legenda socialista e outros partidos da coligação. A ex-prefeita de São Paulo

é considerada inatacável e tem ainda outra vantagem: é amiga de Marina e

respeitada por ela. Seria também uma fórmula para se livrar da candidatura

de Marina, apresentando uma solução palatável para as outras legendas da

coligação, para a família de Eduardo Campos e também para a opinião pública.

O problema, segundo o dirigente partidário ouvido pela Folha, seria convencer

a própria Erundina.

Acredito que os entraves sejam bem maiores do que a anuência da paraibana,

já que o PPS do deputado Roberto Freire, partido que integra a aliança que

se formou em torno de Eduardo Campos, também é contra a ideia. A legenda

está firme na proposta de lançar Marina, que já começaria a campanha de

um patamar elevado de intenção de voto. Sem contar com a vontade da

família de Eduardo Campos, do apoio do mercado, dos nanicos partidos

aliados – e a torcida da mídia grande pelo nome de Marina Silva, torcida essa

ensurdecedora, de mil Maracanãs lotados. A nós, só resta aguardar e observar

o desenrolar desse capítulo decisivo para a decisão das Eleições 2014. E,

enquanto estão suspensas as agendas político-partidárias dos principais

candidatos paraibanos, também devido à morte de Campos será da política

nacional que falaremos por aqui.

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