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De novo, governo fracassa ao testar base na Câmara

7/11/2015 14:04

O governo fracassou com louvor ao testar ontem a sua base de apoio na Câmara dos Deputados. Mais uma vez, adiou a votação do projeto que anistia quem tem recursos ilegais no exterior em troca do pagamento de multa e impostos.eduardo-cunha-04-cortadas-original-e1444222898471

Há uma versão de que o adiamento ocorreu para serem feitos ajustes no texto do relator, Manoel Jr., do PMDB, que é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mas isso é uma cortina de fumaça para encobrir a insegurança do governo.

Faz duas semanas que o governo sabe quais são os pontos que deseja mudar no relatório de Manoel Jr. Poderia fazer isso no voto, emendando e alterando o texto no plenário. Não faz porque tem medo de derrota.

Acontece que o tempo vai passando, o projeto precisa tramitar no Senado e, a depender de eventuais mudanças lá, retornar à Câmara para nova apreciação.

O governo caiu na armadilha de Eduardo Cunha, que deseja jogar todos os assuntos importantes para o ano que vem, inclusive uma decisão sobre a eventual cassação do seu mandato parlamentar.

Enquanto não obtiver voto na Câmara para aprovar projetos do ajuste fiscal, o governo Dilma não terá chance de sair da crise. Pelo contrário. A tendência é aumentar as dificuldades na política e na economia, porque a fraqueza fica exposta publicamente e encoraja os adversários.

A oposição joga no desgaste de Dilma e não ajuda a aprovar esse projeto, que é importante para minimizar o rombo nas contas públicas.

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Não vai colar

Não tem nenhuma consistência a versão apresentada por Eduardo Cunha para justificar as contas na Suíça, apuração feita pelo repórter Ranier Bragon, da “Folha de S.Paulo”.

Pelo contrário. Ser beneficiário dessas contas é até um agravante, porque trata-se uma forma de tentar esconder a propriedade dos recursos. É um recurso clássico usar empresas no exterior, em paraísos fiscais, para mascarar a titularidade de uma conta secreta.

Segundo a “Folha de S.Paulo”, Eduardo Cunha tem sustentado para os aliados mais próximos que não mentiu à CPI da Petrobras porque as contas estariam em nome de empresas e não dele. Ora, é uma justificativa ruim.

Cunha só se sustenta no cargo porque tem uma arma apontada para a cabeça da presidente Dilma Rousseff, que é a possibilidade de dar seguimento à abertura de um processo de impeachment. Nesse contexto, o governo tem medo dele.

A oposição faz vista grossa em relação às acusações gravíssimas contra o peemedebista porque sua prioridade continua sendo derrubar Dilma. A ameaça de impeachment está em banho-maria, o que interessa mais a Eduardo Cunha do que ao país, que segue paralisado na política e na economia.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

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