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CPI tem aplausos a Cunha, e deputada reage: vergonhoso

18/03/2015 01:06

 

Deputada Clarissa Garotinho criticou fato de Eduardo Cunha ter recebido "felicitações" e disse que sessão da CPI da Petrobras foi "vergonhosa" Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados / Divulgação

Deputada Clarissa Garotinho criticou fato de Eduardo Cunha ter recebido “felicitações” e disse que sessão da CPI da Petrobras foi “vergonhosa”
Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados / Divulgação

A sessão da CPI da Petrobras desta quinta-feira, na qual foi ouvido o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), virou um verdadeiro ato de desagravo ao parlamentar. Cunha é um dos 47 políticos que tiveram abertura de inquérito autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.

 

 

O deputado voltou a negar recebimento de propina e fez duras críticas a Janot, dizendo que o Ministério Público “escolheu” a quem investigar. Depois, foi elogiado por parlamentares – tanto da oposição quanto da base aliada – e, em determinado momento, chegou a ser aplaudido.

Diante dos poucos questionamentos e do massivo apoio a Eduardo Cunha, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) classificou como “vergonhosa” a sessão da CPI desta quinta-feira. A parlamentar é filha do ex-deputado Anthony Garotinho, que já foi aliado de Cunha, mas hoje é seu desafeto.

“Quero dizer que considero vergonhosa a reunião de hoje. Porque não cabe a nenhum parlamentar condenar a priori ninguém, tampouco absolver. E o que vi aqui hoje foi uma reunião de felicitações. Achei que eu estava na reunião da CPI. Cabe, portanto, a esta comissão, inquirir, indagar, questionar, perguntar. E foi o que menos vi na manhã de hoje”, afirmou a deputada.

Clarissa disse ainda que “não esperava atitude diferente do presidente da Casa em se colocar à disposição” da CPI, fato que foi bastante elogiado pelos parlamentares.

As palavras da deputada causaram reação do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que afirmou que se sentia “atingido”. “Não reconheço nela autoridade moral para vir aqui fazer esse tipo de juízo em relação ao nosso trabalho. Ela tem o direito de fazer as perguntas que quiser, mas não de vir aqui, chegar no meio, e ainda apontar o dedo para todos nós como se meninos fôssemos”, disse Marun.

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“Faço um pedido a vossa excelência para que não mais permita que acusações nesse sentido se façam nesta CPI”, completou o deputado, dirigindo-se a Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da comissão e grande aliado de Cunha. Motta, então, respondeu que a deputada podia expressar sua opinião mas fez questão de dizer que não concordava com ela.

Quebra de sigilo
Um dos poucos a pressionar Cunha foi o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que sugeriu que o presidente da Câmara se dispusesse a abrir seus sigilos fiscal, telefônico e bancário “antecipadamente”, ou seja, sem uma exigência da comissão. A sugestão, no entanto, foi rejeitada por Cunha, que disse que não quer transformar o processo investigativo em “processo político” e que prefere aguardar o entendimento da CPI.

“Se a comissão assim entender, que há qualquer tipo de dúvida ou que deva promover a abertura dos meus sigilos – o fiscal já é público –, ela deve fazê-lo, ela deve quebrar. Até porque o processo é investigativo. Eu não vou fazer processo político e fazer uma bravata, que coloca à disposição (o sigilo) para que constranja quem quer que seja a ser obrigado a fazer o mesmo para não parecer diferente”, disse Cunha. “Não tenho problema com qualquer um dos meus sigilos. Mas faça dentro do processo investigativo que deve ser feito, se assim entender que cabe. Não haverá nenhum constrangimento “, completou o presidente da Câmara.

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