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Comercial com beijo gay causa polêmica na PB; vereadora rechaça e MEL defende

20/05/2014 13:29

A exibição inédita na TV brasileira de um comercial retratando um beijo gay vem despertando discussões esta semana. O material causou polêmica e não foi bem recebido por todos os setores da sociedade. A vereadora Eliza Virgínia (PSDB) chegou a declarar que o comercial objetiva “catequizar” as pessoas para a causa gay. “Eu fiquei vendo justamento o que temos dito: o movimento homossexual está mostrando seu verdadeiro objetivo. Até pouco tempo, eles diziam que queriam apenas seus direitos, mas isso não dá o direito a fazer proselitismo e obrigar as pessoas a serem como eles”, argumenta.
Para a vereadora, o comercial, que nasceu de uma parceria entre o Movimento do Espírito Lilás (MEL) e o Ministério Público do Trabalho, tenta retratar a convivência de uma “família homossexual” como se fosse “um mar de rosas”. Elisa defende que isso não acontece, pois a sociedade já presenciou inúmeros crimes e brigas nesse tipo de relacionamento e que sob vários aspectos, inclusive culturalmente, a união entre pessoas do mesmo sexo não seria ‘normal’. “Não podemos aceitar que eles vendam a mentira de que a família gay é perfeita. Tem crianças vendo. Eles não querem ser só respeitados, querem impor sua maneira de viver”.
A vereadora disse também que vai querer saber a origem do dinheiro para a exibição do comercial em horário nobre, já que muitas vezes as ONGs são mantidas através de convênios e com dinheiro público. “Não vou permitir que dinheiro público seja usado para disseminar práticas que eles consideram certas”, sentencia.

Já o presidente do Movimento do Espírito Lilás (MEL) Renan Palmeira afirma estar bastante satisfeito com a repercussão da campanha. Ele afirmou que o objetivo do comercial não é brigar e acredita que a sociedade está suficientemente avançada para entender a mensagem. “A homofobia vem do fundamentalismo, é o ódio, mas a mensagem da campanha e de amor e respeito”, explica.
Renan lembra que este é um comercial pioneiro no Brasil e que surgiu da compreensão de que atualmente a sociedade ainda é homofóbica, violenta e preconceituosa e que o discurso de propagação do ódio pelas minorias sociais é extremamente perigoso. “O conceito da campanha é de que a sociedade deve estar pronta para a demonstração de afeto homoafetivo. É uma mensagem de amor”, conclui.
A comunidade homossexual parece concordar com Renan e recebeu a campanha de maneira bastante positiva e acredita que ela pode ajudar a consicientizar as pessoas. Para o empresário Douglas F. Xavier, ainda existe muito ódio e preconceito em relação a diversidade sexual, seja a pessoa gay, bissexual ou transexual. “Acho que o medo se aloja na gente, de uma forma ou de outra. Mas a gente nunca pode deixar que isso nos impeça de nos mostrar, de exigir respeito, de nos fazer presentes onde quer que seja, abertamente, e em defesa do que somos e acreditamos”, defende.
O empresário diz querer ver mais esse tipo de campanha recebendo essa visibilidade, pois não haveria motivos para os homossexuais quererem se esconder ou esconder sua orientação sexual. “Porque existimos e merecemos os mesmos espaços que qualquer outro cidadão. E adivinhem? Nós também beijamos. E bem!”, brinca.