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CHAPAS PARA ELEIÇÕES: Escrito por Marcos Souto Maior

12/07/2016 12:18

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Escrito por Marcos Souto Maior

Depois dos festejos juninos, a maior e melhor festa que aguardaremos, são as eleições municipais para todos os recantos do Brasil, onde Prefeito, Vice e Vereadores disputam dentro da própria cidade, os votos do seu povo.As eleições agora, tem um período reduzido devido à minirreforma eleitoral, limitando a propaganda política e restringindo os meios de captação de recursos para bancar as gordas campanhas, com apenas 45 dias de luta eleitoral.Contudo, o meu Brasil sempre foi assim: no sul as coisas só acontecem após o reinado de momo e, no nordeste, depois de comer o milho verde do São João, como se houvesse uma festa entre familiares e amigos, onde as cozinhas apresentavam várias iguarias do interior e, mormente uma pinga para queimar a goela de quem desejar.

Nesses próximos dias, logo estarão iniciados os registros de candidaturas para, em seguida, os colendos Tribunais Eleitorais chancelaram ou não, os escolhidos em formal convenção. Engraçado, era antigamente, quando os candidatos eram selecionados na sede do partido escolhido e, em seguida após chancelados eram impressas às “chapas” ou “santinhos” com os nomes completos, dos candidatos ao Executivo, já os vereadores ficavam estarrecidos no pequeno espaço, para colocar os números ou, o nome. Sem falar, nos retratos pintados a tinta óleo, muros e fachadas coloridas na cor do partido, além das bandeirolas tremulando nas ruas e praças públicas.

Quanto as cédulas de votação, só contavam com o nome dos candidatos ao Poder Executivo e ao Parlamento ficava o espaço para o povo escrever o nome completo ou, número escolhido. Nesse tempo, era utilizado o princípio da utilidade do voto, de maneira que mesmo ilegível ou em garrancho, deveria o mesário ou escrutinador, tentar ao máximo, aproveitar o voto para os candidatos da região. Por isto, para evitar a perda de preciosos votos os políticos mandavam confeccionar as “colas”, ou seja: uma espécie de engenhoca a lá brasileira, onde o eleitor colocava em cima das cédulas de votação, a fim de poder cobrir e sair, simplesmente o número ou, o nome do candidato registrado.

Outra lenda saudosista e perigosa, o voto de formiguinha, era quando confeccionada a cédula falsificada, o eleitor corrompido fazia tudo para trazer de volta, para o corruptor a cédula oficial, em sendo como formiguinhas,os eleitores levavam à cédula já preenchida e, somente receberiam o dinheiro, quando entregassem a cédula oficial em branco.Na hora das apurações era aquela loucura de impugnação de votos, pedido de colocação no envelope de voto em separado, e cada delegado ou fiscal que puxasse a sardinha para o seu lado.Muitas histórias já se ouviu falar do mapismo, onde alguns dormiam eleitos e acordavam derrotados pela pena de um escrutinador corrupto, que maquiava os números e não levava ao mapa de votação à totalização correta.

Atualmente, as coisas foram bem melhor, com a prevalência da votação pelas urnas eletrônicas brasileiras,com totalização em muito poucas horas, sem direito à modificação do resultado ou ainda, a votação irregular que ficou só na possiblidade de votação com fraude a identidade, esta mitigada pela evolução do voto, com aplicação do seguro sistema biométrico.Aplausos para a tecnologia,que realmente nos trouxe muita segurança eleitoral, entretanto, gostava muito mais das eleições populares de antigamente, quando fui ouvir os oradores nordestinos subirem ao palco das praças, com brilhos dos discursos inflamados que, infelizmente não deixaram sucessores, as alturas!

(*) Advogado e desembargador aposentado

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