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A ELEIÇÃO QUE ABRIU O CAMINHO DA REDEMOCRATIZAÇÃO: Escrito por Rui Leitão

1/10/2015 15:44

Rui Leitão 02A ELEIÇÃO QUE ABRIU O CAMINHO DA REDEMOCRATIZAÇÃO: Escrito por Rui Leitão

Em outubro de 1978 assistíamos mais uma eleição indireta para Presidente da República. No entanto, havia um clima de esperança no futuro próximo, porque era evidente que a ditadura estava acabando. O regime militar se via acossado pela oposição que se organizava com apoio popular e pela grave crise econômica que o país enfrentava.

Entre as forças militares já havia uma forte dissidência e o governo percebia que tinha perdido a unanimidade que lhe dava sustentação. O general Hugo Abreu liderava a movimentação política dos oficiais que divergiam da cúpula que governava a nação. Surgia então o nome do general Euler Bentes como opção de candidatura oposicionista pelo MDB.

Ulysses Guimarães e Tancredo Neves compreenderam que o lançamento de uma chapa comandada por um militar facilitaria a transição democrática e dividiria os militares. Criaram a Frente Nacional de Redemocratização, confirmaram a candidatura do general Euler Bentes, tendo como companheiro na disputa o senador Paulo Brossard, e foram às ruas como se a eleição fosse pelo voto direto. Mas era uma forma de pressão sobre os membros do colégio eleitoral.

Por um lado o general da oposição apresentava a proposta de que “teríamos um governo de três anos, que iria operar a partir de março de 1979, a transição do estado de arbítrio para o estado de direito, pleno e sobretudo legítimo, e tão logo assumisse o poder, revogaria todas as exceções e restauraria todas as liberdades, promovendo a mais ampla e livre discussão dos grandes problemas nacionais”. De outra parte, os acenos pela volta á democracia já eram sentidos desde a declaração de Ernesto Geisel em executar a transição lenta, gradual e segura, promessa reafirmada por seu candidato, o general João batista Figueiredo. Isso alimentava uma expectativa otimista, pois ambos os postulantes à presidência, se comprometiam em ser os últimos militares a exercerem a chefia do executivo nacional.

No dia quatorze de outubro o Colégio Eleitoral aprovou a escolha do candidato escolhido pelo presidente Geisel, com o registro de 355 votos em favor de Figueiredo e seu vice Aureliano Chaves, contra 226 sufrágios de apoio à chapa Euler/Brossard.

Já eleito, Figueiredo foi interpelado por um jornalista sobre quais eram os seus propósitos em relação à abertura democrática, ao que respondeu, bem ao seu estilo: “Você acha que sou um mentiroso? Há quatro meses que não faço outra coisa, a não ser prometer a abertura. Na hora em que sou eleito, você vem me perguntar se é verdade! Imagine o que o brasileiro pensaria se dissesse que iria refletir melhor. É para abrir mesmo, e quem quiser que não abra, que eu arrebento, não tenha dúvida”.

A verdade é que, apesar da forma em que se procedeu aquela eleição, sem a participação do povo pelo voto, o Brasil iniciava ali um novo tempo da sua história, e começávamos, efetivamente, a caminhar em direção ao retorno da vida democrática.

www.reporteriedoferreira.com• Integra a série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.