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Delegadas participam de entrevista e falam sobre o combate à violência contra a mulher na Rádio Tabajara

1/05/2019 12:11

 

As delegadas Maísa Félix e Renata Matias, coordenadora e vice-coordenadora das Delegacias da Mulher na Paraíba, respectivamente, participaram na última terça-feira (23) do programa “Fala Paraíba” da Rádio Tabajara, em João Pessoa.

Elas foram entrevistadas pela equipe do programa e falaram sobre as diversas formas de combate à violência doméstica e do trabalho que vem sendo realizado pelas Delegacias da Mulher em todo o Estado. “É muito importante a participação efetiva da população através do disque-denúncia pelo número197 da Secretaria de Segurança ou pelo 180 que é o número nacional”, ressaltou a delegada Maísa Félix.

Ainda durante o programa, a delegada lembrou que a violência contra a mulher começa no início do relacionamento e vai se agravando à medida em que a vítima não denuncia e permite pequenos controles praticados pelo companheiro.

“Desde o início de um relacionamento, quando o namorado reclama da roupa usada por sua namorada ou a impede de se vestir como ela quer, a violência começa a se instalar. Depois disso, se ela permite tal situação, as formas de controle vão aumentando até que surgem as primeiras agressões e quando esta mulher percebe está envolvida em ciclo de violência do qual não pode mais sair ou, pelo menos, se tornará muito mais difícil conseguir. Muitas vezes a mulher não percebe que está sofrendo uma violência quando ela permite que ele controle suas amizades, seu modo de vestir. Isso não é amor, é a violência que ela começa a sofrer e quando ela entra nesse ciclo é preciso um fortalecimento grande na recuperação da sua auto-estima para que ela consiga sair”, explicou Maísa Félix.

“Existe uma relação doentia que começa com o ciúme do namorado e ela acha que aquilo é amor, mas é violência. Daí surgem as primeiras agressões verbais e físicas, mas ele pede desculpas e ela aceita achando que é amor. E assim vai se construindo um ciclo de violência no qual ele não vai aceitar mais sair da relação quando ela resolve dar um basta e acabar o relacionamento. Infelizmente esse ciclo vai ganhando força e acaba com o feminicídio, como já vimos em tantos exemplos na nossa sociedade”, ressaltou.

Já a delegada Renata Matias falou sobre as ações que são implementadas pela Coordenação das Delegacias da Mulher em diversos setores da sociedade, como em escolas públicas e particulares, faculdades, empresas e nos canteiros de obras da construção civil, além das blitzens que são realizadas periodicamente em pontos estratégicos da cidade.

“Nosso público alvo é muito diversificado. Estamos levando informações e orientando como denunciar a violência contra a mulher para o maior número de pessoas possível. Um dos locais mais interessantes é quando realizamos palestras nos canteiros de obras da construção, que tem um público formado em sua maioria por homens. É muito importante mostra a esse público que os pequenos gestos que podem parecer normais acabam camuflando uma violência contra a mulher, que tem o direito de fazer o que ela quiser e se vestir como quiser, por exemplo”, disse a delegada Renata Matias.

Atualmente existem 14 Delegacias da Mulher e um núcleo de atendimento à mulher na cidade de Esperança, além da Coordeam que funciona na Central de Polícia de João Pessoa. Essa rede de atendimento abrange todas as regiões do Estado, de modo que as Delegacias foram instaladas em municípios estratégicos. Com isso a mulher vítima de violência doméstica poderá procurar a Delegacia da Mulher que está mais próxima da sua região.

As Deam´s estão localizadas nas seguintes cidades paraibanas: João Pessoa (Zona Norte, na Av. D. Pedro II e Zona Sul, na Central de Polícia), Santa Rita, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande, Guarabira, Patos, Cajazeiras, Picuí, Sousa, Mamanguape, Monteiro e Queimada, além do Núcleo de Atendimento à Mulher em Esperança.

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