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Caso Rebeca:”Comprei fogos para comemorar desfecho”, diz padrasto

22/07/2015 11:25

Em entrevista exclusiva para o Caso de Polícia, da TV Tambaú, o cabo Edvaldo reafirmou sua inocência e disse não ter envolvimento na morte da estudante Rebeca Cristina, de quem também era o padrasto. A declaração foi feita nesta terça-feira (21). Ele ressaltou a tristeza de não tê-la mais no convívio familiar. “É triste por que muita gente sabe qual era a convivência familiar que tive com Rebeca. Era um relacionamento de pai e filha. Eu a tratava como minha filha”, disse.

Ao ser questionado onde se encontrava no momento do crime, o cabo Edvaldo foi enfático. “Eu estava na guarita 5 do Presídio do Róger. Cristina (mãe de Rebeca) me ligou mais de 14h. Pode quebrar o meu sigilo telefônico. Eu não estou preocupado”, disse, acrescentando que a ligação era para informar do desaparecimento da adolescente.

“Liguei imediatamente para o 190, pedi uma viatura para ir em Mangabeira dar apoio à minha esposa. Em seguida desci da guarita e um policial me substituiu. Me dirigi ao corpo da guarda e muito preocupado eu disse abertamente para todo mundo ouvir: Algo muito grave aconteceu com Rebeca”, revelou.

Edvaldo comentou ainda que não tinha motivos para matar ou mandar matar a jovem. “Eu me dava por satisfeito com o desempenho dela na escola. Uma pessoa da qual nunca recebi uma reclamação. Havia harmonia dentro de casa”, ressaltou, explicando que que todas as decisões tomadas dentro de casa eram feitas em comum acordo com a mãe de Rebeca.

Sobre as recentes acusações, o cabo Edvaldo negou. “Se eu fosse o mentor intelectual eu não estaria olhando para esta câmera e colocando meu rosto diante de vocês. Podem ter certeza disso”, disse. Para ele, a polícia estaria procurando um bode expiatório. “Eles esgotaram todos os recursos que tinham e agora estão atirando no escuro. Não devo, não temo. Estou tranquilo e sossegado. Não fugi, não troquei de celular. Quando fui informado de que havia um mandado de prisão para mim, respondi à imprensa que recebia a notícia com alegria”, ressaltou.

Ele revelou ainda que declinou nomes que pudessem ajudar nas investigações. “Passei dias e noites repassando toda informação que recebia para a polícia e me senti muito à vontade quando fui chamado às delegacias para ser ouvido por esses oito delegados. Perdi as contas de quantas vezes prestei depoimentos. E tem um detalhe: nunca fui acompanhado por um advogado”.

O padrasto de Rebeca disse acreditar que o crime tenha sido planejado por alguém próximo da família. “Eu acho que o crime foi praticado por alguém muito próximo dela. “Eu quero solução do caso. Tragam o desfecho do caso. Eu só tenho motivos para sorrir. Não tenho motivos para estar desesperado. Encaro com muita naturalidade o pedido de prisão”, revelou.

Por fim, o cabo Edvaldo disse que vai procurar a imprensa no mês de agosto, quando, segundo as autoridades, o caso seja finalmente desvendado. “Ano passado quando soube que haveria desfecho para o caso Rebeca, fui até uma loja e comprei fogos de artifícios. Nem o GOE, que vive me monitorando, sabia disso. Já estou preparado para comemorar o desfecho do Caso Rebeca. Quem não deve não teme. Temos um DNA em andamento, temos um pedido de prisão negado e estamos nos aproximando de agosto”, finalizou.

Relembre o caso – A estudante Rebeca Cristina foi morta no dia 11 de julho de 2011. Na época ela tinha 15 anos e desapareceu depois de sair para ir à escola, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa. O corpo da jovem foi encontrado com marcas de tiros e sinais de violência sexual, comprovados posteriormente através dos exames periciais.

Ao completar quatro anos do crime que chocou o Estado, a mãe da menina disse perdoar o acusado. “Só me resta a saudade e a dor que vou levar o resto da minha vida. Hoje ficou a liberdade e a impunidade pra essa pessoa que está livre”, disse a mãe da estudante, ressaltando que as lembranças da menina, em vida, são fortes. “Ela era uma boa filha, uma boa amiga e está me fazendo falta. Toda a família sente falta. Era uma pessoa de Deus”, disse em prantos.

Na última sexta-feira (17), depois que as acusações vieram à tona, o cabo deixou sua casa e está abrigado na sede do 1º Batalhão de Polícia Militar, onde ele é lotado. O militar recebeu o apoio dos companheiros de farda para o deslocamento da residência até a sede do 1º Batalhão.

Sindicância – Uma sindicância foi aberta, a pedido do Comando Geral da Polícia Militar, para investigar o caso. “Já havia uma sindicância e nesse momento estamos apurando novos fatos e a conclusão do inquérito, junto da Polícia Civil, para apurar se existe a participação de algum militar”, destacou.

Assista ao vídeo na íntegra:

www.reporteriedoferreira.com     Autor: Renata Nunes-Jornalista e Produtora