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Casal de policiais militares preso na ‘Gabarito’ é solto pela Justiça na Paraíba

26/05/2017 09:55

Policiais militares tinham sido presos em flagrante com droga durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em João Pessoa

Casal de PMs presos na Operação Gabarito vão responder processo em liberdade

Casal de PMs presos na Operação Gabarito vão responder processo em liberdade

O casal de policiais militares que foram presos durante a Operação Gabarito foram liberados na tarde quinta-feira (25) após terem a prisão preventiva revogada na Justiça. O advogado do casal da PM, Luiz Pereira, informou que a decisão judicial para que os clientes respondam ao processo em liberdade parte do princípio de que não há nenhuma prova que ligue o casal diretamente à quadrilha desarticulada na operação. Ainda segundo o advogado, a quantia de droga encontrada com o casal não é suficiente para a manutenção da prisão.

Os dois policiais militares, Poliane de Alencar Holanda e Sérgio Firmino da Silva, estavam presos desde 12 de maio, de acordo com a Polícia Civil. A policial estava detida na 6ª companhia de Polícia Militar, em Cabedelo, na Grande João Pessoa, e o policial estava recluso no 1º Batalhão. O delegado responsável pela operação, Lucas Sá, confirmou que com a soltura dos dois suspeitos, 27 pessoas seguem presas por conta das investigações.

De acordo com o delegado, até agora, 30 pessoas foram indiciadas e 29 foram presas, suspeitas de envolvimento no esquema de fraudes em concursos e vestibulares. “A prisão dos dois policiais se deu em flagrante pela posse das drogas durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão da casa deles. Eles seguem sob investigação e os concursos nos quais eles foram aprovados também”, comentou o delegado.

Conforme assessoria da Polícia Militar, o casal de policiais está respondendo a uma sindicância no âmbito administrativo. Caso seja constatado o indício de crime ou algo que provadamente se apresente como incompatível de continuar na corporação, é aberto um conselho, que garante a ampla defesa e contraditório, para julgar essa permanência dos policiais presos. Ainda de segundo a assessoria da PM, o procedimento é padrão, feito contra qualquer policial militar envolvido em conduta ilícita.

Casal estava preso desde o dia 12 de maio após etapa da 'Gabarito' em João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)Casal estava preso desde o dia 12 de maio após etapa da 'Gabarito' em João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Casal estava preso desde o dia 12 de maio após etapa da ‘Gabarito’ em João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Ainda de acordo com o delegado, com o avanço da operação, pode ser que uma nova prisão do casal possa ser solicitada à justiça. Em duas fases, a Operação Gabarito prendeu 29 pessoas e apreendeu veículos e documentos ligados à quadrilha suspeita de fraudar concursos públicos. Conforme levantamento da Polícia Civil, há indícios de que 70 pessoas tenham ligação com o grupo criminoso e aproximadamente 700 pessoas podem ter sido beneficiadas pelas fraudes em concursos.

O delegado Lucas Sá garantiu que novas fases da operação ainda vão ser realizadas, com a instauração de um inquérito para cada concurso investigado. “A partir da 3ª fase, a DDF irá aprofundar as condutas em relação a cada concurso e objetiva identificar todos os beneficiados”, disse.

Operação Gabarito foi deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba em maio de 2017 (Foto: Cógenes Lira/Jornal da Paraíba)Operação Gabarito foi deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba em maio de 2017 (Foto: Cógenes Lira/Jornal da Paraíba)

Operação Gabarito foi deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba em maio de 2017 (Foto: Cógenes Lira/Jornal da Paraíba)

Operação

A Operação Gabarito, da Polícia Civil da Paraíba, investiga um grupo suspeito de fraudar pelo menos 70 concursos públicos e vestibulares e lucrar pelo menos R$ 18 milhões com a aprovação de mais de 500 pessoas. Segundo a polícia, 30 pessoas foram indiciadas e 29 foram presas, suspeitas de envolvimento no esquema de fraudes em concursos e vestibulares.

As fraudes começaram em 2005, e mais de 500 pessoas já foram beneficiadas com o esquema em pelo menos 70 concursos na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí. Os suspeitos cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado. A venda do ‘kit completo de aprovação’ custava até R$ 150 mil. Em 12 anos, o valor acumulado pelo grupo com o esquema já passa de R$ 21 milhões, segundo Lucas Sá.

A primeira etapa aconteceu no dia da realização das provas do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando 19 pessoas foram presas em flagrante tentando fraudar o concurso com pontos eletrônicos. Outros seis suspeitos foram presos na sexta-feira (12), durante a segunda etapa da operação.

www.reporteriedoferreira.com.br    Por G1 PB