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Tragédia; Volta de carioca ao Rio foi adiada para curtir o noivo

Apaixonada por dança e pela vida, capitã do Exército transferiu passagem a fim de aproveitar mais uma noite ao lado do companheiro. Casal morreu asfixiado

30/01/2013 05:44

Daniele e Herbert procuravam casa para comprar. Eles se conheceram há mais de quatro anos | Foto: Reprodução da Internet

Daniele e Herbert procuravam casa para comprar. Eles se conheceram há mais de quatro anos | Foto: Reprodução da Internet

Rio –  A paixão pela dança e a vontade de curtir mais uma noite das férias com o noivo em Santa Maria (RS) selaram o destino da carioca Daniele Dias de Mattos, de 36 anos, e de Herbert Charão, 27. O casal, que transferiu de sábado para segunda-feira o retorno ao Rio, morreu intoxicado pelo incêndio na boate Kiss. O corpo da capitã médica do Exército será enterrado hoje no Cemitério de Inhaúma, Zona Norte carioca.

“Era um casal apaixonado, que gostava das mesmas coisas. Ela voltaria a trabalhar na terça-feira (ontem) e por isso decidiu não seguir no sábado para Porto Alegre, onde pegaria o voo para o Rio. A vontade dela era apenas dançar. Acabou morrendo”, contou Denise Rios, vizinha de Herbert em São Sepé (RS), onde ele morava.

Segundo amigos do casal, em março deste ano ela iria pedir transferência para Santa Maria e, junto do futuro marido, já procurava casa para comprar. Eles se conheceram há mais de quatro anos na cidade onde ocorreu a tragédia, durante aulas de dança ministradas pelo próprio Herbert. A carioca, que trabalhou de 2006 a 2011 nos hospitais de Guarnição e Universitário antes de seguir para o Hospital Central do Exército, em Benfica, era apaixonada por tango.

Daniele chegou a São Sepé, que fica a cerca de 60 km de Santa Maria, no dia 31 de dezembro de 2012. Acompanhada da filha, Ana Carolina, 14, que passou alguns dias no município e depois seguiu com o avô para uma viagem ao exterior, passou as férias fazendo passeios, curtindo festas e reencontrando amigos e antigos pacientes.

“Ela gostava tanto de dançar que, além de coordenar o Projeto Revicardio, um trabalho voluntário para prevenção de doenças cardiovasculares, também dava aula de dança com o Herbert para os pacientes. São perdas irreparáveis”, completou Denise.

Primeiro tenente Leonardo Machado de Lacerda é velado no Rio | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

Primeiro tenente Leonardo Machado de Lacerda é velado no Rio | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

O corpo de Daniele chegou ao Rio na madrugada de ontem e seguiu para o Hospital Central do Exército, em Benfica, onde foi velado por parentes e amigos nas primeiras horas do dia. Muito abalada, a mãe da capitã, Maria Cristina, pediu que o caixão fosse aberto.

“Parece que ela está dormindo, com a mesma carinha de sempre”, contou um amigo. Hoje pela manhã, o corpo seguirá para o Cemitério de Inhaúma, onde será sepultado por volta das 14h de hoje. Até ontem, parentes aguardavam a chegada da filha e do pai da vítima, que retornavam de viagem. “Daniele era alegre, para frente. No pessoal, uma pessoa humilde. No trabalho, tratava os pacientes como amigos”, completou Isabel.

Nesta terça, o corpo do tenente do Exército Leonardo Machado de Lacerda, que também era carioca, foi velado e cremado no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio. Ele morreu salvando vítimas.

Do Ig