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Temendo ser preso Pizzolato, condenado no mensalão fugiu para a Itália, era ex-diretor do BB

18/11/2013 00:02

 

MensalãoO ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão no escândalo do mensalão, fugiu para a Itália, aproveitando a dupla cidadania. Ele vai apelar para um novo julgamento italiano. É o que diz uma carta divulgada neste sábado (16) pelo advogado de Pizzolato, Marthius Sávio Cavalcante Lobato.

Segundo o advogado, Pizzolato tomou a decisão sozinho. Lobato deu rápida entrevista coletiva às 12h30 no Rio de Janeiro, em frente à residência de Pizzolato, e confirmou a fuga, dizendo também que encerrou seu trabalho de defesa do cliente.

“Por não vislumbrar a mínima chance de ter um julgamento afastado de motivações político eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um Tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália”, diz o texto da carta deixada por Pizzolato”.

Segundo a Polícia Federal, Pizzolato saiu do Brasil de forma clandestina, já que o nome dele constava em lista de pessoas que não poderiam deixar o país. A PF informou que a informação sobre a fuga de Pizzolato foi repassada ao sistema de comunicação “Difusão Vermelha”, um alerta da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) que emite a notícia do mandado de prisão para todos os 188 países membros da organização internacional, com vistas à localização e eventual captura da pessoa procurada.

Segundo a Agência Estado, Pizzolato teria fugido do Brasil por terra, pela cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, há 45 dias. De lá, para a Itália.

Na manhã deste sábado, a inteligência da Polícia Federal havia iniciado o trabalho de rastreamento de Pizzolato. Ele foi o primeiro a ter a prisão decretada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no processo do mensalão.

Henrique Pizzolato foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão, pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha, na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

Ele foi condenado por ter autorizado repasses de dinheiro público do Banco do Brasil em favor das empresas do publicitário Marcos Valério, apontado como operador do esquema de compra de votos.

O STF entendeu que os desvios ocorreram de duas formas: a apropriação de cerca de R$ 2,9 milhões do bônus de volume (bonificações a que o banco tinha direito) pelas empresas do publicitário e a liberação de R$ 73 milhões do Fundo Visanet. Segundo os ministros do STF, Pizzolato recebeu R$ 326 mil de Valério em troca do favorecimento.

O plenário do STF concluiu que foi comprovado no julgamento que os repasses de recursos para a agência de publicidade de Marcos Valério foram ilegais.

Na última sexta-feira (15), a PF havia informado que o ex-diretor se entregaria hoje, quando seu advogado chegasse de Brasília. Segundo a PF, ele não frequenta seu apartamento em Copacabana, no Rio, há dois meses.

Uol