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Seis PMs são presos por abordagem a suspeitos antes de ataque a ônibus

Abordagem teria ocasionado o ataque a um ônibus na Zona Norte de SP. Outras 7 pessoas foram detidas suspeitas de incendiarem o veículo.

10/12/2012 02:45

Ônibus foi incendiado na manhã deste domingo  (Foto: Fabiano Correia/ G1)Ônibus foi incendiado na manhã deste domingo (Foto: Fabiano Correia/ G1)

Seis policiais militares foram presos em flagrante por homicídio e tentativa de homicídio após abordagem a dois suspeitos, que teria ocasionado a morte de um deles e o ataque a um ônibus na Zona Norte de São Paulo neste domingo (9). De acordo com o coronel Audi Felix, os PMs foram detidos porque testemunhas da abordagem contaram versões diferentes das apresentadas pelos policiais.

Coronel Felix (Foto: Fabiano Correia/G1)Coronel Audi Felix (Foto: Fabiano Correia/G1)

Duas equipes participaram da ação. A primeira abordou os dois suspeitos e, segundo Félix, fez os disparos que mataram Maicon Rodrigues de Moraes, de 16 anos. Depois, a outra equipe chegou ao local. Entre os PMs detidos, estão um tentente, um sargento, três soldados e um cabo, que serão levados para o Presídio Romão Gomes.

A abordagem dos PMs teria gerado revolta dos moradores, o que pode ter ocasionado o ataque a um ônibus, na região do Parque Edu Chaves. Segundo a PM, um grupo jogou combustível e ateou fogo no veículo, o que causou a morte de dois passageiros, que não conseguiram descer. Pouco antes das 11h deste domingo (9), um segundo coletivo foi incendiado a cerca de 500 metros dali.

Por causa desses dois ataques, sete pessoas também foram presas nesta tarde, informou o Delegado da Seccional Norte, Cosmo Stikovics Filho. Alguns deles ficaram queimados e precisaram ser socorridos a hospitais da região.

Em relação à abordagem que causou a prisão dos seis PMs, o coronel Félix disse que chegaram testemunhas com uma nova versão dos fatos. “Cabe ao delegado entender. E ele entendeu, dentro das convicções dele, que é o caso de fazer autuação em flagrante e delito”, explicou Félix. “Há contradição com o relato dos policiais militares. Eles são firmes em dizer que no momento do confronto não havia ninguém na via pública, mas tudo isso vai ser apurado”, complementou.

Em nota, a Polícia Militar informou que os policiais solicitaram aos dois suspeitos que deixassem o veículo em que estavam. Segundo a PM, eles desceram atirando e houve troca de tiros. Porém, a mãe do outro rapaz baleado que sobreviveu, Walterley Marques da Silva Junior, de 18 anos, afirmou que o rapaz “nunca andou armado”. Segundo ela, ele teve uma passagem por porte de drogas há dois anos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Walterley passou por uma cirurgia para retirar a bala e permanece internado na UTI do Hospital São Luiz Gonzaga, em estado estável, sob escolta policial.

Moradores da região relataram também que houve espancamento de outras pessoas durante a ação. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o irmão do jovem que foi morto está internado no Hospital Vila Maria, com um trauma no maxilar, que seria decorrente de um confronto com um policial.

No entanto, o coronel Félix disse que não há informações sobre essa ocorrência. “Não há informação sobre nenhum espancamento de vítima. Eles [policiais da segunda equipe] chegaram depois e participaram tão somente do socorro da segunda pessoa baleada”, afirmou.

“Pessoalmente, fico triste com a notícia porque são companheiros e estavam trabalhando. Mas, infelizmente, a vida de um policial militar está sujeita a isso. Nós torcemos para que toda a verdade venha à tona, mas a PM não acoberta nenhuma ação indevida”, concluiu. Além do inquérito policial, a PM também instaurou um inquérito administrativo para apurar os fatos.

Ônibus foi incendiado na Zona Norte da capital paulista (Foto: Edison Temoteo/Estadão Conteúdo)Ônibus foi incendiado na Zona Norte da capital paulista (Foto: Edison Temoteo/Estadão Conteúdo)