BESSA GRILL
Início » Cidades » Record erra ao tentar redimir Guilherme de Pádua, assassino confesso, em rede nacional

Record erra ao tentar redimir Guilherme de Pádua, assassino confesso, em rede nacional

Liberdade de imprensa é princípio fundamental para que seja feito bom jornalismo.

10/12/2012 06:54

Guilherme de Pádua: entrevista na Record

Liberdade de imprensa é princípio fundamental para que seja feito bom jornalismo. Mas é preciso fazer uso bem arrazoado dela. Levada ao ar sem grande alarde, a entrevista com Guilherme de Pádua, assassino confesso da atriz Daniela Perez, no “Domingo Espetacular” traz em si um questionamento inevitável acerca da utilização deste recurso. Durante cerca de 42 minutos, o que se viu no ar foi uma tentativa de – pondo numa analogia simples – transformar bandido em mocinho.

O ex-ator e atual missionário evangélico deu sua versão para um crime já esclarecido e fez insinuações passados vinte anos sobre o caso. Afirmando não querer sofrer um processo, Pádua diz que algumas pessoas não querem ter “a intimidade” exposta. Chama atenção, no entanto, que ele tenha feito isso trazendo de volta à lembrança dos brasileiros um homicídio terrível como este. Dando uma versão que contradizia o julgamento, o entrevistado tentou reconstituir o crime pondo-se na posição de um coitado. Queixou-se de que sofreu muito e levou “até cuspida na cara”. Afirmou que já cumpriu tudo o que deveria à Justiça. Esqueceu-se apenas de uma coisa: o passado não se apaga. A dor de Gloria Perez não diminuirá. Daniela Perez não vai voltar.

O que se viu no “Domingo Espetacular” foi uma maneira absolutamente equivocada de lembrar um acontecimento que chocou um país. A dor de uma mãe e do marido na época, o suposto sofrimento de um filho de dois condenados à prisão – hoje com 19 anos -, todas essas facetas foram ignoradas. Raul Gazolla e Gloria Perez não foram ouvidos. Apenas a outra ré no processo, Paula Thomás, foi procurada – à revelia, diga-se. Pareceu tudo uma grande tentativa de tentar redimir um assassino confesso. Soou como uma jogada barata por audiência, da qual Ratinho, que tentou há dois anos usar do mesmo expediente, deve arrepender-se até hoje. Para pedir perdão ninguém precisa aparecer em rede nacional. Sensacionalismo desnecessário.

A Justiça já falou. Não há mais nada para ser esclarecido. Tudo o que Guilherme de Pádua poderia dizer à imprensa foi dito antes de seu julgamento. Tudo o que a Justiça teve de ouvir, já ouviu. Há que se respeitar a dor de Gloria Perez. Ela, sim, tem muito a dizer sobre crimes bárbaros e deve servir de exemplo a quem sofreu dores parecidas.

Do Ig