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Premiê japonês obtém ampla vitória nas eleições legislativas

Eleição é vista como referendo para testar aceitação à política econômica. Baixo comparecimento às urnas levanta dúvidas sobre o apoio a Abe.

14/12/2014 12:32

 

2014-12-14t144912z_848686267_gm1eace1rb701_rtrmadp_3_japan-electionPrimeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, concede coletiva de imprensa após sua vitória nas urnas, em Tóquio. (Foto: REUTERS/Issei Kato)

O partido conservador do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, obteve neste domingo (14) ampla vitória nas eleições legislativas antecipadas, vistas como um referendo para sua política econômica destinada a impulsionar a terceira potência mundial, atualmente em recessão.

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O baixo comparecimento às urnas, num domingo marcado por uma forte nevasca em todo o país, pode levantar dúvidas sobre o aval dado pela população japonesa ao plano econômico conhecido como “Abenomics”.

As pesquisas de boca de urna dão Partido Democrata Liberal (PDL) e a seu aliado Novo Komeito uma maioria de dois terços da câmara dos deputados. O canal de televisão estatal NHK informou que o partidode Abe teria obtido entre 275 e 306 dos 475 assentos em jogo e que o Novo Komeito teria entre 31 e 36 lugares.

A televisão Asahi divulgou que os dois partidos juntos obtiveram 333 vagas e a TBS traz o número de 328 lugares. Se o número de assentos obtidos pelo PLD superar os 295 obtidos na legislatura anterior, não haverá dúvidas de sua maioria política.

Segundo a NHK, o Partido Democrata do Japão (PDJ, centro-esquerda), a segunda maior coalizão do país, deve obter entre 61 e 87 lugares, muito abaixo dos 100 esperados.

“Esta vitória reforça o capital político de Abe e vai permitir que ele lide com assuntos mais espinhosos de forma mais cômoda”, disse Yoshinobu Yamamoto, professor de política da Universidade de Niigata.

Mais de 105 milhões de japoneses foram convocados às urnas em escolas, prefeituras e outros lugares públicos. Às 18h locais (7h de Brasília), a taxa de participação era de 34,98%, 6,79 pontos abaixo das eleições de dezembro de 2012, que já foi historicamente baixa.

Parar ou avançar
O chefe do governo, que percorreu cerca de 14 mil quilômetros para fazer campanha nas últimas duas semanas, garantiu que, com a antecipação das eleições, quis pedir a opinião da população sobre sua política “Abenomics”, inicialmente encarregada de recolocar a economia japonesa nos trilhos.

Quando foi colocada em prática, há dois anos, a estratégia deu num primeiro momento resultados positivos, como a queda do iene e uma recuperação dos preços, após anos de estancamento.

Mas o Japão entrou em recessão econômica no terceiro trimestre deste ano. “A taxa de desemprego caiu, os salários começaram a subir, vocês acham que temos que parar ou que devemos seguir?”, insistiu o premiê durante toda a campanha, quando defendeu a “Abenomics” como “único caminho”.

Os comícios não foram bem vistos pela oposição que, dividida, terá a difícil missão de fazer frente à supremacia política do PLD de Abe.

“A dissolução e a convocação de eleições antecipadas é camuflar um fracasso”, disse Banri Kaieda, chefe do Partido Democrático do Japão.

A questão está em saber se um novo governo de Abe poderá levar adiante as reformas estruturais prometidas por ele, mudanças difíceis mas consideradas indispensáveis para impulsionar uma recuperação sustentável da economia.

www.reporteriedoferreira.com Por IG