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Pouco antes de anunciar rompimento, Cunha cobrou do governo a exoneração de Janot

Cunha colocou como condição para não romper a exoneração de Janot.

17/07/2015 13:10

Na noite de ontem, já informado das novas denúncias contra ele, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reuniu-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o presidente nacional do seu partido, o vice-presidente da República Michel Temer.Eduardo-Cunha1

Irritadíssimo, Cunha comunicou a Temer e Renan que anunciaria hoje o rompimento definitivo com o governo.

Ele se disse perseguido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e afirmou ter “absoluta certeza” de que o governo e o PT estariam por trás das acusações do Ministério Público e da Polícia Federal.

Cunha colocou como condição para não romper a exoneração de Janot.

Ele chegou a lembrar a Lei Complementar número 75, de 1993, que dispôs sobre a criação do Ministério Público Federal. Em seu artigo 25, a lei autoriza que o procurador-geral seja exonerado por ofício da presidente da República, bastando o referendo do Senado Federal.

Outra hipótese de o presidente da Câmara recuar seria um compromisso da presidente Dilma Rousseff de que Janot não será reconduzido ao cargo.

O mandato do procurador-geral expira em setembro, e ele está candidato à nova indicação na lista tríplice a ser elaborada por eleição no Ministério Público Federal.

Temer respondeu a Cunha que seria impossível arrancar este compromisso da presidente. O argumento do vice-presidente da República, que é também coordenador político do governo, é de que se Dilma assim o fizer dará a Janot a condição de vítima e de herói injustiçado.

Assim, se ele encabeçar a lista tríplice enviada à presidente da República, será praticamente inevitável sua recondução.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, concordou com Eduardo Cunha de que Janot seria o centro da crise política atual. Ele próprio já disse isto à presidente Dilma, na expectativa de obter um sinal de que o procurador não seria reconduzido.

No seu último encontro com Dilma, quando a presidente pediu um maior apoio ao governo no Senado, Renan educadamente respondeu que não estava podendo agir. Usou o seguinte argumento: “Veja só, presidente, estou sendo investigado pelo procurador. Isso me tira margem de manobra.”

Dilma tem concordado tanto com Renan como com o próprio Eduardo Cunha de que as investigações da Lava Jato conduzidas por Janot são o foco da crise política. Mas a presidente tem afirmado que nada pode fazer. E que o Ministério Público também está acusando o PT de envolvimento.

O que Dilma não aceita são os argumentos de Cunha de que o governo está por trás de Janot. E ela, como Temer, acha que qualquer tentativa de afastar o procurador-geral seria uma forma de vitimizá-lo e jogar a opinião pública toda contra o governo.

Na reunião com Temer, Renan estava bem mais calmo do que Eduardo Cunha. E como nem o presidente do Senado e nem Michel Temer estivessem dispostos a anunciar o rompimento, o presidente da Câmara saiu dali mais irritado ainda. Foi quando pediu à sua assessoria para marcar a coletiva de imprensa para hoje às 11h.

Renan Calheiros estava com uma entrevista coletiva marcada para o mesmo horário, quando faria um balanço deste primeiro semestre de tramitação de projetos no Senado.

Diante do anúncio de Cunha, resolveu desmarcar sua entrevista, para não ficar a reboque do presidente da Câmara.

Temer, por sua vez, esperou a entrevista de Cunha para, logo depois, soltar a nota oficial do PMDB anunciando que o partido não segue o presidente da Câmara no rompimento.

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