BESSA GRILL
Início » Notícias » Polícia apura se traficantes mataram mais três além de seis jovens no RJ

Polícia apura se traficantes mataram mais três além de seis jovens no RJ

Entre os nove mortos estariam um pastor e um aspirante da Polícia Militar.

11/09/2012 09:34

A polícia investiga se outras três pessoas foram mortas a mando do chefe do tráfico de drogas da Favela da Chatuba, conhecido como Juninho Cagão, além dos seis adolescentes que estavam desaparecidos após um passeio ao Parque de Gericinó, em Mesquita, na Baixada Fluminense. De acordo com a polícia, entre eles estaria um pastor e um aspirante da Polícia Militar. Ainda segundo a polícia, há a hipótese de o PM ter sido torturado na área do parque pelo grupo criminoso.
Os seis jovens saíram de casa sábado (9), em Nilópolis, na Baixada Fluminense, para ir a uma cachoeira que fica próxima à Favela da Chatuba, em Mesquita, e também ao Campo de Gericinó, área militar do Exército Brasileiro. Os corpos foram encontrados nesta manhã com tiros e facadas em uma área perto da Via Dutra, em Jacutinga.

A polícia ainda está à procura de José Aldecir da Silva, que estaria caminhando com o pastor Alexandro Lima, também desaparecido. Os dois caminhavam no Parque de Gericinó, ambos ouvindo música, e as investigações apontam que eles não teriam seguido o pedido de traficantes de que saíssem do local. Há suspeitas de que, na ocasião, traficantes estivessem torturando um aspirante da PM.

Agentes da Polícia Civil apreenderam, na tarde desta segunda-feira (10), peças de roupas que podem ser dos seis adolescentes mortos: tênis, chinelos, um casaco, short, camiseta e uma almofada.
O delegado responsável pelas investigações do caso, Julio da Silva, da 53ª DP (Mesquita), vai convocar parentes das vítimas para fazer um reconhecimento das roupas, as peças estavam sujas de terra e foram apreendidas na localidade da Biquinha, que é um dos caminhos para a cachoeira onde os adolescentes foram tomar banho no sábado (8), quando desapareceram. No local, os agentes também encontraram cápsulas de fuzil.

Nesta segunda-feira (10), o delegado ouviu cerca de dez pessoas sobre o caso. Ainda de acordo com ele, a polícia ainda não descarta a hipótese de que os jovens podem ter sido mortos devido a música de que um deles estaria ouvindo que faria apologia a uma facção criminosa rival dos traficantes.
O delegado comentou ainda que é uma rivalidade antiga que existe entre traficantes do Cabral, que é região onde os jovens moravam em Nilópolis, e do morro da Chatuba, em Mesquita.
O irmão mais velho de Patrick Machado, de 16 anos, um dos seis jovens assassinados no sábado, no Parque de Gericinó, afirmou que os adolescentes foram confundidos com traficantes rivais aos da Favela da Chatuba.

“Pegaram os garotos pensando que eram ‘os alemão’ (sic) invadindo a Chatuba”, contou o irmão.
“A gente foi até a Chatuba desenrolar com o gerente da boca de fumo da favela. Ele disse que os meninos foram confundidos com traficantes”, contou o irmão, que não quis se identificar. Ele disse que, na hora, não sentiu medo, e só queria saber onde estava o irmão menor. “Meu irmão estava sumido para o lado de lá, perto da favela. Então, eu fui buscar meu irmão”, contou ele, que disse ter ido à Chatuba acompanhado de parentes dos outros jovens, e que não sofreu ameaças ou represálias dos traficantes. “Eles (os traficantes) não queriam ver a polícia invadindo a Chatuba”, explicou o irmão.
No sábado (8), os seis jovens saíram de casa, em Nilópolis, Baixada Fluminense, para ir a uma cachoeira no Parque de Gericinó. Os corpos dos rapazes foram encontrados na manhã desta segunda-feira (10), por três pedreiros que realizam a ampliação da Rodovia Presidente Dutra, em Jacutinga, Mesquita, também na Baixada.
Dentro do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, uma parente de Glauber Siqueira, de 17 anos, outro dos jovens mortos, não quis dar entrevista, mas disse que os seis eram muito amigos: “Eles eram como irmãos”, limitou-se a dizer, com os olhos cheios de lágrimas.

O coordenador do programa Segundo Tempo, no bairro Cabral, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, confirmou que os seis meninos eram muito amigos. “Eram tranquilos. Os seis garotos participavam de tudo, de todas as atividades do projeto. Adoravam principalmente jogar futebol”, contou o coordenador, que preferiu não se identificar. O Segundo Tempo é um projeto do Ministério dos Esportes voltado para crianças, adolescentes e jovens expostos a riscos sociais.

Entretanto, o coordenador afirmou que a cachoeira onde os meninos estavam era uma área perigosa. “O único problema é que eles foram para uma cachoeira de outra área, que eles entraram, e não era para ter entrado”, disse ele. “A cachoeira fica em Mesquita, mas você entra por dentro de Nilópolis”, complementou o coordenador.


Dois presos

A polícia prendeu, na tarde desta segunda-feira (10), dois homens durante operação que busca os assassinos dos seis jovens mortos no Parque de Gericinó. Segundo policiais da 53ª DP (Mesquita), os suspeitos, identificados como Romário Aguiar Vieira, de 18 anos, e Henrique José de Oliveira, de 32 anos, estavam com papelotes de cocaína, mas a quantidade não foi revelada.
A prisão foi feita por homens do Batalhão de Choque (BPChoque) da Polícia Militar. De acordo com os policiais, até as 16h não havia confiirmação de que os dois suspeitos tenham relação com a chacina dos seis rapazes.
A operação policial está sendo realizada no Parque de Gericinó, próximo à Favela da Chatuba, em Mesquita. A ação vai apurar ainda a denúncia de que outras pessoas desaparecidas estariam em poder dos traficantes.

Os jovens mortos tinham ido a uma cachoeira no parque. Segundo a delegada Sandra Ornellas, da 57ª DP (Nilópolis), onde inicialmente o caso foi registrado, os bandidos que estão fazendo vítimas na região devem ser da Favela do Chapadão, na Pavuna, no subúrbio do Rio, e teriam deixado a comunidade após a ocupação da polícia.
Música em celular
Segundo informações do RJTV, os jovens moravam numa comunidade dominada por traficantes de uma facção rival à da área da cachoeira e a polícia investiga se um dos celulares dos jovens tivesse com uma música que fizesse referência à outra facção.
Sandra informou também que há indícios de que, antes de os corpos serem deixados no local onde foram encontrados, eles teriam sido enterrados em outro lugar. A perícia teria encontrado areia sobre a pele das vítimas, identificadas pela Polícia Civil como Christian Vieira, de 19 anos; Victor Hugo Costa, Douglas Ribeiro e Glauber Siqueira, de 17; e Josias Searles e Patrick Machado, de 16.
Os corpos dos jovens estavam lado a lado, enrolados em lençóis, nus, amordaçados e com sinais de facadas e marcas de tiro, na Rua Dona Delfina Borges. Eles foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) do Rio para reconhecimento.

 

G1.