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Polêmica na vida e na morte: críticos comemoram falecimento de Thatcher

9/04/2013 00:00

 

 

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Manifestantes celebram morte com champanhe na George Square, em Glasgow DAVID MOIR / REUTERS

LONDRES – Nem todos os britânicos choram a morte da ex-premier Margaret Thatcher: enquanto alguns elogiam seus anos à frente do poder, outros comemoram sua morte. Quase 200 mil pessoas já haviam curtido a página “SIM, Margaret Thatcher está morta” até o início da tarde desta segunda-feira. O site convida os internautas a usarem a hashtag#nowthatchersdead no Twitter para saber como vão celebrar a data. Em Glasglow – maior cidade da Escócia e a terceira mais populosa do Reino Unido – um grupo de internautas está organizando uma festa para esta noite na George Square.

Na rede social, cada um conta como vai celebrar a seu jeito. A hashtag acabou causando confusão entre fãs da cantora Cher que, na pressa, leram now-that-cher-is-dead (agora que Cher morreu).

Controversa em vida, não seria diferente em sua morte. “Esta mulher não vai voltar”, diz o site, num jogo de palavras com uma frase da própria Thatcher que certa vez disse: “Essa mulher não vai mudar.” Na época, a então premier respondia assim a membros de seu próprio partido, que pediam que moderasse suas políticas.

Entre os políticos, a notícia foi lastimada. Assim que recebeu a informação sobre a morte de Thatcher, David Cameron usou o Twitter para expressar seus pêsames. O premier britânico, que estava em Madri, decidiu retornar imediatamente a Londres e suspender sua viagem pela Europa.

De acordo com informações do Palácio de Buckingham, a rainha Elizabeth II afirmou ter recebido com “grande tristeza a notícia da morte da baronesa Thatcher” e disse que enviará uma mensagem privada à sua família. O ex-primeiro-ministro Tony Blair ressaltou o impacto global da Dama de Ferro. Segundo ele, as mudanças que ela promoveu no Reino Unido foram implementadas por vários outros países.

O presidente Barack Obama também exaltou o legado da líder britânica e lamentou a perda de uma “verdadeira amiga”. Ele disse ainda que Thatcher é um exemplo para as suas filhas, Malia e Sasha, por ser a primeira mulher a se tornar premier.

“Com a morte da baronesa Margaret Thatcher, o mundo perdeu um de seus maiores defensores da liberdade e os Estados Unidos perderam um verdadeiro amigo”, afirmou Obama em comunicado.

Sindicalistas reagem

Mas se para alguns, Thatcher modernizou o Reino Unido, para outros, cortou postos de trabalho e destruiu a indústria nacional. Ela privatizou empresas e se mostrou inflexível diante dos sindicatos e de uma longa greve dos mineiros.

“É a melhor notícia do ano”, reagiu um ex-mineiro no Facebook. “Onde será a festa”, perguntavam outros. Uma garrafa de leite foi posta diante de sua casa, numa referência à sua decisão de acabar com a entrega de leite gratuita a crianças matriculadas no ensino básico, quando era ministra da Educação. Chegou a ser apelidada de “a ladra de leite”.

Alguns sindicalistas avisaram no Twitter que estão indo para os bares celebrarem. Outros falam em folhetos que circularam na semana passada marcando uma festa para Trafalgar Square para o primeiro sábado após a morte da ex-premier.

“Ela queria acabar com os sindicatos, com o movimento da classe operária. Não conseguiu acabar conosco, mas essa era a sua meta”, disse Judith Orr, editora do jornal de esquerda “Socialist Worker”. “Estou contente em perdê-la de vista.”

IG