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PMs ficarão presos durante investigação da morte de jovens

1/04/2013 11:05

Os oito policiais militares que foram presos administrativamente neste fim de semana por suspeita de envolvimento na execução de dois adolescentes, na região do Brás, no Centro de São Paulo, ficarão detidos durante as investigações. Reportagem do Fantástico deste domingo (31) mostra o assassinato e a presença de um veículo da polícia estacionado próximo à cena do crime, ocorrido no dia 16 de março.

Caso fique comprovada a participação ou a conivência dos policiais no assassinato, eles responderão pelo mesmo crime que os atiradores. As imagens foram registradas por câmeras de segurança e estão com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga a participação de policiais militares nos assassinatos.

Em nota, a Polícia Militar de São Paulo informou que “adotou providências para apurar as circunstâncias da ocorrência” e que “oito policiais militares já foram presos administrativamente”.

As imagens mostram um adolescente e dois jovens conversando sentados em um degrau em uma rua quase deserta na madrugada do dia 16 de março. No vídeo, dois deles são assassinados por dois homens de moto.

Uma das vítimas tinha apenas 14 anos. Era filho de um catador de material reciclável, e era conhecido como Piauí. “Estava na hora errada, com a pessoa errada. Executaram ele na hora. Não deram tempo de ele respirar”, afirma o pai.

Disparos
Os três rapazes conversavam bem embaixo das duas câmeras de segurança, que registraram tudo. Pelas imagens, é possível perceber que uma moto se aproxima e dois homens descem sem tirar os capacetes. Os jovens levantam os braços e se viram para a parede. Os homens apontam as armas e atiram várias vezes. Um dos rapazes foge. Sai correndo sozinho.

Com as duas vítimas já caídas no chão, os atiradores disparam de novo, voltam calmamente para a moto e partem. Seis segundos depois, a imagem mostra a passagem do carro de polícia.

Uma outra câmera gravou a rua a partir de outro ângulo e mostra o veículo da corporação na esquina, a cerca de 50 metros do fato no momento dos disparos. Enquanto os assassinos atiravam, o carro dos policiais estava de frente para a cena do crime.

A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elizabeth Sato, afirma que a cena denota omissão dos policiais. “Essa cena é bastante impressionante porque denota ao menos uma omissão por parte dos policiais, que poderiam ter agido no sentido de tentar impedir que essas duas pessoas fossem mortas”, afirma.

Oito minutos depois dos tiros, policiais isolaram a cena do crime. No boletim de ocorrência, registrado às 2h11, os policiais relataram que encontraram os corpos no chão. Não há informação sobre perseguição aos atiradores.

Para a polícia, o local do crime é um conhecido ponto de venda e uso de drogas. Mas, segundo a família, o garoto Piuí não era usuário. “Que eu saiba não, ele não usava droga. Só se usava fora, aqui dentro de casa nunca usou, nunca peguei ele com nada”, diz o pai.

Segundo o registro policial, no corpo de Piuí havia seis marcas de tiros. Na outra vítima, que tinha 18 anos, eram 12 perfurações. A polícia não divulgou o nome do rapaz. O terceiro jovem, que conseguiu escapar, ainda não foi identificado.

Investigação
Com base nas imagens das câmeras de segurança, o DHPP está investigando a participação de policiais militares nos assassinatos. “Computando o espaço de tempo entre uma imagem e outra, é fração de segundos. Então, daria a impressão que talvez essa viatura estivesse dando cobertura aos executores”, afirma Elizabeth Sato.

Os investigadores também trabalham com o relato de uma testemunha que estava ao telefone com o adolescente na hora do crime. A pessoa disse ter ouvido a frase: “Parado, mão para cima, que é policia”.

Se ficar comprovado o envolvimento dos policiais que estavam no carro, eles responderão pelo mesmo crime dos dois atiradores: homicídio.

G1