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ONG afirma que gratuitade de estudantes seria paga por passageiros

No sistema atual, o estudante só paga meia-passagem, que equivale a apenas R$ 1,35. E o preço da tarifa inteira, de R$ 2,70 (paga pelos demais passageiros) só está nesse valor porque o ônus da outra meia-passagem do estudante é transferida para estes outros passageiros pagarem, pois os governos não subsidiam.

16/07/2015 16:41

Em meio à polêmica gerada pelo aumento de preço das passagens de ônibus de João Pessoa para R$ 2,70, ocorrido na última segunda-feira, 13, a ONG “Educar para o Trânsito, Educar para a Vida” (Etev), encaminhou ao ParlamentoPB um manifesto no qual critica a busca dos estudantes pelo acesso à gratuitade nos transportes coletivos. Segundo o texto, os alunos, que atualmente pagam meia passagem (R$ 1,35), estariam querendo empurrar o preço do benefício para os demais passageiros. LN5RR-1

“Ficamos surpresos e entendermos ser preocupante a reivindicação estudantil (que em João Pessoa só paga a meia-passagem de R$ 1,35) em favor do Passe Livre, sem fazer uma pergunta elementar: quem vai pagar a conta?”, indaga o manifesto divulgado pela ONG. Confira-o, na íntegra, a seguir:

Estudante só paga R$ 1,35, mas quer Passe Livre!
Quem vai bancar?!… O passageiro?…

Esta Ong, a ETEV (Educar para o Trânsito, Educar para a Vida), tem, em sua caminhada, propugnado para que o trânsito de nossas cidades corresponda a um sistema que privilegie principalmente as pessoas, ou seja, que esteja em sintonia com a própria lei da mobilidade urbana.

Em função disto, também está implícita a nossa preocupação para que as cidades priorizem o transporte coletivo, propiciando a esse serviço corredores e/ou faixas exclusivas para os ônibus, a fim de que estes veículos possam realizar suas viagens sem os atrasos prejudiciais a todos.

Por isto, nesta nossa caminhada também emitimos opiniões buscando a racionalidade dos serviços do transporte coletivo, que, para serem satisfatórios, precisam de equilíbrio econômico-financeiro. Daí, ficarmos surpresos e entendermos ser preocupante a reivindicação estudantil (que em João Pessoa só paga a meia-passagem de R$ 1,35) em favor do Passe Livre, sem fazer uma pergunta elementar: quem vai pagar a conta?

Estudante só paga R$ 1,35

No sistema atual, o estudante só paga meia-passagem, que equivale a apenas R$ 1,35. E o preço da tarifa inteira, de R$ 2,70 (paga pelos demais passageiros) só está nesse valor porque o ônus da outra meia-passagem do estudante é transferida para estes outros passageiros pagarem, pois os governos não subsidiam. Então, é preciso que o próprio estudante entenda – e como estudante deve assim entender – que os preços do transporte coletivo urbano, por este Brasil afora, são onerados porque os passageiros são os que têm assumido os ônus dos benefícios concedidos pelos governos, como o da meia-passagem estudantil e até do Passe Livre (gratuidade) de vários segmentos sociais, porque os governos não subsidiam tais benefícios.

Tarifa média de R$ 2,80

A tarifa média cobrada aos passageiros nas capitais brasileiras está em R$ 2,80. E utilizamos o termo “cobrada” porque há capitais (como São Paulo, Curitiba e Brasília) em que os governos subsidiam as passagens. Esse preço médio de R$ 2,80 poderia ser bem menor se todos os passageiros pagassem igualmente ou se os governos bancassem as meias-passagens e/ou gratuidades concedidas por lei.

Poderia ser R$ 2,10

Nessa hipótese de que todos pagassem igualmente e os governos bancassem os benefícios concedidos, esse preço médio de R$ 2,80 cairia para R$ 2,10. E é fácil explicar: na média brasileira, em cada 20 passageiros, pelo menos 6 são estudantes e 2 são de gratuidade total (passe livre). Somente 12 dos passageiros pagam a tarifa inteira.

Neste caso de todos pagarem igualmente, o resultado financeiro de 20 passageiros a R$ 2,10 correspondem a R$ 42,00. No entanto, no caso real, atual, em que só 12 pagariam a passagem inteira de R$ 2,10 (subtotal de R$ 25,20), 6 estudantes pagariam a meia-passagem de R$ 1,05 (subtotal de R$ 6,30) e 2 de Passe Livre não pagam nada, a arrecadação ficaria apenas em R$ 31,50, havendo um déficit de R$ 10,50.

Por conseqüência, para arrecadar aqueles mesmos R$ 42,00 do custo total pelo transporte de 20 passageiros, a tarifa passa para R$ 2,80 porque só 12 vão pagar esse valor unitário de R$ 2,80 (subtotal de R$ 33,60), 6 estudantes vão pagar a meia-passagem de R$ 1,40 (subtotal de R$ 8,40), para totalizar os mesmos R$ 42,00 do custo real dos serviços. Obviamente os 2 passageiros de Passe Livre continuam sem nada pagar.

Por que só os ônibus?

Esta Ong, a ETEV, que tem preocupações e propugna por ações que melhore a vida das pessoas, especialmente no campo da mobilidade urbana, sente-se no dever de manifestar estas considerações porque, também, percebe que equivocadamente alguns segmentos sociais só se mobilizam quando o assunto é o reajuste da passagem dos ônibus. Tudo tem aumentado de preço e, como já em outra oportunidade indicamos, até o pãozinho já se elevou de preço este ano em 10%. A energia elétrica… esta nem se fala!… Mas não há nem houve mobilizações para reclamar dos aumentos de preço nesses setores. Só se reclama quando do reajuste da passagem do ônibus, esquecendo-se de que todos os insumos e a mão de obra deste segmento também tiveram aumentos significativos. Parece haver, por parte desses segmentos sócio-estudantis, uma pré-indisposição ou predisposição de má querência para com o setor empresarial, principalmente o de transporte coletivo.

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