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Nível do Rio Negro subiu mais de oito metros desde novembro, em Manaus

25/02/2013 01:10

Rio Negro na área do bairro Educandos, Zona Sul de Manaus (Foto: Tiago Melo/G1 AM)Rio Negro tem subido em Manaus por influência do Rio Solimões (Foto: Tiago Melo/G1 AM)

Após a ocorrência do fenômeno ‘repiquete’, que é a descida no nível das águas em pleno período de cheia dos rios, desde novembro do ano passado, o nível do Rio Negro registra elevação. Dados do Porto de Manaus apontam uma subida de mais de oito metros. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) aponta uma desaceleração normal. O ritmo de subida das águas deve acelerar a partir de março.

No dia 28 de novembro, o Rio Negro voltou a apresentar elevação das águas com cota de 15,96 metros. Nos meses seguintes, o aumento da cota variou diariamente entre 4cm e 16cm. Na medição de sexta-feira (22), o Rio Negro atingiu cota de 24,10 metros. O acumulado do período atinge 8,14 metros, conforme dados do Porto de Manaus. O nível atual da cota histórica foi de 29,97 metros registrada em maio de 2012.

Já para atingir a cota de alerta de 28,94 metros é necessário que o nível do Rio negro suba mais 4,84 metros, o que poderia gerar enchentes em bairros de Manaus, causando transtornos semelhantes aos enfrentados pela população no ano de 2012. O monitoramento do Rio Negro feito pelo CPRM mostra que as maiores cheias no trecho de Manaus ocorreram nos meses de junho e julho.

O engenheiro hidrólogo do CPRM, André Santos, explicou que a subida do nível do Rio Negro foi mais rápida nos últimos meses de dezembro e janeiro, desacelerando ao longo deste mês num efeito de subida lenta.

Águas do rio Negro invadiram terminal de ônibus, no Centro de Manaus (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1)Se a cota de alerta for alcançada enchentes poderão
ocorrer novamente (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1)

Segundo o especialista, essa subida não tem como principal influência a Bacia Hidrográfica do próprio Rio Negro. “O Rio Negro não sobe em Manaus por conta da água que vem da bacia hidrográfica, sobe porque as águas dele não conseguem passar no ‘Encontro das Águas’ devido o efeito de barreira gerado pelas águas do Rio Solimões”, esclareceu André Santos.

Embora diariamente seja registrado aumento da cota, o especialista afirmou que dentro do ciclo hidrológico do rio de subida e descida das águas, o período agora é de menor volume das águas. A previsão que esse ciclo seja revertido nos próximos meses.

“Em termos de volume de água descendo por segundo, estamos na época em que o Rio Negro está ‘mandando’ menos água. Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o volume na bacia hidrográfica está diminuindo. O que intriga é que se o Rio Negro está mandando pouca água, por quê está subindo a régua no Porto de Manaus? Ocorre isso por conta do Solimões, que não consegue passar e fica enchendo. Somente a partir de março e abril é que o volume de águas despejadas vindas da bacia do Rio Negro será maior. O contrário vai se suceder no Solimões que agora está em subida”, afirmou o hidrólogo.

O Serviço Geológico do Brasil frisou que, neste momento, não há previsão se haverá cheias extremas. No fim de abril, os especialistas do CPRM iniciarão as previsões com a quantidade de dados necessários para análise.

 

G1