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Mundo, Comandante do Exército anuncia golpe de Estado na Tailândia

22/05/2014 10:32

O comandante do Exército da Tailândia anunciou golpe de Estado nesta quinta-feira (22), dizendo que a ação foi necessária para restaurar a estabilidade e a ordem após seis meses de impasse político e tumulto.

AP

Chefe do Exército tailandês, general Prayuth Chan-Ocha, à dir., ao lado do chefe da Marinha, Narong Pipatthanasant, à esq., em reunião na Tailândia (20/05)

 

O general Prayuth Chan-ocha afirmou, por meio de comunicado transmitido na em rede nacional, que após imposição da lei marcial na terça, a comissão assumiria o controle da administração do país.

“É necessário para manter a paz e manter a ordem de Comando – que inclui Exército, Marinha, forças armadas e a polícia – assumir o controle de governar o país”, disse Prayuth, ladeado pelos chefes das forças armadas.

Após decretar a lei marcial, os militares convocaram líderes políticos rivais do país para negociações cara-a-cara. Mas dois dias depois, nenhum acordo foi firmado para quebrar o impasse. Pouco antes do anúncio ser feito, os soldados armados em veículos militares cercaram a instalação onde os políticos estavam reunidos, aparentemente para bloquear a saída dos grupos.

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Muitas das figuras de maior destaque do país foram convocadas para uma reunião. Entre eles o primeiro-ministro interino – que enviou quatro ministros em seu lugar – o líder anti-governo Suthep Thaugsuban e seu rival do grupo pró-governo camisa vermelha, Jatuporn Prompan. Repórteres na reunião disseram que Suthep e Jatuporn foram escoltados para fora da reunião por soldados.

O funcionário do governo, Paradorn Pattanathabutr, contatado logo após o anúncio, disse que os quatro ministros presentes na reunião ainda estavam sob o poder dos militares.

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Soldado faz ronda em Bangcoc para impedir protestos na Tailândia (20/05). Foto: AP
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“O resto de nós ainda está bem e em locais seguros. No entanto, a situação é muito preocupante. Nós temos que acompanhar de perto. Não sei o que mais pode acontecer”, disse ele.

O golpe de Estado anunciado nesta quinta foi o 12 º desde o fim da monarquia absoluta do país, que terminou em 1932. Os militares foram amplamente vistos como simpáticos aos manifestantes que procuram derrubar o atual governo.

“Nós pedimos que o povo não entre em pânico e continue suas vidas normalmente”, disse Prayuth. “E os funcionários públicos permaneçam em cada ministério, cumpram suas responsabilidades normalmente.”

A Tailândia tem sido tomada por crises de instabilidade política há mais de sete anos. A agitação mais recente no país começou em novembro, quando os manifestantes tomaram as ruas para tentar forçar a primeira-ministra Yingluck Shinawatra a renunciar. Eles a acusaram de substituir seu irmão bilionário, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em um golpe militar de 2006 e agora vive em exílio auto-imposto para evitar uma sentença de prisão por corrupção.

O chefe do Exército disse que os militares tem como meta também “fornecer proteção” para os estrangeiros na Tailândia. Prayuth invocou os poderes ampliados aos militares na terça e emitiu mais de uma dezena de decretos que incluíam amplos poderes de censura sobre os meios de comunicação, Internet e ameaças vagamente definidas sobre processar adversários.

O militar insistiu que a ação não era um golpe, mas sim uma prevenção contra a violência e uma forma de restaurar a estabilidade no país profundamente dividido. Mas Prayuth forneceu pouca clareza sobre o caminho a ser trilhado daqui para a frente, em meio a especulações, tanto nacionais quanto internacionais, de que a declaração da lei marcial foi o prelúdio de um golpe.

*Com AP