BESSA GRILL
Início » Internacionais » Maduro quer prisão imediata de comerciantes que remarcarem preços

Maduro quer prisão imediata de comerciantes que remarcarem preços

30/11/2013 00:01

Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fala em rede nacional no palácio presidencial de Miraflores em Caracas nesta sexta-feira (29) (Foto: Juan Barreto/ AFP)Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fala em rede nacional no palácio presidencial de Miraflores em Caracas nesta sexta-feira (29) (Foto: Juan Barreto/ AFP)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a detenção imediata dos comerciantes que reincidirem no aumento de preços, em pronunciamento em rede nacional de televisão, nesta sexta-feira (29), a nove dias das eleições municipais.

“Em todas as inspeções que forem feitas – e que se mostre amplamente que houve remarcações de preços – (…) atue-se com toda a severidade da lei e, por serem crimes em flagrante, proceda-se imediatamente à detenção dos responsáveis”, pediu Maduro a militares, milícias e órgãos de Justiça, encarregados de monitorar os estabelecimentos comerciais.

Nesta sexta, o presidente anuncia o segundo pacote de medidas dentro do que o governo define como uma “guerra econômica contra a burguesia parasita e o imperialismo”. Este mês, Maduro recebeu do Congresso poderes especiais para governar por decreto durante um ano em temas de economia e luta contra a corrupção.

“Vamos com tudo. Vamos com medidas mais fortes ainda de autoridade”, advertiu o presidente venezuelano.

No pronunciamento na televisão, Maduro também anunciou um decreto para regular e forçar a redução dos lucros dos estabelecimentos comerciais.

Há três semanas, o governo antecipa disposições para intervir no comércio. As lojas estão sendo protegidas por tropas federais e obrigadas a promover uma queda dos preços.

Na semana passada, o presidente assinou as primeiras disposições destinadas a impor limites às margens de lucro no varejo e para a criação de um registro estatal de pequenas e médias empresas.

Na quinta-feira, a entidade empresarial Fedecámaras disse esperar que as novas medidas garantam a propriedade privada e o acesso a divisas para aumentar a produção e frear a escassez e a inflação no país, detentor das maiores reservas de petróleo do mundo.

“A Venezuela espera aumentar a produção das empresas públicas, (…) garantir o acesso do setor privado às divisas, tornar oportunos os ajustes de preços que normalmente discute com os empresários (…), respeito à propriedade privada”, disse o presidente da entidade, Jorge Roig.

No início de sua mensagem no salão Néstor Kirchner do Palácio de Miraflores, Maduro respondeu a Fedecámaras, acusando-a de ‘golpista’.

“É a mesma Fedecámaras de sempre, que durante um século esteve no poder e saqueou este país (…) Fedecámaras que liderou o golpe de Estado contra o comandante Hugo Chávez em abril de 2002”, lançou o chefe de Estado.

Tabelamento de preços
Nicolás Maduro também decretoua redução dos preços dos aluguéis de lojas e outros pontos comerciais em todo o país, e proibiu sua cobrança em dólar.

‘Decidi sacar um decreto especial de controle e regulamentação dos aluguéis do comércio em todo o país e publicar hoje (sexta-feira) no diário oficial, para ser cumprido em todo território nacional’, revelou Maduro.

Entre outras coisas, o decreto estabelece que o aluguel de qualquer estabelecimento comercial “não poderá exceder os 250 bolívares (40 dólares no câmbio oficial) por metro quadrado”.

Maduro lembrou ainda que “está proibido pela Constituição a cobrança de aluguel com moeda estrangeira”.
G1