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Justiça manda liberar estradas, mas ainda há bloqueios nesta quinta-feira

Decisões valem para as rodovias federais e foram pleiteadas pelo governo. Caminhoneiros protestam contra aumento do diesel e valor do frete.

27/02/2015 06:48

 

A Justiça determinou a liberação das rodovias federais em 11 estados, mas caminhoneiros ainda mantêm bloqueios em seis deles nesta quinta-feira (26): Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Um levantamento divulgado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, às 23h, incluiu três estradas na Bahia na lista. No Rio de Janeiro, há protestos, mas sem vias interditadas.

 A categoria critica o aumento do preço do litro do óleo diesel e o valor pago pelos frentes, que considera baixo. (Veja abaixo a situação em cada estado e aquios pontos de bloqueio)

A categoria critica o aumento do preço do litro do óleo diesel e o valor pago pelos frentes, que considera baixo.
(Veja abaixo a situação em cada estado e aquios pontos de bloqueio)

Sindicatos e associações aceitaram a proposta do governo nesta quarta-feira (25) para acabar com os bloqueios. Entre os pontos do acordo, está a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, que regulamenta a profissão de motorista, e o compromisso da Petrobras de que o diesel não sofrerá reajuste nos próximos seis meses.

Entretanto, o acordo não contou com o apoio deIvar Luiz Schmidt, que se diz representante do Comando Nacional do Transporte. Segundo ele, o CNT é responsável por cerca de 100 bloqueios nas estradas.

Como a liderança do movimento não é centralizada, há manifestantes que continuam parados alegando que não foram notificados ou que o grupo que negociou com o governo não tem legitimidade.

O governo, que intermedia as negociações, marcou uma nova reunião entre caminhoneiros e empresários para o dia 10 de março. O encontro servirá para que as duas partes cheguem a um acordo sobre uma tabela que calculará os novos preços dos fretes.

Reação do governo
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta que a proposta do governo teve “boa recepção” da categoria, apesar da continuidade dos bloqueios em alguns estados. “Esse conjunto de propostas foi divulgado, e a gente tem visto que elas têm tido uma boa recepção [dos caminhoneiros]. Agora, aguardamos.”

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta tarde que boa parte dos caminhoneiros voltou ao trabalho e que a lei precisa ser cumprida. Segundo ele, multas de trânsito ajudarão a identificar quem está descumprindo a ordem de desbloquear rodovias.

Os juízes fixaram multas que variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar as pistas. Cardozo afirmou ainda que a Polícia Federal vai investigar supostos crimes ocorridos durante os protestos.

Decisões judiciais
Divulgadas entre terça e quarta-feira, decisões judiciais impedem os motoristas de fecharem todas as rodovias federais de Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo eCeará, e em 14 municípios de outros cinco estados – Paraná, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Como as determinações se referem apenas às rodovias federais, em alguns estados os caminhoneiros têm mantido fechados trechos de estradas estaduais.

VEJA COMO ESTÁ A SITUAÇÃO EM CADA ESTADO ÀS 20H:

protesto_218Caminhoneiros fazem bloqueio na na BR-116
(Foto: Neurisberg Maia/Arquivo Pessoal)

CE
Caminhoneiros ocupam novo trecho da BR-116 nesta quinta-feira (26), o km 213, em Limoeiro do Norte, onde estão parados mais de 40 caminhões. A PRF tenta negociar a liberação do trecho.

A rodovia havia sido liberada no fim da manhã após os motoristas serem notificados pela Justiça Federal no Ceará, que determinou a desobstrução da via. A interdição ocorria então perto do município de Eusébio.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF-CE), agentes foram encaminhados ao km 213, assim como oficiais de Justiça Federal, para notificar os caminhoneiros da ordem judicial. A PRF-CE pede que os motoristas evitem o local, usando as CE-40 e CE-35 como rotas alternativas.

Os caminhoneiros continuam com bloqueios nas rodovias catarinenses no nono dia de protestos no estado. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar Rodoviária (PMR), os manifestantes estavam em 22 pontos até as 10h desta quinta-feira (26).

Diumar Bueno, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) participou da reunião de negociação com o governo e recomenda que os motoristas de Santa Catarina voltem ao trabalho, mas diz que não sabe se isso vai acontecer. “Nós não temos condição de garantir isso [fim dos bloqueios], porque o movimento foi levantado de forma independente pelos caminhoneiros.”

Cirurgias foram canceladas em dois hospitais do oeste do estado por falta de medicamentos, que não chegaram devido à falta de transporte. Segundo o Sindicato dos Postos de Chapecó, também no oeste, falta gasolina em 90% dos postos de combustíveis da região. A coleta de leite foi suspensa e algumas indústrias pararam a produção.
trescachoeirasCaminhoneiros fazem paralisação na PR-218, em
Astorga (Foto: Ramon Rosa/Arquivo Pessoal)

PR
Na manhã desta quinta-feira, havia bloqueios em aproximadamente 60 trechos de rodovias federais e estaduais no Paraná. No dia anterior, a Justiça Federal proibiu a interdição de todas as rodovias federais na região de Curitiba.

Na maioria das vias, apenas os veículos de carga, com exceção dos com cargas vivas, são impedidos de seguir viagem. Para os automóveis, a liberação é feita a cada meia hora.

Com os veículos parados nas estradas, os protestos começam a refletir em vários setores da economia do estado. Os aeroportos de Cascavel e Foz do Iguaçu estão sem conbustível para as aeronaves.

Também falta combustível em várias cidades, além de alimentos e medicamentos. Indústrias e frigoríficos também tiveram que suspender as atividades por falta de matéria-prima e, em alguns casos, de embalagens.

Sem alternativas de desvio para seguir viagem, cargas de alimentos e insumos estão estragando em vários pontos de bloqueio nas estradas do sul do país. Fornecedores de frutas reclamam ainda de saques de cargas nas barreiras.

O porto de Paranaguá, principal terminal de exportação de produtos agrícolas do país, ficou praticamente vazio, e as exportações começaram a ficar comprometidas. Dos 1.600 caminhões previstos para descarregar na quarta, apenas 255 chegaram. Nesta quinta, até as 9h40, havia 28 veículos no pátio.

No oeste e no sudoeste do Paraná, indústrias suspenderam a coleta de leite e o abate de aves.

Em Umuarama, no noroeste do Paraná, a coleta de lixo comum foi suspensa. De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, os caminhões não conseguem descarregar o lixo coletado no aterro sanitário que fica na rodovia PR-480, pois o trecho está bloqueado.
Protesto reúne centenas de caminhoneiros
na BR-101, em Três Cachoeiras
protestonovocamin620x465_2(Foto: Roberta Salinet/RBS TV)

RS
Pelo quarto dia, o protesto da categoria bloqueiam rodovias federais e estaduais no Rio Grande do Sul. A proposta do governo para acabar com o movimento não agradou a liderança  da categoria no estado, que chamou o acordo de “fraude”.

Segundo levantamento das polícias rodoviárias, as interrupções ao trânsito afetam cerca de 40 rodovias estaduais e federais, em quase 70 trechos, na manhã desta quinta-feira (26).

Em Três Cachoeiras, no Litoral Norte do estado, a notificação para que os caminhoneiros liberem a BR-101 terminou em confusão. Parte dos motoristas não quis cumprir a decisão judicial determinando a desobstrução da rodovia e pelo menos uma pessoa foi presa.

Segundo a PRF, já há movimentação de para liberar o trecho, que chegou a reunir mais de 2 mil veículos parados.

A paralisação dos caminhoneiros já afeta diversos setores produtivos no estado. Indústrias de laticínios e frigoríficos, por exemplo, estão com produção reduzida por falta de matéria-prima e já contabilizam prejuízos. Caso a circulação de mercadorias não seja normalizada, os supermercados afirmam que podem faltar produtos nas prateleiras.

MT
Bloqueios prosseguem em 10 pontos de estradas federais do Mato Grosso, apesar da proibição determinada pela Justiça nesta quarta-feira (25). As interdições estão em trechos das BRs 163, 364 e 070.

Os caminhoneiros dizem que ainda não foram notificados da decisão da 3ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso e prometem continuar a interdição mesmo após a notificação.

“Se existir uma decisão, vamos resistir”, diz um dos líderes do movimento da região de Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, Gilson Baitaca. Ele alega que o representante da categoria que se reuniu com o governo federal na quarta-feira não tinha legitimidade para fechar um acordo.

Em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, na BR-163, onde começou o movimento no estado,caminhoneiros recebem ajuda de voluntários e de empresas.

Caso os bloqueios continuem, as 30 unidades de frigoríficos de bovinos com Serviço de Inspeção Federal (SIF) do estado podem paralisar suas atividades nesta semana. A paralisação dos caminhoneiros tem causado um prejuízo estimado de R$ 2,5 milhões por dia para o setor, segundo Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT).
BA

De acordo com levantamento divulgado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, às 23h havia três bloqueios na Bahia. Conseguimos confirmar dois pontos com paralisação: na BR-020 e na BR-242, ambos em Luís Eduardo Magalhães.

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