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“Gonzaga – De Pai Pra Filho” abre Festival do Rio com lágrimas e prestígio político

28/09/2012 12:00

Se o prestígio de um Festival de Cinema for o número de políticos presentes em sua abertura, o Fest Rio deu uma bela demonstração de força. Além da presença do secretário de cultura da prefeitura, Emilio Kalil, da secretária do audiovisual, Ana Paula Dourado Santana, e do diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, a 14ª edição do evento foi aberta nesta quinta-feira (27) com um discurso da nova ministra da cultura, Marta Suplicy.

“É enorme a satisfação que eu tenho de estar no Rio de Janeiro para abrir este festival, que é um dos cinco maiores festivais de cinema do mundo”, discursou a ministra. “E para falar sobre o audiovisual, que é um segmento estratégico para qualquer nação.”

Apesar disso, a grande atração da noite era o filme “Gonzaga – De Pai Pra Filho”, de Breno Silveira (“Dois Filhos de Francisco”). O longa é encarado como a grande esperança do cinema brasileiro de equilibrar o sucesso financeiro e crítico, algo que não aconteceu esse ano –em 2011, “O Palhaço”, de Selton Mello, também só apareceu no segundo semestre.

O público recebeu a produção com entusiasmo. Não é de se espantar. Os ingredientes são os mesmos do maior sucesso de Silveira. A história de Luiz Gonzaga (1912-1989) é de forte superação, como foi a da dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Tanto Seu Francisco, quanto Gonzagão (interpretado na maior parte do filme pelo músico Chambinho do Acordeon, uma grata surpresa) são homens duros por necessidade, mas nunca malvados ao ponto de afastar o espectador. As músicas tem raízes interioranas, populares.

Silveira conduz o drama do Rei do Baião e sua relação problemática com o filho que sempre rejeitou, Gonzaguinha (Julio Andrade), com a costumeira sensibilidade artística, sem cair em pieguices e emocionando. Em certo momento, o ator João Miguel rouba o filme como um “empresário” do interior de Pernambuco, acrescentando um alívio cômico que não havia nos longas anteriores do cineasta.

Mas “Gonzaga – De Pai Pra Filho” possui problemas. O início do filme é confuso, pulando entre linhas temporais sem muita explicação. A edição tenta agrupar como pode histórias tão ricas, mas é instável, correndo muito em alguns momentos em que deveria deixar a produção respirar. Passa a sensação que a trama fluirá melhor como minissérie, como deve acontecer ano que vem. Mas Nada que vá interromper o sucesso mais antecipado do cinema nacional em 2012.