BESSA GRILL
Início » Notícias » Família de madrasta quer herança de pai de Gil Rugai, diz advogado

Família de madrasta quer herança de pai de Gil Rugai, diz advogado

Mãe de Alessandra quer 50% dos R$ 22 milhões deixados por Luis Carlos. Júri de Gil Rugai entra em seu terceiro dia nesta quarta-feira, em SP.

20/02/2013 13:49

O advogado Ubirajara Mangini Pereira, contratado pela família de Alessandra Troitini e assistente da acusação no julgamento de Gil Rugai, afirmou nesta quarta-feira (20) que a família da vítima luta na Justiça pelo direito de receber 50% da herança deixada por seu companheiro, Luis Carlos Rugai. O casal foi assassinado em março de 2004. Gil, filho de Luis, é julgado desde segunda-feira (18), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, pelo crime. Ele nega que tenha matado o pai e a madrasta.

Segundo Pereira, outros advogados que defendem os interesses da mãe de Alessandra pleiteiam o direito que a vítima teria a metade da herança de Luis Rugai, avaliada em cerca de R$ 22 milhões. “Pela lei, Alessandra e Luis Carlos tinham uma união estável, ficaram juntos por dez anos, vivendo como marido e mulher. Diante disso, a família dela já faz parte do inventário da herança para ter metade deste valor, cerca de R$ 11 milhões”, disse o assistente da acusação.

A outra metade, segundo o advogado, seria dividida entre os dois filhos de Luis Carlos, Gil e Leonargo Rugai, já que Leonardo não julgou o irmão indigno de receber a herança, mesmo suspeito pelo crime. Na época do crime, Luis Carlos tinha 40 anos e Alessandra, 33.

“O direito é, por lei, de Alessandra. Como ela morreu, segundo a lei, quem tem direito são seus pais. No caso, a mãe de Alessandra, uma senhora viúva”, explicou Pereira.

O julgamento de Gil Rugai deve entrar em seu terceiro dia nesta quarta-feira. O recomeço dos trabalhos estava previsto para as 9h30, mas até as 9h50 não havia recomeçado. Neste terceiro dia, o júri vai continuar a ouvir as testemunhas arroladas pela defesa do réu. Por volta das 9h50, Gil já estava no plenário do júri. Ele driblou a imprensa nesta quarta e entrou por um outro acesso do Fórum da Barra Funda.

Ubirajara Pereira afirma que mãe de Alessandra tem direito a R$ 11 milhões da herança deixada por companheiro (Foto: Kleber Tomaz/G1)Pereira diz que mãe de Alessandra tem direito a
R$ 11 milhões da herança deixada pelo
companheiro (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Nesta terça-feira (19), o júri encerrou-se por volta das 21h30. Ao término deste segundo dia de julgamento, tanto acusação quanto a defesa de Gil Rugai deixaram o Fórum da Barra Funda comemorando os depoimentos prestados pelas testemunhas, duas de acusação e uma de defesa, nesta terça-feira.

No entender do promotor Rogério Leão Zagallo, os depoimentos do advogado Thiago Anastacio e do delegado Rodolfo Chiarelli, que presidiu o inquérito sobre o crime, contribuíram para apontar Gil Rugai como o autor dos assassinatos.

“A acusação sai hoje (terça-feira) extremamente feliz, uma vez que a primeira testemunha disse uma série de relações entre a vítima e o seu pai. E o delegado deixou claro que não havia nenhuma outra hipótese, possibilidade, de alguém, a não ser Gil Rugai, ter matado aquelas pessoas. Não existiu nenhum outro caminho que a investigação pudesse ter trilhado naquele momento” afirmou. A motivação para o crime, segundo o promotor, “foi a descoberta dos desfalques  dos cheques que o Gil Rugai andava aplicando na empresa” do pai dele.

A defesa, por sua vez, afirmou que a polícia “só viu um lado”. “A polícia só sabe dar explicações considerando Gil Rugai como suspeito. Quando se começa a se perguntar sobre outras possibilidades, não há explicação nenhuma”, afirmou o advogado Marcelo Feller. Para ele, os depoimentos foram favoráveis ao réu.

“A avaliação é excelente pela defesa. Acabaram de ser ouvidas todas as testemunhas de acusação. Por incrível que pareça, absolutamente todas elas favoreceram mais a defesa do que a acusação. Todas as falhas, todas as linhas que deixaram de ser investigadas, cada suspeito que deveria ter sido investigado e não foi”, concluiu.

Delegado
O depoimento mais longo dia foi o do delegado Rodolfo Chiarelli, que investigou o crime: começou às 13h30 e terminou às 19h15. Os advogados buscaram ressaltar que o policial não investigou pontos importantes do caso e não solicitou documentos que seriam importantes para elucidar a causa dos assassinatos. “Todas as provas incriminam o Gil Rugai”, afirmou Rodolfo Chiarelli.

Cronologia do caso Gil Rugai (Foto: Arte/G1)

O promotor Rogério Leão Zagallo se irritou com a forma como os dois advogados se dirigiam ao delegado e discutiu com os defensores. Este foi o segundo bate boca acalorado no dia.

Durante os questionamentos da defesa ao instrutor de voo Alberto Bazaia Neto, o promotor Rogério Leão Zagallo protestou, dizendo que a defesa estava insinuando que a família de Bazaia estava envolvida com o tráfico de drogas das Farc, grupo de guerrilheiros colombianos. Houve discussão entre advogados de defesa e de acusação. “Nojento, Nojento”, bradou o advogado Ubirajara Mangini, assistente da acusação, para Thiago Anastácio, defensor de Gil Rugai. “Nojento é o senhor”, respondeu Anastácio.

Perito
O último a ser ouvido nesta terça-feira foi o perito criminal Alberi Espindola. Convidado pelos advogados do réu, ele foi a primeira testemunha arrolada pela defesa. Por cerca de uma hora e meia, Espindola contestou o Instituto de Criminalística, apontando supostas falhas no procedimento dos peritos no caso.

Para o perito, por exemplo, a polícia tinha condições de recuperar as gravações de um sistema de segurança de um shopping no qual Gil Rugai teria ido no dia e na hora do crime. As imagens, que foram apagadas, serviriam de álibi para o réu. “Mesmo naquela época, seria possível recuperar essas imagens”, afirmou.

Tráfico
Pela manhã, após o depoimento do instrutor de voo, os advogados de defesa de Gil Rugai reclamaram do fato de a polícia não ter apurado com afinco uma possível ligação do tráfico de drogas com o crime.

O advogado Thiago Anastácio afirmou que Luis Rugai fazia aulas de voo em um aeródromo em Itu, no interior paulista, e que o local é ponto de entradas de drogas no Brasil. Luis fazia filmagens da aula e, consequentemente, do local onde ocorreria o tráfico de drogas.

O acusado Gil Rugai chega ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, para o segundo dia de seu julgamento, e volta a declarar inocência. Ele é suspeito de ter matado em 2004 o pai, Luiz Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitino. (Foto: Adriano Lima/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)Gil Rugai chega ao fórum nesta terça (Foto: Adriano
Lima/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

O promotor Rogério Leão Zagallo aproveitou o tema levantado pela defesa para questionar o policial sobre outras hipóteses na época do crime. Chiarelli respondeu que ninguém, entre os familiares de Gil ouvidos, apontou à época outra pessoa ou causa que indicassem outra linha de investigação para o crime.

O crime ocorreu em março de 2004. Durante as investigações, a polícia apontou apenas Gil Rugai como suspeito. Antes dos dois dias do julgamento, o réu negou ter sido o autor do duplo homicídio.

O advogado de defesa Macelo Feller também reforçou a hipótese de envolvimento de traficantes no crime e pediu investigações.

“Acredito que existem coisas importantes que aconteceram na época, como o próprio fato de ter tido aulas de voos em lugar bastante suspeito, um lugar que é citado pela CPI do Narcotráfico como um ponto de chegada e saída de drogas do Cartel de Cáli, o que causou espantos. Membros do Gaeco há anos têm essa informação”, disse.

O julgamento
Desde segunda até a noite desta terça-feira, foram ouvidas as cinco testemunhas de acusação e uma de defesa. A previsão do juiz Adilson Paukoski Simoni é que o julgamento termine até sexta-feira (22).

Caberá a sete jurados – cinco homens e duas mulheres, escolhidos por sorteio – decidirem, a partir das provas da acusação e da defesa, se Gil Rugai matou ou não pai, Luiz Carlos Rugai, e a madrasta Alessandra de Fátima Troitino. Além do homicídio, o réu também é acusado de estelionato.

O réu, que atualmente tem 29 anos de idade, responde ao processo em liberdade, mas já chegou a ficar preso por dois anos.

Crime
O casal foi morto com 11 tiros na residência em que morava na Rua Atibaia, em Perdizes, na Zona Oeste da cidade. No mesmo processo pelo homicídio, Gil Rugai responde ainda a acusação de ter dado um desfalque de mais de R$ 25 mil, em valores da época, à empresa do pai. Razão pela qual havia sido expulso do imóvel cinco dias antes do crime. Ele cuidava da contabilidade da ‘Referência Filmes’.

Contra o réu, a Promotoria diz ter como provas: a arma do crime, achada no prédio onde Gil Rugai mantinha um escritório e uma pegada na porta da casa das vítimas que foi arrombada pelo assassino. Quem acusa é o promotor do caso, Rogério Leão Zagallo.

Arte Julgamento Gil Rugai (Foto: Arte G1)