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Duas Irmãs passam 1º Natal juntas no AC após 52 anos sem contato

25/12/2013 00:10

irmãs em reencontro    Irmãs choram ao se reencontrar em Cruzeiro do Sul (Foto: Genival Moura/G1)

Um reencontro emocionou uma família de Cruzeiro do Sul (AC) na tarde de segunda-feira (23). Albertina da Silva Matos se mudou aos 11 anos para o Amazonas e não via a irmã Maria de Matos da Silva há 52 anos. O encontro foi possível depois que o filho de Albertina colocou um anúncio em uma rádio de Cruzeiro do Sul em busca dos familiares. A partir daí, ele teve contato com uma prima com quem passou conversar pelo Facebook.

Albertina, hoje com 63 anos, mora em Codajás, município localizado a 198 quilômetros de Manaus (AM). Ela trouxe consigo sete pessoas entre filhos, netos e uma nora. O grupo viajou cerca de 18 horas de barco até Manaus de onde pegou o voo para Cruzeiro do Sul. Com a saúde debilitada, Maria de Matos aguardou em casa pelo reencontro. A recepção no aeroporto ficou por conta, dos até então desconhecidos, sobrinhos de Albertina.

Após percorrer cerca de 40 quilômetros até uma comunidade rural, Albertina pôde abraçar a irmã. “Eu nunca esperei que um dia pudesse voltar, mas Deus me proporcionou este momento. Estou sentindo muita alegria no coração, não posso falar muito, não é fácil são mais de 50 anos de espera”, comenta emocionada Albertina.

Aos 74 anos, Maria Matos confessa que já tinha perdido a esperança do reencontro. “Eu sempre procurei notícias, mas não conseguia contato, soube de uma informação uma época por terceiros que os meus pais que moravam com a Albertina haviam morrido. Eu tinha medo de morrer sem ver a minha irmã também que saiu daqui com 11 anos de idade. Hoje estou podendo abraçar ela novamente. É uma coisa maravilhosa que não dá para explicar”, diz em lágrimas Maria de Matos.

Albertina conta que foi embora de Cruzeiro do Sul ainda criança acompanhando os pais que decidiram tentar a vida no Amazonas. Maria de Matos, já casada na época, continuou em Cruzeiro do Sul.

Albertina conta que o trajeto foi a remo em um barco construído especialmente para a viagem de destino incerto. “Naquela época meu pai já estava com a idade avançada e não tinha mais condições físicas de continuar sua profissão de seringueiro. Ele havia recebido uma carta de um parente dizendo que no Amazonas era melhor para viver. A gente passou nove meses viajando e parando nos municípios na beira dos rios Juruá e Solimões. Fomos parar em Codajás onde moramos até hoje”, relata.

O professor José de Matos da Silva, de 32 anos, filho de Albertina diz que pesquisou durante anos através da internet, até que com a ajuda da produção de uma rádio descobriu o Facebook de uma prima. “Eu enviava convite e ela não me aceitava, só aceitou depois que eu me identifiquei. Aí a gente foi se conhecendo e falando da história de cada um familiar e hoje estamos aqui nesse momento histórico”, avalia.

O contato do professor foi com a advogada Ângela Adélia que mora em Rio Branco (AC) e é neta de Maria de Matos. “São pessoas que estão idosas e não esperavam mais por esse momento. Com a ajuda do Facebook eu conversei com esse meu primo e articulamos esse encontro que não poderia cair numa data melhor. Será um Natal inesquecível para toda família”, conclui.

G1