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Corpo de Ariano Suassuna é velado no Palácio do Campo das Princesas

24/07/2014 09:52

 

velorio1_expedito_O corpo do escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna começou a ser velado por volta das 23h, no Palácio do Campo das Princesas – sede do governo estadual. Uma missa de corpo presente foi iniciada após a chegada do caixão, que foi conduzido por policiais militares e recebido pelo governador João Lyra Neto, e pelo ex-governador Eduardo Campos. A cerimônia, que foi ministrada pelo Frei Aluísio Fragoso, a princípio, contou apenas com a participação de familiares.

Por volta das 23h30, o público foi liberado para entrar. O corpo fica no local até as 15h desta quinta-feira (24), quando seguirá em cortejo até o Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, local onde ocorrerá o enterro. O sepultamento está programado para acontecer às 16h. As informações foram divulgadas pela assessoria do dramaturgo paraibano.

Com as bandeiras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Brasil e de Pernambuco estampadas sob o caixão, o corpo de Ariano foi encaminhado para o início do velório. O governador de Pernambuco, João Lyra, e o ex-governador, Eduardo Campos, ajudaram a carregar o caixão para o espaço interno do palácio. Por volta das 21h30, alguns familiares e amigos começaram a chegar para a cerimônia. O público em geral só teve acesso ao espaço onde o corpo está sendo velado depois das 23h30, quando foi concluída a missa de corpo presente. O tráfego no entorno da sede do governo estadual foi bloqueado para a passagem de veículos. Toda a movimentação é acompanhada por policiais militares do batalhão da área e do Batalhão de Trânsito.

Após a confirmação da morte de Ariano, dezenas de jornalistas, políticos e amigos do escritor se dirigiram ao Real Hospital Português (RHP), no Recife, onde o escritor estava internado. Entre as presenças, o governador de Pernambuco João Lyra, o ex-governador e candidato à presidência Eduardo Campos, o senador Jarbas Vasconcelos, o prefeito do Recife Geraldo Julio e a secretária de Cultura do Recife, Leda Alves.

O escritor, autor da famosa obra “Auto da Compadecida”, morreu no fim da tarde desta quarta-feira, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico e uma parada cardíaca provocada por hipertensão intracraniana. Ele estava em coma e respirava com ajuda de aparelhos após ter sido internado no RHP com um sangramento no cérebro, na última segunda-feira (21).

Ariano precisou passar por um procedimento cirúrgico de emergência na noite da última segunda-feira (21). Dois drenos foram colocados para controlar a pressão intracraniana vascular. Durante a tarde da terça-feira (22), surgiram rumores sobre a morte do dramaturgo, os quais foram desmentidos pelo hospital e familiares do paciente. Após a negação da morte, a assessoria da unidade de saúde emitiu um boletim médico, na noite da terça (22), informando que a situação clínica havia passado de estável para instável, sendo registrada queda da pressão arterial e pressão intracraniana muita elevada no paciente.

LUTO OFICIAL: Paraíba e Pernambuco

Paraibano Ariano Suassuna morre aos 87 anosO governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, decretou luto oficial de três dias pela morte do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, ocorrida na tarde desta quarta-feira (23), em Recife.

De nº 35.194, o decreto de luto oficial na Paraíba lembra que as homenagens fazem jus à “trajetória profissional do escritor, dramaturgo e poeta paraibano Ariano Vilar Suassuna. Considerando que sua vida é um exemplo de cidadania para todos nós”.

Com o decreto, o ritual póstumo de Ariano Suassuna segue o mesmo padrão destinado aos chefes de Estado. “Os pavilhões nacional e estadual devem ser hasteados à meia-verga, em todos os estabelecimentos públicos estaduais”, diz o decreto.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, lamentou a morte do escritor, que tanto honrou o Estado. “Lamentamos o dever institucional de assinar decreto instituindo três dias de luto oficial em razão de seu falecimento. Ariano, que por tantos anos nos fez rir, nos obriga a chorar o último capítulo de sua premiada trajetória. Mas não nos impede, ao mesmo tempo, de reverenciar o brilhantismo de sua existência, já que, segundo o próprio, o homem nasceu para a imortalidade. A morte foi um acidente de percurso”.

Em Pernambuco – 

O Governador de Pernambuco, João Lyra também decretou luto oficial de três dias no Estado.

Em conversa com a imprensa, o líder do Executivo Estadual lembrou da importância do escritor para o País. “Pernambuco e Brasil perdem uma das suas maiores figuras que participam da cultura brasileira. Como governador, quero levar meus sentimentos de muita tristeza, mas também de alegria por ter o privilégio de ter convivido com Ariano”, declarou João. O governador enfatizou também a participação de Suassuna na política, citando o cargo de presidente de honra do PSB e na presença em várias campanhas eleitorais do partido.

O ex-governador do Estado, Eduardo Campos, disse que a perda de Ariano é imensamente sentida. “O Brasil perde um dos maiores expoentes da cultura. Perdi também um amigo e companheiro, referência para toda a vida. Ariano deixa a um exemplo de dignidade, de vida e ética”, lamentou Eduardo, bastante emociano. “Ariano foi um tio, avô, um pai, amigo e uma referência para mim. Deixou uma lacuna na minha vida. Agradeço a tudo que fez pela cultura. Hoje é dia de aplaudir a vida de Ariano, que é tão bela quanto a sua obra”.

Nota de Pesar/Paraíba

O Governo da Paraíba lamenta, nesta quarta-feira (23), o falecimento de um dos maiores vultos da literatura e da cultura popular brasileira, o paraibano Ariano Suassuna.

Um homem que encantou, ao longo de tantas décadas, corações dos mais diversos retratando na obra e na vida as maiores riquezas, contradições e genialidades da expressão popular nordestina. Que fez da sua existência um combate interminável contra a inércia criativa e omissão social. E que ensinou o nordestino a ter orgulho das próprias limitações ao provar que as impossibilidades são os melhores impulsos para o seguir em frente.

Ariano Suassuna, assim como tantos notáveis escritores de nossa terra, a exemplo de Augusto dos Anjos e José Américo de Almeida, soube polir o orgulho da Paraíba em tons armoriais. Enquanto prefeito da Capital paraibana, tivemos a oportunidade de homenageá-lo em vida, erguendo no Parque Solon de Lucena monumento, de autoria do pernambucano Miguel dos Santos, denominado a Pedra do Reino, em referência a uma das mais distintas obras deste combatente guerreiro.

Hoje, como governador, lamentamos o dever institucional de assinar decreto instituindo três dias de luto oficial em razão de seu falecimento. Ariano, que por tantos anos nos fez rir, nos obriga a chorar o último capítulo de sua premiada trajetória. Mas não nos impede, ao mesmo tempo, de reverenciar o brilhantismo de sua existência, já que, segundo o próprio, “O homem nasceu para a imortalidade. A morte foi um acidente de percurso”.

Agora, mais do que nunca, temos a convicção, parodiando o que ele mesmo dizia, de que existem apenas dois tipos de pessoas neste mundo: as que reconhecem a sua genialidade e as que estão erradas.

Em nome de toda a equipe do Governo e de toda a Paraíba, manifestamos o mais profundo sentimento de pesar e solidariedade, pela perda irreparável do nosso Dom Quixote das Caatingas, mestre Ariano Suassuna, cuja passagem espiritual deixa triste nossa alma, embora infle a atenuante vela da história.

Que Deus lhe dê abrigo e nos traga conforto.

Nossos mais sinceros sentimentos,

Ricardo Vieira Coutinho

Governador do Estado da Paraíba