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Copa do Mundo; Livre do fantasma de 50 e modernizado, Maracanã volta a receber final de Copa

14/07/2014 06:23

Reprodução

Uruguai venceu o Brasil em que jogo ficou conhecido como Maracanazo

Esperava-se que a seleção brasileiraestivesse neste domingo na final da Copa do Mundo para exorcizar um fantasma que assombrava o Maracanã havia 64 anos. Mas a goleada sofrida por 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais conseguiu substituir a derrota para o Uruguai por 2 a 1, na final de 1950, como vexame. Livre desse fardo e com nova roupagem, o estádio será, quando a bola rolar para Alemanha x Argentina às 16h, o segundo da história a receber duas finais de Mundial, ao lado do Azteca, na Cidade do México.

Leia: Esquecido por seis décadas, carioca acha ingresso usado na final da Copa de 1950

Construído para o Mundial de 1950 ao custo de R$ 437,5 milhões em valores atualizados, de acordo com o livro “1950: o preço de uma Copa”, o Maracanã teve percalços para ser concluído a tempo, tanto que as arquibancadas ainda tinham andaimes quando o torneio começou. Eram outros tempos, em que o evento ainda não tinha a magnitude atual, nem a Fifa fazia tantas exigências aos países-sedes. Seis décadas depois, a reforma do estádio também foi bastante conturbada. Orçada em R$ 707 milhões, a modernização durou dois anos e nove meses e os gastos dobraram, saltando para cerca de R$ 1,5 bilhão.

O padrão Fifa adotado para o novo Maracanã não agradou aos mais puristas, incomodados com algumas intervenções na estrutura original. O argumento é de que o estádio perdeu um pouco de sua identidade e aura que o tornavam um lugar especial.

Maracanã velho x Maracanã novo:

Fotos do Maracanã em 2000, antes da reforma bilionária que deixou estádio com o “padrão Fifa”. Foto: Getty Images
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Há, porém, uma questão histórica mais mal resolvida do que a arquitetura. As exigências da Fifa para a Copa de 2014 previam que dois espaços simbólicos do complexo onde fica o Maracanã, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Julio Delamare, fossem exterminados, finalizando de forma melancólica lugares simbólicos do esporte nacional.

O Célio de Barros ainda agoniza. Sem futuro definido, a pista de atletismo virou estacionamento para convidados vips e caminhões durante a Copa. Já o Julio Delamare sobreviveu, após muita pressão dos envolvidos com os esportes aquáticos. Faz parte do complexo também o ginásio do Maracanãzinho, reformado para os Jogos Olímpicos de 2016.

Polêmicas à parte, com ou sem modernização, é inegável que o Maracanã nasceu para receber momentos históricos. A final entre Alemanha e Argentina neste domingo é mais um capítulo a ser escrito no templo do futebol brasileiro.

Por Ig