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Conheça o novo prefeito de Nova York, um democrata de esquerda

6/11/2013 11:26

O democrata Bill de Blasio, eleito novo prefeito de Nova York com uma ampla vitória, dará novos ares à “Grande Maçã” com políticas de esquerda, uma identificação com a América Latina e uma família multirracial e extremamente moderna.

Com 52 anos, casado e pai de dois filhos, o defensor público de Nova York se apresenta como a antítese do atual prefeito Michael Bloomberg, um independente de passado republicano que deixará o cargo que ocupa depois de três mandatos.

O democrata recém-eleito prefeito de Nova York Bill de Blasio venceu o republicano Joe Lhota e sucederá Michael Bloomberg. (Foto: Andrew Burton / Getty Images / AFP Photo)
O democrata recém-eleito prefeito de Nova York Bill de Blasio venceu o republicano Joe Lhota e sucederá Michael Bloomberg. (Foto: Andrew Burton / Getty Images / AFP Photo)

Duro crítico das desigualdades existentes nesta cidade de 8,3 milhões de habitantes, ele propõe aumentar os impostos dos nova-iorquinos mais ricos para financiar o sistema de jardim de infância para crianças a partir dos 4 anos e denuncia os polêmicos controles espontâneos da polícia da cidade, que visam principalmente aos negros e hispânicos.

“Acho que as pessoas desta cidade sabem que muitos nova-iorquinos lutam para tentar chegar ao fim do mês. Precisamos fazer uma mudança progressista muito séria e nos afastar das políticas da era Bloomberg”, declarou ao votar.

De origem italiana pelo lado materno e marcado pelo suicídio de seu pai – de ascendência alemã -, De Blasio não hesita em definir-se como um “homem de esquerda que acredita na intervenção do Estado”.

De Blasio não estava, a princípio, entre os favoritos à prefeitura, mas ganhou as primárias de seu partido em setembro e acabou superando com folga o republicano Joe Lhota nas eleições.

Para isso, beneficiou-se em parte dos problemas de outros candidatos (como a falta de carisma da presidente do Conselho Municipal, a democrata Christine Quinn, assim como do próprio Lhota), mas, principalmente, tirou partido do papel central desempenhado por sua família multirracial, moderna e descontraída durante a campanha.

Sua esposa, Chirlane McCray, uma poeta afro-americana ex-lésbica e mais velha que ele, sempre o acompanhou e é sua sócia política, tendo os Clinton como modelo.

Os filhos Dante, de 16 anos e com um corte de cabelo afro bem vistoso, e Chiara, 18 anos, foram protagonistas de propagandas na TV para apoiar seu pai e mostrar que ele não é “outro cara branco chato”.

Esta imagem se encaixa perfeitamente com a visão que Nova York tem de si mesma, uma cidade de grande maioria democrata, com uma população multiétnica de 33,3% de brancos, 25,5% negros, 28,6% hispânicos e 12,7% asiáticos.

Uma esperança para os hispânicos
Para os 2,3 milhões de hispânicos que vivem na cidade, a chegada de De Blasio à prefeitura deve ser uma boa notícia, já que ele se trata de um político com grande afeto pela América Latina. Ele fala espanhol e conhece bem a região.

Mais ainda, De Blasio foi um jovem admirador da revolução da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua que, em 1979, derrubou o regime ditatorial de Anastasio Somoza.

O democrata Bill de Blasio fala a apoiadores na última sexta-feira (1) (Foto: Andrew Burton / Getty Images North America / AFP)
O democrata Bill de Blasio fala a apoiadores na última sexta-feira (1) (Foto: Andrew Burton / Getty Images North America / AFP)

De Blasio, então com 26 anos, viajou à Nicarágua em 1988 para ajudar a distribuir alimentos e medicamentos, em meio à luta da FSLN com os “Contras” financiados pelo governo americano de Ronald Reagan.

O candidato democrata também conhece Cuba, onde passou sua lua de mel com McCray.

Se seu “passado sandinista” causou certa agitação ao ser revelado pela imprensa no final de setembro, De Blasio, ao contrário de negar, fez questão de defendê-lo.

“Não foi um pecado da juventude. Eu estava envolvido num movimento que achava que fazia muito sentido, e a razão pela qual estava envolvido era por causa da política externa dos Estados Unidos”, assinalou à revista New Yorker, em referência às ditaduras na América Latina nas décadas de 1970 e 1980.

Seu discurso progressista é para muitos uma lufada de ar fresco depois dos anos pró-Wall Street de Bloomberg, e vários de seus ex-assessores enfatizam sua inteligência, seu talento de estrategista e sua determinação.

Seus detratores, em compensação, o acusam de populismo e de ter conduzido uma campanha racista, e também o acusam por sua limitada experiência em postos executivos.

Antes de ocupar o posto de defensor do povo de Nova York, De Blasio foi conselheiro municipal do Brooklyn (2002-2009) e ex-diretor de campanha de Hillary Clinton para o Senado em 2000.


  • G1