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Cássio anuncia que PSDB vai pedir eleição imediata para afastar Dilma

A certa altura, o tucano chegou a dizer que nem os instrumentos políticos serão capazes de resolver a situação.

7/08/2015 11:01

As bancadas do PSDB no Senado e na Câmara, por meio do líder do partido na primeira Casa, Cássio Cunha Lima (PB), anunciaram nesta quinta-feira (6) que vão defender a realização de novas eleições para substituir a presidenta Dilma Rousseff. Em uma semana de intensa movimentação de bastidor em Brasília, com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), engrossando o discurso pela governabilidade, o tucano disse que a alternativa à crise político-econômica enfrentada pelo país, que estaria “indo para o buraco”, é o impeachment presidencial.NFFQE-1

“Estamos convidando a imprensa para que, através dela, a sociedade brasileira possa encontrar qual será o melhor caminho para sair dessa crise. A crise é muito grave, muito profunda, e será a economia que vai inviabilizar o governo. Porque uma coisa é você ter um governo enfraquecido, impopular, e que está indo para o buraco. Outra coisa totalmente diferente, e que está acontecendo, é o país estar indo para o buraco”, discursou o tucano.

Acompanhado pelo líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), Cássio Cunha não especificou qual seria a forma de substituição, uma vez que ainda não há elementos suficientes, segundo diversas instituições competentes, para a formalização de um processo que leve à cassação de Dilma. Para o senador, são três as situações envolvendo o governo Dilma que, a depender dos desdobramentos, poderiam levar a um processo de impeachment.

“Temos um ambiente onde vários delitos foram praticados no campo fiscal, com tudo o que está sendo julgado no Tribunal de Contas da União [TCU]; no campo eleitoral, com os julgamentos em curso no Tribunal Superior Eleitoral [TSE], e com todas as revelações que surgem da Operação Lava Jato, que foram apresentadas após as eleições. Temos uma eleição absolutamente contaminada”, declarou Cássio Cunha, em coletiva de imprensa no Senado.

A certa altura, o tucano chegou a dizer que nem os instrumentos políticos serão capazes de resolver a situação. Tentando traduzir para a imprensa o que estava sendo anunciado, uma vez que ainda não surgiram fatos determinados que justifiquem impeachment ou novas eleições, Cássio falou em “movimento” em sintonia com a parcela da população que rejeita a presidenta.

“Não há como imaginar que o país possa sair desse instante tão grave, onde [sic] a economia ameaça a vida de todos, e o agravamento da economia será ainda mais intenso nos próximos meses, apenas no universo de um entendimento entre os políticos. Ou você chama a sociedade para participar dessa construção nova, ou, do contrário, ela vai carecer, sempre, de legitimidade”, acrescentou Cássio, ele mesmo já vítima de cassação, em 2009, quando governava a Paraíba.

O senador falou ainda sobre o apelo feito por Temer em favor da governabilidade, depois de reunião realizada ontem (quarta, 5) com lideranças governistas. Ao final do encontro, tema disse que o país precisa de alguém com capacidade de reunificar o país, em uma referência indireta à incapacidade da presidenta Dilma. Mas Cássio disse ter concordado com Temer “parcialmente”. “Concordamos com que o país, hoje, não tem uma pessoa que possa conduzir a nação para o entendimento que se faz necessário”, arrematou o senador, para quem o novo governo, necessariamente, tem de ser ungido por meio do voto”. “Esse alguém só surgirá legitimado pelas urnas.”

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