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Britânica lança young adult sobre incesto: “Queria algo diferente e extremo”

“Proibido”, de Tabitha Suzuma, chega às livrarias brasileiras fazendo barulho ao retratar romance entre casal de irmãos. “Já existem ótimos livros sobre romances proibidos por aí, então queria falar sobre amor completamente proibido”,

21/08/2014 23:24

IncestoUma história de amor no estilo “Romeu e Julieta” não era o bastante para Tabitha Suzuma, britânica autora do polêmico “Proibido”, que chega agora às prateleiras brasileiras pelaeditora Valentina. Ela queria ir além do romance condenado ao fracasso já presente na literatura mundial e decidiu apostar em um tabu: o incesto. “Queria achar um romance completamente proibido”, fala em entrevista ao iG. “Um em que a relação não seria só inaceitável para os familiares e amigos dos personagens, não apenas em sua cidade ou país. Queria escrever uma história de amor que poderia ser condenada em todo o mundo.”

No livro, que fez barulho em seu lançamento em países como Espanha, Alemanha e Grécia, Lochan é um garoto de 17 anos extremamente tímido que precisa cuidar dos irmãos mais novos após o pai abandonar o lar e a mãe se tornar ausente.

Sua irmã mais nova, Maya, 16, o ajuda a carregar este fardo que parece pesado demais para dois adolescentes. E é neste contexto, onde eles precisam agir praticamente como marido e mulher, que eles acabam se apaixonando. “Já existem ótimos livros sobre romances proibidos por aí, então eu queria achar algo diferente e extremo”, explica a britânica.

Ganhadora do Young Minds Award e Stockport Book Awards, a escritora, que também já viveu um “relacionamento probido”, admite que escreveu o livro sabendo que ele chocaria bastante. “Eu sempre fui uma ‘autora rebelde’ de um certo modo. Sempre escrevo exatamente o que quero escrever, não o que editores querem ou achem que vá vender”, conta. Ainda assim, ela ficou um pouco insegura sobre a obra. “Não sabia se alguém iria ler um livro sobre um tabu desses, mas eu também sabia que esta era a história que eu queria escrever há muitos anos”, confessa.

A resposta dos leitores, no entanto, foram muito positivas. Alguns estranharam, torceram o nariz para a sinopse de “Proibido”, porém, de acordo com a escritora, acabaram entendendo como uma situação dessas poderia acontecer. “Fiquei impressionada em como as pessoas podem ter mente aberta”, diz.

Ainda assim, Tabitha procura deixar claro que não procurar incentivar este tipo de relacionamento. “Em nenhum momento do livro eu peço ou espero que os leitores vejam o incesto como algo aceitável. Meu livro apenas pede para eles colocarem de lado qualquer julgamento.”

Não é de hoje que o incesto é retratado em livros, filmes e séries. Em Game of Thrones, por exemplo, Jaime e Cersei são gêmeos e têm inclusive um filho, o rei Joffrey. Foto: Divulgação
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E o fato de ela mesma parecer não condenar ninguém ajudou adolescentes que estavam vivendo uma situação parecida com a descrita no livro a entrar em contato com ela. “Sei que a vida será muito difícil para eles se continuarem a seguir neste caminho, mas eu realmente espero que eles achem ajuda e apoio para lidar com seus sentimentos”, deseja Tabitha.

Veja a entrevista completa a seguir:

iG: Qual foi a sua inspiração para escrever a história?
Tabitha Suzuma: A ideia me veio porque eu queria escrever uma história de amor proibido — e eu já estive em um “relacionamento proibido” antes. Porém, já existem ótimos livros sobre romances proibidos por aí, então eu queria achar algo diferente e extremo. Eu queria achar um romance completamente proibido. Um em que a relação não seria só inaceitável para os familiares e amigos dos personagens, não apenas em sua cidade ou país. Queria escrever uma história de amor que poderia ser condenada em todo o mundo. Então pensei: que tipo de relacionamento amoroso seria condenável por qualquer um? Foi aí que meio veio: aha, incesto. Este é o grande tabu.

iG: Os protagonistas do livro são irmãos, o que é bastante polêmico. Como os leitores reagiram? Eles ficaram assustados ou aceitaram o mote?
Tabitha Suzuma: A reação dos leitores é muito positiva. Fiquei impressionada em como tanta gente tem a mente aberta. Alguns leitores expressaram choque ou hesitação com a sinopse, mas quando realmente leram, a grande maioria se tornou muito mais aberta para o assunto. Em nenhum momento do livro eu peço ou espero que os leitores vejam o incesto como algo aceitável. Meu livro apenas pede para eles colocarem de lado qualquer julgamento e entenderem como algo assim pode acontecer. Centenas de leitores entraram em contato comigo para me contar que estava hesitantes em lerem o livro por causa do assunto, mas, quando a curiosidade levou a melhor, eles se apegaram aos personagens e compreenderam a história deles.

Divulgação

Os livros de Tabitha foram indicados a prêmios como a Carnegie Medal, o Waterstone´s Book Prize, o Jugendliteraturpreis e o Branford Boase Book Award

 

iG: Você não tinha medo que os leitores rejeitassem o livro por causa da sinopse? Porque, pesquisando sobre o livro em sites brasileiros, vi muita gente assustada após ler prévia
Tabitha Suzuma: Não! Eu sempre fui uma “autora rebelde” de um certo modo. Sempre escrevo exatamente o que quero escrever, não o que editores querem que eu escreva ou achem que vá vender. Claro que eu quero que meus livros vendam — Preciso de dinheiro para pagar minhas contas! –, mas só consigo escrever uma história pela qual estou apaixonada. Sabia que estava correndo um grande risco com “Proibido”; Não sabia se alguém iria ler um livro sobre um tabu desses, mas eu também sabia que esta era a história que eu realmente queria escrever, era a história que eu queria escrever há muitos anos. Então eu estava muito determinada a ir em frente.

iG: E como você lida com os fãs que conquistou?
Tabitha Suzuma: Tenho muita sorte por ter tantos fãs apaixonados de países tão diferentes. Eles costumam entrar em contato comigo no Facebook. Meus fãs são muito importantes para mim, então, diferente da maioria dos autores, eu não tenho uma página do Facebook separada para eles [os fãs]. Eu os adiciono junto com os meus amigos de verdade. Eu considero meus fãs como meus amigos, mesmo que eu nunca os conheça. Por exemplo, um admirador falou comigo há oito anos após ler o meu primeiro livro. Ele mora na Austrália e nós nunca nos conhecemos, mas eu o considero um dos meus amigos mais próximos e trocamos mensagens regularmente. Pode ser muito difícil responder cada uma das mensagens, mas eu tento, mesmo que eu não tenha muito tempo.

iG: A mensagem de algum fã foi mais marcante?
Tabitha Suzuma: Recebi uma há alguns meses que eu lembrarei para sempre. Era de uma garota chamada Belu, do Uruguai, e ela escreveu que “Proibido” mudou sua vida. Ela sofre do mesmo transtorno de ansiedade que Lochan sobre no livro e esta era a primeira vez que ela leu uma história com um personagem que tivesse uma condição tão severa quando a dela. Ela contou que ler sobre Lochan era como se estivesse lendo sobre a própria vida. Belu falou também que ler o livro a ajudou a não se sentir mais tão sozinha com o problema dela e a incentivou a lidar melhor com isso.

iG: Algum fã já te escreveu contando uma história parecida com a do livro, em que ela/ele estava apaixonado por seu próprio irmão/irmã?
Tabitha Suzuma: Sim. Não muitos, mas pelo menos seis. Eles me escreveram para contar sobre a situação deles e me agradecer por escrever o livro. Eles disseram que a obra os fizeram se sentir menos solitários. Eles também me pediram conselhos, o que era bastante difícil para mim em dar, já que não sabia o bastante sobre a situação dele ou dela. Sei que a vida será muito difícil para eles se continuarem a seguir neste caminho, mas eu realmente espero que eles achem ajuda e apoio para lidar com seus sentimentos. Se isto é o que eles realmente querem, então eu desejo a eles toda a sorte do mundo.

Reporteriedoferreira.com Por IG