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Brasil vê ameaças da Coreia do Norte com ‘preocupação’, diz Patriota

Ministro diz que ainda avalia se mantém embaixador em Pyongyang. Coreia do Norte disse a estrangeiros que só garante segurança até quarta.

5/04/2013 22:39

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta sexta-feira (5) que o governo brasileiro está “preocupado” com as ameaças militares da Coreia do Norte. Ele disse que ainda avalia se mantém a representação diplomática brasileira na capital norte-coreana,Pyongyang.

“Sobre a questão da Coreia do Norte, obviamente nós seguimos com preocupação essa escalada retórica na península coreana e estamos em permanente contato com nosso embaixador Roberto Colin e avaliaremos quais são as condições exatamente antes de tomarmos uma decisão sobre a permanência dele ou alguma outra alternativa. E [estamos] em contato também com outras embaixadas em Pyongyang”, disse o ministro após em entrevista no Itamaraty, após reunião com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça de Cingapura, K Shanmugam.

O ministro Antonio Patriota concede entrevista à imprensa ao lado do ministro da Justiça de Cingapura K Shanmugam (Foto: Ana de Oliveira/AIG/MRE)O chanceler Antonio Patriota em entrevista ao lado do ministro da Justiça de Cingapura, K Shanmugam
(Foto: Ana de Oliveira/AIG/MRE)

A embaixada do Brasil em Pyongyang recebeu nesta sexta um comunicado do governo local instruindo as representações diplomáticas a informarem sobre a necessidade de apoio logístico para a saída de seus funcionários do país, em meio ao crescimento da tensão militar entre Coreia do Norte e Estados Unidos.

O governo da Coreia do Norte disse que só poderia garantir a segurança das embaixadas e organizações internacionais no país até a próxima quarta-feira (10). De acordo com a Convenção de Viena, o país tem obrigação de proteger as missões diplomáticas em meio à crescente tensão militar na região.

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O Itamaraty informou ter o conhecimento da presença de apenas seis brasileiros na Coreia do Norte atualmente. Dois são funcionários da embaixada – o embaixador Roberto Colin e um funcionário administrativo. Também estão no país a mulher e o filho de Colin. Os outros dois brasileiros são a mulher e o filho do embaixador da Palestina na Coreia do Norte.

O Reino Unido disse que o pedido norte-coreano de que os países retirem seus diplomatas da capital, Pyongyang, faz parte da “retórica” norte-coreana contra os EUA.

Já o porta-voz da chancelaria russa, Denis Samsonov, disse que a Rússia estava examinando o pedido, mas não planejava a retirada imediata, e que não havia sinais externos de tensão na cidade. A agência de notícias russa RIA afirmou, citando fontes diplomáticas, que as autoridades russas estão em contato com EUA, China e Coreia do Sul para avaliar a necessidade de retirada.

A tensão na região aumentou nas últimas semanas com as crescentes ameaças militares da Coreia do Norte – um fechado regime comunista liderado pelo jovem ditador Kim Jong-un, considerado “imprevisível” por analistas -,  dirigidas aos Estados Unidos e à Coreia do Sul.

Uma fonte sul-coreana afirmou que há indícios de que a Coreia do Norte estaria preparando um teste de mísseis, possibilidade que os EUA admitem.

mapa coreias 05.04 (Foto: Arte/G1)

Alemanha
Ao mesmo tempo, a Alemanha anunciou que convocou o embaixador da Coreia do Norte no país para esclarecimentos, mostrando “inquietação” com o desenrolar da crise.

“O embaixador da Coreia do Norte foi convocado por ordem do ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, ao ministério”, afirmou o porta-voz da pasta, Andreas Peschke.

“Informamos claramente que a recente escalada da Coreia do Norte, tanto no tom como no conteúdo, não é aceitável para o governo alemão”, disse Peschke.

Westerwelle aspira uma cooperação muito estreita com os sócios europeus e internacionais sobre a Coreia do Norte, completou, antes de lembrar que uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países do G8 deve acontecer na próxima semana em Londres.

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante reunião partidária em Pyongyang em 31 de março (Foto: AFP)O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante reunião partidária em Pyongyang em 31 de março (Foto: AFP)