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‘A água passava com força’, diz homem que salvou mulher em enxurrada

24/02/2013 08:37

 

Josenildo dos Santos Barbosa, 44, diz ainda não saber como conseguiu salvar a vida da professora Leda Maria Simões Teixeira Campos, em meio a uma enxurrada que varreu o bairro de Boiçucanga, costa sul de São Sebastião (a 192 km de São Paulo), na noite de sexta-feira (22).

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Leda morava com a filha, Tainá, 11, que foi levada pela água. O corpo da garota só foi encontrado na manhã de sábado (23), a cerca de dois quilômetros dos destroços da casa, na margem do rio Itu.

Para se protegerem da chuva, as duas abrigaram-se no sótão da casa. Leda pediu para que Tainá buscasse água no andar de baixo. Nesse momento, a enxurrada invadiu com força a residência.

O rio deixou seu curso natural e foi arrastando árvores, pedras e a vegetação que encontrou pelo caminho. A casa de alvenaria em que Leda e Tainá estavam ficou completamente destruída.

A garota foi levada pela correnteza. A mãe conseguiu se segurar em uma árvore a alguns metros da casa.

Limpeza nas ruas de Boiçucanga

Máquinas fazem as limpezas das ruas atingidas pelas chuvas

No escuro, com uma lanterna, Barbosa foi guiado pelos gritos da professora até encontrá-la. “Estava tudo escuro e a água passava com muita força. Eu ouvi gritos e um grande barulho, que era da casa caindo. Meu instinto na hora foi correr e ajudar, nem pensei no risco que estava correndo. Nessa hora, ou você [se] salva ou entrega a própria vida”, disse.

“Ela estava cheia de lama, [com] ferimentos e no meio da água, se segurando em uma árvore. É impressionante como ela conseguiu sobreviver”, afirmou Barbosa à Folha.

Com a ajuda de familiares e da Defesa Civil do município, Barbosa levou Leda ao Pronto Atendimento de Boiçucanga, onde ela permanecia internada até o fim da noite de ontem.

Segundo a unidade de saúde, a professora apresenta um quadro de saúde estável e não corre risco de morrer.

O enterro de Tainá está previsto para a manhã deste domingo (24), em um cemitério do bairro onde morava com a mãe.

Estragos da chuva em Boiçucanga

Chuva que atingiu São Sebastião na noite de sexta causou inundações e destruição em Boiçucanga

CHUVAS

No bairro de Boiçucanga, era possível ver, ontem, o rastro da destruição nas ruas, casas e pontos comerciais. Segundo a Defesa Civil do município, 377 imóveis foram atingidos e 176 pessoas tiveram que deixar suas casas na noite de sexta-feira.

Na localidade Beira Rio, cerca de dois quilômetros da principal via de acesso ao bairro ficaram intransitáveis. A força da água arrancou a camada superior de terra da rua, deixando apenas pedras e buracos pelo caminho.

Pontes de madeira que dão acesso a bairros isolados de São Sebastião foram destruídas. Pelas ruas era possível encontrar eletrodomésticos, roupas e uma infinidade de objetos carregados pela água. A chuva arrastou ainda motocicletas e carros. Animais morreram afogados.

Além de São Sebastião, as chuvas provocaram estragos ainda em Santos, Guarujá, São Vicente, Bertioga, Ubatuba e Cubatão. Rodovias de acesso ao litoral tiveram deslizamentos de terra. O caso mais grave, no entanto, ocorreu na Imigrantes, onde uma queda de barreira matou uma mulher e atingiu 24 veículos.

Após o acidente, a Imigrantes ficou totalmente interditada no km 52, sentido São Paulo da tarde de sexta-feira (22) até o fim da noite de ontem.

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