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Venezuela: cercado de militares, Guaidó anuncia operação para depor Maduro

30/04/2019 19:19

O líder opositor da Venezuela Juan Guaidó — que em janeiro se proclamou presidente interino com o apoio da Assembleia Nacional de maioria opositora —  publicou no início da manhã desta terça-feira em suas redes sociais um vídeo, gravado próximo à base militar de La Carlota, em Altamira, bairro de classe média alta de Caracas, no qual anuncia “o fim definitivo da usurpação” do poder pelo presidente Nicolás Maduro.

No vídeo postado às 5h47 locais (6h47 no Brasil), Guaidó aparece cercado de militares, afirma que “hoje valentes soldados acudiram a nosso chamado” e conclama a população a ir às ruas. “Povo da Venezuela, começou o fim da usurpação. Neste momento, me encontro com as principais unidades militares da nossa Força Armada, dando início à fase final da Operação Liberdade”, escreveu o líder opositor em sua conta no Twitter.Horas depois, por volta de 10h30 locais (11h30 em Brasília), Guaidó foi até a praça Altamira, a poucas quadras da base de La Carlota, e, falando em um megafone do alto de uma caminhonete, dirigiu-se à população.

— A maioria das pessoas está na rua exigindo mudanças. O povo precisa de uma mudança de Constituição e de governo — afirmou. — Chamem a todas as pessoas para que venham para cá, que vamos resistir e ser bem-sucedidos. Chamem a todos para que venham para Altamira e a Operação Liberdade. O chamado é para os poucos militares que, por perseguição, por medo, não terminam de dar o passo. Resistiremos a partir daqui.

O governo, que garante não haver mobilização militar em favor da oposição além de um “reduzido grupo de traidores”, denunciou uma tentativa de golpe de Estado e convocou cidadãos ao Palácio de Miraflores para a defesa do regime. Interlocutores da oposição disseram ao GLOBO que “está em marcha um golpe de Estado e a fase final da Operação Liberdade”. Maduro afirmou que o comando militar permanece leal ao governo.

Até o início da tarde, não estava claro o tamanho da adesão dos militares e da população ao movimento opositor. Em postagem no Twitter, a analista militar venezuelana Rocío San Miguel afirmou que “se desconhece o alcance que poderia ter na Força Armada o apoio a Guaidó e a Maduro. Não há sinais de fraturas em unidades com poder de fogo”. Em entrevista ao GLOBO, Carlos Romero, da Universidade Central da Venezuela, disse que Maduro mantinha o controle da situação .

Luz Mely Reyes , uma das criadoras do site Efecto Cocuyo e uma das jornalistas mais respeitadas do país, afirmou que segundo fontes, a oposição teria entrado em contato com altos funcionários militares e inclusive com o Tribunal Supremo de Justiça para realizar a Operação Liberdade, que precisou ser adiantada por rumores de que Guiadó seria preso pelo governo. Com a mudança de data, no entanto, os militares recuaram.

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