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Tiros contra manifestantes deixam um morto na Tailândia

29/12/2013 00:03

 

 

Manifestantes que acampavam perto da casa de governo em Bangcoc, na Tailândia, foram alvo de disparos, na madrugada deste sábado (28), e há uma morto até o momento, informaram os serviços de socorro.

Três pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas, acrescentou o centro médico Erawan.

O ataque aconteceu dois dias depois de violentos confrontos que deixaram dois mortos (um policial e um manifestante) e mais de 150 feridos. A polícia garante que os disparos não procederam de suas fileiras.

A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, enfrenta forte mobilização popular. Mais de 150 mil pessoas têm tomado as ruas do país nos últimos dias.

Há semanas reivindicando sua renúncia, a população acusa a premier de ser testa-de-ferro de seu irmão, Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro exilado após um golpe de Estado contra ele, em 2006.

A crise atual já deixou vários mortos desde o início de dezembro e é a pior já ocorrida desde 2010. Naquele ano, cerca de 100 mil “camisas vermelhas” fiéis a Thaksin ocuparam por dois meses o centro de Bangcoc, até o assalto do Exército. O saldo foi de mais de 90 mortos e 1.900 feridos.

Criar caos político

A oposição, que renunciou em bloco ao Parlamento e obrigou, assim, a primeira-ministra a uma dissolução, é acusada de querer recriar uma situação similar à de 2006, quando o Exército interveio após vários meses de caos político.

Negando-se a participar das legislativas antecipadas fixadas em 2 de fevereiro de 2014, o Partido Democrata, principal formação opositora, apela para o radicalismo e rejeita todas as mediações propostas.

Nas ruas permanecem agora os mais radicais, como os que na quinta-feira atacaram o estádio onde estavam as autoridades da comissão eleitoral e as obrigaram a fugir de helicóptero.Polícia impede passagem de manifestantes em protesto neste sábado (28) na Tailândia

(Foto: AFP)tailândia

Neste sábado, em várias províncias do sul da Tailândia, bastião da oposição, os manifestantes impediram a inscrição dos candidatos.

Os manifestantes exigem a substituição do Governo por um ‘Conselho do Povo’ não eleito, durante 18 meses, antes de realizar novas eleições. Um programa que gera muitas inquietações quanto aos seus princípios democráticos.

A grande incógnita continua sendo a reação do exército em um país que viveu 18 golpes de Estado ou tentativas desde o estabelecimento da monarquia constitucional, em 1932.

Muito enfraquecido aos 86 anos, o rei Bhumibol Adulyadej defendeu no início de dezembro a estabilidade do país, mas não interveio desde então no que se refere à crise.

Os generais parecem, no momento, reticentes em intervir, embora o general Prayut Chan-O-Cha, poderoso chefe do Exército de Terra, tenha tido palavras ambíguas na sexta-feira.

“A porta não está aberta nem fechada. Tudo pode acontecer”, disse, ao ser perguntado sobre a possibilidade de um golpe de Estado.

G1