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Sem necrotério, cidade nas Filipinas atingida por tufão amontoa corpos em capela

Estima-se que cidade de Tacloban, uma das mais atingidas pelo tufão Haiyan, tenha um saldo total de 10 mil mortos

11/11/2013 17:32

Não existe nenhum necrotério funcionando, então, as pessoas estão recolhendo os corpos dos mortos pelo tufão Haiyan e armazenando-os onde é póssível – neste caso, na Capela do Arcângelo São Miguel.

Dez corpos foram colocados sobre bancos da igreja e pisos brancos sujos de sangue, detritos e água. Um corpo tem espuma em sua boca. Outro, foi enrolado em um lençol branco, preso com uma vara de bambu verde para poder ser carregado.

Residentes se amontoam para receber tratamento e suprimentos no aeroporto de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: AP
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Um corpo é pequeno, e está inteiramente coberto em um cobertor vermelho. “Esse é o meu filho”, diz Nestor Librrando, um carpinteiro de 31 anos. “Ele se afogou.”

Librando se refugiou em um complexo militar próximo no momento em que o tufão tocou o solo das Filipinas na sexta-feira de manhã. Por duas horas, a água o cercou. Ele segurou seu filho de dois anos em um braço, e seu filho de três anos no outro.

Vídeo: Fome e sede ameaçam sobreviventes de tufão nas Filipinas

Mas a correnteza foi forte demais e levou a família para fora do prédio. A água cobriu a cabeça de Librando e ele tentou nadar. Seu filho mais jovem escorregou de suas mãos e foi imediatamente puxado pela força da água.

“Encontrei seu corpo depois, atrás da casa, no quintal, afundado na lama”, disse.

“Essa é a pior coisa que eu já vi na minha vida, a pior coisa que eu poderia imaginar”, disse Librando. “Eu trouxe seu corpo a essa capela, porque não havia outro lugar que eu pudesse levá-lo. Eu queria que Jesus Cristo o abençoasse.”

A capela fica próxima do aeroporto de Tacloban, em uma região onde a tempestade derrubou centenas de árvores. A enchete atingiu a região com tanta força, que postes de luz de uma estrada foram dobrados, formando um ângulo reto.

Em um lago a oeste do terminal do aeroporto, três corpos jazem por entre as pedras. Um homem, vestindo bermuda azul e com o rosto virado para baixo. Uma criança com os braços amarelados e um pequeno bebê.

Há sobreviventes também, incluindo Junick de la Rea, 22 anos. Ele disse que a força da água o empurrou de cima de um telhado onde ele havia tentado escapar da força da tempestade com outros cinco parentes. Todos eles sobreviveram agarrando-se a pedaços de plástico e metal.

“Por favor, você pode me ajudar?”, pergunta de la Rea a um repórter. “Eu quero mandar uma mensagem a um amigo meu”, um amigo que trabalha na Cruz Vermelha da Alemanha. “Nós sobrevivemos. Eu quero dizer que nós sobrevivemos. Perdemos tudo. Mas ainda estamos vivos – e precisamos de ajuda.”

Do  Ig