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Secretário da Anistia Internacional critica impunidade policial no Rio

Salil Shetty visitou o Conjunto de Favelas da Maré nesta segunda-feira. Secretário criticou decisão da PM em revogar as punições à corporação.

6/08/2013 02:24

Secretário da Anistia Internacional Salil Shetty visitou a Maré nesta segunda (Foto: AF Rodrigues/Anistia Internacional)Shetty, à esquerda, visitou a Maré nesta segunda (Foto: AF Rodrigues/Anistia Internacional)

O Secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, em visita de quatro dias ao Brasil, se reuniu com moradores do Conjunto de Favelas da Maré na tarde desta segunda-feira (5). Além de se mostrar informado sobre casos como os 13 mortos na comunidade e o desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza, Shetty criticou a decisão do ex-comandante da Polícia Militar do Rio, Erir Ribeiro — exonerado nesta segunda —, de revogar as punições aos membros da corporação.

“O Brasil, como qualquer grande país, não pode apoiar uma contradição como essa se quer se dizer um apoiador dos direitos humanos”, disse após o encontro, em entrevista por telefone ao G1.

Segundo Shetty, a reunião com moradores e presidentes de associações de moradores do Complexo da Maré teve como foco a impunidade policial, abusos da polícia em sua relação com os moradores de comunidades e a consciência dos direitos humanos.

“Na Maré, estamos trabalhando com as associações de moradores para prepará-los para o projeto de pacificação e a implantação da UPP. Precisamos fazer as pessoas ficarem mais cientes de seus próprios direitos, senão o medo vai permanecer”, alertou o secretário, elencando os focos da ação da Anistia Internacional.

“Além do uso excessivo de força da polícia nas manifestações, o nosso foco é impunidade policial e segurança pública. E os casos de mortes e desaparecimentos nas favelas do Rio se somam”, disse o secretário-geral, que lembrou das 13 mortos ocorridas na Maré no início de julho deste ano, assim como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, no dia 14 de julho. “Os dois casos têm algo em comum, a impunidade policial, que é certamente uma das nossas maiores preocupações”, analisou.

‘Impunidade é mãe da violência’
Shetty aproveitou ainda para criticar a decisão da PM do Rio de revogar todas as punições aos policiais do Estado que ocorreram desde 2011. Segundo ele, o Brasil “não pode apoiar uma contradição aos direitos humanos como essa.”

“Ouvi de um morador da favela a frase:  “A impunidade é a mãe de toda a violência e crime, uma vez que as pessoas podem fazer de tudo e nada acontece com elas. E é isso mesmo”, analisou o secretário-geral.

Números alarmantes
Shetty chamou a atenção para o número de casos de homicídio no país, que tem, segundo ele, uma das “maiores taxas de homicídio do mundo.”

“Se você olhar para as estatísticas das Nações Unidas, chega a 2 mil por ano. E muitos desses casos não são investigados, não são resolvidos, não chegam a uma conclusão”, disse ele, que criticou ainda a diferença social de tratamento da polícia entre as partes ricas e pobres da cidade:

“Se você vive em Ipanema ou no Leblon, você não pode entrar na casa de alguém no meio da noite ou dar tiros em frente à casa das pessoas e sair ileso.  A única razão pela qual isso acontece nas favelas porque essas pessoas que moram nas favelas são pobres e não têm uma voz tão forte”

O dirigente ainda lembrou que a proximidade dos grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016,  faz o trabalho dele ainda mais necessário:

“Segurança Pública e direitos humanos têm que estar interligados, sempre. Teremos Copa do Mundo e Olimpíadas muito em breve, então é uma grande oportunidade para ouvir as pessoas e evitar que esse tipo de intimidação e violência aconteçam”, finalizou.

G1