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Putin diz que política da Rússia sobre Ucrânia está correta

Presidente russo também afirmou que sanções visam enfraquecer o país. Declarações foram dadas no discurso do estado da nação

4/12/2014 18:02

 

2014-12-04t095150z_18791943O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso do estado da nação nesta quinta-feira (3) (Foto: Sergei Karpukhin/Reuters)

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (4) que os acontecimentos na Ucrânia mostraram que a política russa está correta, e acusou o Ocidente de agir cinicamente a respeito da crise na antiga república soviética.

Putin afirmou que o Ocidente adotou sanções contra a Rússia para enfraquecer o país, usando como pretexto a crise na Ucrânia. Ao mesmo tempo, deixou claro no discurso anual do estado da nação, pronunciado no Kremlin diante das duas câmaras do Parlamento, que não tem nenhuma intenção de romper com a Europa ou os Estados Unidos.

 

“Cada vez que alguém acredita que a Rússia se tornou muito forte e independente, aplicam imediatamente este tipo de medidas”, disse.

Segundo ele, mesmo sem a anexação da península da Crimeia em março e o subsequente conflito no leste separatista pró-Rússia da Ucrânia, as potências ocidentais “teriam inventado outra coisa para conter as oportunidades crescentes da Rússia”.

Os “inimigos de ontem” da Rússia desejam a ela o mesmo destino da Iugoslávia nos anos 1990, afirmou ele no discurso, que durou mais de uma hora e foi interrompido várias vezes por aplausos.

“Não há dúvida de que eles teriam adorado ver a situação de colapso e desmembramento da Iugoslávia para nós – com todas as conseqüências trágicas que teria para os povos da Rússia. Isto não aconteceu. Não permitimos”, afirmou.

Apesar da situação, afirmou que tem nenhuma intenção de romper as relações com a Europa e os Estados Unidos.

“Não pensamos em nenhum caso em romper nossas relações com a Europa e os Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, restabeleceremos e ampliaremos nossos vínculos tradicionais com o continente sul-americano, seguiremos cooperando com a África e com os países do Oriente Médio”, afirmou.

Putin voltou a criticar o governo dos Estados Unidos, que “tenta influenciar, nos bastidores ou de forma direta, as relações com nossos vizinhos”.

Mesmo ao se comprometer a manter sua nação aberta ao mundo, Putin adotou uma postura agressiva: “Jamais tomaremos o rumo do auto-isolamento, da xenofobia, da suspeita e da busca por inimigos. Tudo isso é uma manifestação de fraqueza, e nós somos fortes e confiantes em nós mesmos”.

Economia
No mesmo discurso, Vladimir Putin pediu ao Banco Central e ao governo “ações contundentes” para acabar com a especulação com o rublo, que esta semana alcançou uma cotação mínima histórica.

“Pedi ao Banco da Rússia e ao governo que adotem medidas contundentes e coordenadas para dissuadir os chamados especuladores de negociar com as flutuações da moeda russa”.

“O rublo não pode virar impunemente um objeto de especulação”, insistiu Putin.

“As autoridades sabem quem são os especuladores. Temos os meios para enfrentar. É hora de utilizar estes meios”, completou, sem revelar a identidade dos especuladores.

As sanções econômicas impostas pelas potências ocidentais a Moscou por seu papel na crise ucraniana e a queda do preço do petróleo provocaram um forte aumento da inflação e a desvalorização do rublo, que desde o início do ano perdeu 40% do valor em relação ao euro e 60% em relação ao dólar.

As autoridades russas anunciaram uma previsão de recessão para o país em 2015.

Ao mesmo tempo, o presidente russo propôs uma anistia para quem repatriar o dinheiro à Rússia.

As sanções econômicas ocidentais provocaram uma fuga de capitais que deve alcançar US$ 125 bilhões.

www.reporteriedoferreira.com Por G1