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Procurador-geral Jeff Sessions diz que não participará de investigação relacionada a campanha de Trump

2/03/2017 21:13

 

Sessions não confirma se há investigação em aberto. Procurador se envolveu em polêmica após reportagem indicar reuniões com o embaixador russo antes das eleições. Jeff Sessions anuncia nesta quinta-feira (2) que não fará parte de investigações relacionadas à Rússia (Foto: Susan Walsh/AP)

Jeff Sessions anuncia nesta quinta-feira (2) que não fará parte de investigações relacionadas à Rússia (Foto: Susan Walsh/AP)

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, anunciou nesta quinta-feira (2) que não participará de qualquer investigação que exista ou possa surgir envolvendo a campanha presidencial de Donald Trump.

A decisão de Sessions foi tomada após a polêmica gerada por uma reportagem do jornal “Washington Post” publicada nesta quarta-feira (1º), que indica que ele manteve reuniões com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislayk, em julho e em setembro, quando assessorava Donald Trump sobre política externa e outros temas durante a campanha presidencial.

Em coletiva de imprensa nesta quinta, Sessions se declarou impedido de participar de qualquer investigação sobre o tema, e disse que não confirma nem nega se há uma investigação aberta.

“Esta declação não deve ser interpretada como confirmação de existência de qualquer investigação ou sugestiva do âmbito de qualquer investigação do tipo”, afirmou.

Ele voltou a afirmar que nunca se reuniu com autoridades russas para falar sobre a campanha do presidente. Disse que se reuniu com o embaixador russo em setembro, mas para discutir terrorismo e a situação na Ucrânia.

Também esclareceu que em sua audiência no Senado para a confirmação do cargo respondeu que nunca teve comunicações com russos quando foi questionado sobre se ele teria se encontrado com russos para discutir a campanha de Trump.

“Aquela foi a pergunta que eu respondei. Não respondi sobre as duas reuniões com o embaixador russo em Washington em que tais temas não foram discutidos”, afirmou. Segundo Sessions, sua resposta no Senado foi “honesta e correta”.

Na audiência no Senado para a confirmação de seu nome como procurador-geral, em janeiro, Sessions declarou, sob juramento no Senado: “Eu não tive uma comunicação com os russos”.

Polêmica

Após a reportagem do “Washington Post”, os líders do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, e na Câmara, Nancy Pelosi, pediram a renúncia de Sessions. Representantes democratas também exigiram que o Congresso anuncie uma investigação especial independente para esclarecer uma eventual interferência da Rússia na campanha eleitoral de 2016 — que teria como objetivo beneficiar a campanha de Trump em detrimento de sua rival democrata Hillary Clinton.

A administração Trump nega as acusações de interferência da Rússia, também desmentidas por Moscou.

Em um comunicado emitido antes da coletiva desta quinta, Jeff Sessions afirmou que nunca se reuniu “com autoridades russas para discutir temas da campanha”. “Não tenho ideia sobre o que é esta acusação. É falsa”, completou. O ex-senador também afirmou, em entrevista à emissora NBC, que se necessário se afastaria do cargo.

Nesta quinta, os congressistas republicanos Kevin McCarthy e Jason Chaffetz defenderam que o procurador-geral se afaste de investigações que envolvam a campanha de Trump. Mas a maioria dos republicanos defenderam sua capacidade de atuar de maneira independente, a menos que as investigações apontem diretamente para ele.

Questionado por jornalistas em uma viagem a Newport News (Virgínia) Trump rejeitou a ideia de que Sessions deva se afastar e garantiu que tem “total confiança” em Sessions.

A Casa Branca confirmou os encontros de Sessions, mas disse que ele não fez nada de errado. Ao mesmo tempo, classifica as revelações do “Washington Post” de um novo “ataque” dos democratas contra a administração Trump.

Outros funcionários

Há algumas semanas o general Michael Flynn, então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, renunciou ao cargo por conta de seus contatos com Kislyak – antes, durante e depois das eleições.

O jornal “USA Today” divulgou nesta quinta que mais dois funcionários na campanha presidencial de Donald Trump disseram que conversaram com o embaixador russo em uma conferência à margem da Convenção Nacional Republicana, em julho do ano passado.

Segundo o jornal, J.D. Gordon, que era o diretor de segurança nacional da campanha de Trump, e Carter Page, outro membro do comitê consultivo de segurança nacional da campanha, disseram que se encontraram com o embaixador.

www.reporteriedoferreira.com Por G1