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Premiê indicado da Itália, Enrico Letta quer iniciar diálogo sobre governo

24/04/2013 10:04

 

O recém-indicado primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, disse nesta quarta-feira (24) que vai iniciar as conversas para formar o governo na quinta-feira (25), mas afirmou ser necessário o apoio dos outros partidos e que o governo não será formado a qualquer custo, segundo a agência Reuters.

Logo depois de o presidente Giorgio Napolitano ter lhe dado o mandato para formar o governo no Palácio Quirinale, Letta afirmou que vai se concentrar no emprego e em ajudar os pequenos negócios, bem como nas tão necessárias reformas institucionais.

Enrico Letta no palácio presidencial italiano em foto desta quarta-feira (24) (Foto: Max Rossi/Reuters)Enrico Letta no palácio presidencial italiano em foto desta quarta-feira (24) (Foto: Max Rossi/Reuters)

O vice-líder do Partido Democrático afirmou que a União Europeia se concentrou muito em políticas de austeridade e que é preciso fazer mais para promover o crescimento econômico.

Pouco depois do anúncio, Enrico Letta afirmou que pedirá à União Europeia que “modifique a linha política de austeridade” porque a considera “insuficiente” para resolver a difícil situação econômica e social da Itália.

“Pedirei à União Europeia que modifique a linha política de excessiva atenção à austeridade, porque não é suficiente”, declarou Letta.

Letta, menino prodígio da política italiana, ex-democrata-cristão, deve contar com o apoio de todas as forças políticas para acabar com dois meses de paralisação política, de acordo com a France Presse.

Letta tem 46 anos e exerce mandato parlamentar atualmente. Fluente em inglês, ele será o segundo premiê mais jovem da história italiana. O fato de ser solidamente favorável à associação com a União Europeia deve ser bem recebido pelos mercados e por governos estrangeiros.

Depois de ser forçado a repetir o mandato pelas divisões entre as forças políticas, incapazes nas últimas semanas de chegar a um acordo para decidir o nome de seu sucessor ou o candidato a formar um novo governo depois das eleições legislativas de fevereiro, Napolitano decidiu convocar Letta.

O dirigente do Partido Democrático, considerado um moderado e que procede da Democracia Cristã, anunciou na terça-feira que seu partido estava disposto a apoiar um governo que levasse em consideração a “emergência econômica e social” e que realizasse as reformas pendentes, entre elas a redução do grande número de parlamentares.

Mas os problemas italianos não terminaram, e restam divergências significativas entre direita e esquerda acerca da política econômica. Antes da indicação de Letta, o líder do partido PDL (de Berlusconi) na Câmara, Renato Brunetta, disse que só apoiaria um governo que se comprometesse a revogar um odiado imposto habitacional, ressarcindo os valores já pagos.

A centro-esquerda deseja apenas uma redução parcial, e muitos economistas dizem que o fim do imposto deixaria um buraco nas contas públicas.

Mas Napolitano, que relutantemente aceitou um novo mandato presidencial, deixou claro que não irá mais tolerar os infinitos atritos entre os partidos, e ameaça renunciar se eles não se unirem em torno das políticas econômicas e de importantes reformas constitucionais.

A principal delas é a revogação da problemática lei eleitoral, que foi em grande parte responsável pelo impasse instalado em fevereiro.

G1