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Oposição retoma as ruas em marcha contra Maduro

2/07/2017 08:13

População apoia procuradora-geral, que pode ser processada por denunciar governo

Mais de mil pessoas participaram nesse sábado (1) de ato em apoio a Luisa Ortega, que deve se apresentar ao TSJ na terça
JUAN BARRETO/ AFP

Mais de mil pessoas participaram nesse sábado (1) de ato em apoio a Luisa Ortega, que deve se apresentar ao TSJ na terça

CARACAS, VENEZUELA. A oposição venezuelana retomou as ruas nesse sábado (1), no momento em que se completa três meses de seus maiores protestos contra o presidente Nicolás Maduro, em uma Venezuela sem perspectiva de arrefecimento da crise nacional no horizonte próximo, segundo analistas. Mais de mil manifestantes caminharam nesse sábado (1) até a principal autoestrada de Caracas para expressar seu apoio à procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega.

 

Em meio aos protestos, essa chavista histórica se transformou em ferrenha adversária de Maduro. Nos últimos três meses “o mais importante que conseguimos foi criar consciência de que a luta para restituir a democracia é dever de cada um”, disse à AFP a médica Patricia Valenzuela, 43, que participou da passeata. Luisa Ortega agradeceu o apoio: “A confiança de vocês fortalece nossa luta institucional. A defesa da Constituição é tarefa de todos”, escreveu no Twitter. Na próxima terça-feira, a procuradora-geral deve comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que avaliará se ela será processada. Uma decisão nesse sentido pode levar à sua destituição do cargo. Luisa já está proibida de deixar o país e teve seus bens e contas congelados. Luisa se afastou do governo, denunciando uma ruptura da ordem constitucional por decisões do TSJ que reduziram os poderes do Legislativo. Ela também travou uma batalha judicial contra os magistrados da corte e contra a Assembleia Constituinte promovida por Maduro para reformar a Carta Magna. Todos os seus recursos foram indeferidos pela corte.

 

Na ONU, o embaixador da Venezuela, Jorge Valero, rejeitou as críticas do porta-voz do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos Rupert Colville. Na sexta-feira, Colville havia divulgado nota dizendo que a decisão da Suprema Corte de junho de iniciar processos contra a procuradora-geral do país é “profundamente preocupante”, assim como a violência em curso no país. Histórico. As manifestações, que também rejeitam a Constituinte de Maduro por considerá-la uma “fraude” para perpetuá-lo no poder. Entre 1º de abril e 19 de junho de 2017, foram registrados 2.675 protestos, de acordo com o Observatório Venezuelano de Conflitividade Social (OVCS), em um contexto de grave crise econômica.

 

Na sexta-feira, em Barquisimeto (350 km ao oeste de Caracas), homens encapuzados atiraram contra manifestantes que haviam erguido barricadas. O ataque deixou quatro mortos, aumentando para 89 o número total de falecidos. Os três meses de protestos também deixaram mais de mil feridos, segundo o Ministério Público, e mais de 3.500 detidos, de acordo com a ONG Foro Penal. Governo e oposição se acusam mutuamente de causar a violência. Maduro assegura que tudo faz parte de um complô entre “a direita terrorista” e os Estados Unidos para derrubá-lo.

Avanço. A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou que assinará nesta segunda-feira (3) um acordo com setores do chavismo críticos ao governo para rejeitar a Constituinte.

Promoção após denúncia de auso

A procuradoria da Venezuela denunciou, na sexta-feira, o general Gustavo González López, diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), por supostas violações dos direitos humanos, elevando ainda mais a temperatura em seu confronto com o presidente Nicolás Maduro. Horas após o comunicado, porém, o presidente Nicolás Maduro promoveu González López a “general em chefe” e acusou a promotoria de “perseguir os altos oficiais bolivarianos”.

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