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Ninho de espiões: conheça sede da embaixada dos EUA em Cuba

27/07/2015 10:25

 

 

Na região do bairro de Malecón, em Havana, é possível ver um grande prédio que destoa da arquitetura típica da capital cubana. Durante mais de meio século, esse edifício foi visto com grande desconfiança pelos moradores locais, que o viam como um “ninho” de intrigas políticas contra o governo de Cuba.

Fidel Castro avisou em 1961 que o prédio americano em Cuba deveria ter o mesmo número de funcionários que o cubano em Washington, 11150716141753spinterestssectioninhavanacuba624x351reuters

Foto: Reuters

O bloco cinza de seis andares, grandes janelas e um estilo arquitetônico que lembra os prédios oficiais da antiga União Soviética, foi, por décadas, a Seção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba. A partir desta segunda-feira, ele volta a ter o status de Embaixada americana – que perdeu quando os dois países romperam relações, em 1961.

Em janeiro de 1961, pouco antes do rompimento e em meio a campanhas de intimidação e acusações de complô, Fidel Castro alertava em um discurso que o governo americano teria de reduzir o número de funcionários em sua Embaixada.

“O governo revolucionário decidiu que antes de 48 horas…, a Embaixada dos Estados Unidos não tenha aqui nenhum funcionário além do que nós temos (nos Estados Unidos)”, que eram 11, segundo o próprio Castro.

“Enquanto pressionavam outros governos a romperem com Cuba, eles (os americanos) usavam a Embaixada para introduzir aqui agentes conspiradores e terroristas; porque estavam dirigindo o terrorismo amparados pela imunidade diplomática”, disse Fidel na época.

Fidel Castro mandou construir o ‘bosque de bandeiras’ para esconder as mensagens difundidas pela Sessão de Interesses dos EUA150716141122spbosquedebanderas304x171ap

Foto: AP

Dois dias depois, os últimos funcionários da embaixada acabavam de recolher suas coisas e fechavam a embaixada.

E nem sempre as suspeitas não tinham justificativas.

Desde o triunfo da revolução liderada por Castro em 1959, a Agência Central de Inteligência dos EUA, a CIA, tentou várias vezes derrubar o governo comunista da ilha.

Cuba sempre desconfiou das atividades na Sessão de Interesses dos Estados Unidos.

E vice-versa. Em 2003, o governo americano ordenou a expulsão de 14 funcionários que trabalhavam na Sessão de Interesses de Cuba em Washington e na representação cubana na ONU.

O edifício em Cuba só viria a ser reaberto em 1977, depois de um acordo entre o então presidente americano Jimmy Carter e Fidel Castro, para permitir a presença de uma Sessão de Interesses nas respectivas capitais de seus países, sob a proteção da Embaixada da Suíça.

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