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Líder egípcio diz querer aproveitar ‘experiência democrática’ do Brasil

Em reunião com Dilma Rousseff, Mohammed Morsi também pediu mais investimentos brasileiros no Egito.

10/05/2013 03:50

Presidente do Egito, Mohammed Morsi pediu mais investimentos brasileiros (Foto: AFP/BBC)Presidente do Egito, Mohammed Morsi pediu mais
investimentos brasileiros (Foto: AFP/BBC)

Na primeira viagem oficial de um presidente do Egito ao Brasil, o líder Mohammed Morsi afirmou nesta quarta-feira em Brasília que quer aprender com o amadurecimento institucional do Brasil e pediu mais investimentos brasileiros em seu país.

Em seu discurso, após reunir-se com a presidente Dilma Rousseff, o egípcio disse que o Brasil poderá ‘apoiar muito o Egito em seu desenvolvimento econômico e justiça social’.

‘Queremos nos aproveitar da experiência da democracia brasileira’, acrescentou.

Morsi assinou seis acordos de cooperação com o Brasil nas áreas de meio ambiente, desenvolvimento social e agrário, tecnologia e bibliotecas. Em seguida, foi convidado a ver uma apresentação do governo brasileiro sobre seus principais programas sociais.

Em resposta ao pleito do egípcio por mais investimentos, Dilma afirmou que o governo planeja organizar missões de empresários brasileiros ao Egito ainda neste ano. Na quinta-feira, Morsi participará de um evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e se encontrará com membros da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

A visita de Morsi ao Brasil ocorre depois de viagens suas recentes a outros países do grupo dos Brics (integrado ainda por China, Índia, África do Sul e Rússia) e reflete a tentativa do governante de se aproximar de nações emergentes e diminuir a dependência egípcia dos Estados Unidos e da Europa.

O giro tem como objetivo principal alavancar a economia do Egito, que sofreu um duro golpe após a revolução de 2011, que levou à renúncia do então presidente Hosni Mubarak.

Mubarak, que governava o país desde 1981, foi um dos líderes derrubados na Primavera Árabe.

Desde então, o país mergulhou em um cenário de incertezas políticas e econômicas, convivendo com distúbios sociais e altas taxas de desemprego.

Oriente Médio
Na reunião com Dilma, Morsi também tratou da instabilidade no Oriente Médio. O egípcio afirmou que a solução do conflito entre israelenses e palestinos é fundamental para a pacificação na região e agradeceu a posição brasileira de apoiar ‘o direito palestino de ter um Estado independente soberano’.

Ele cobrou também a mobilização dos membros do Conselho de Segurança da ONU para a criação de um grupo para negociar o fim da guerra na Síria. O estabelecimento do grupo, que seria integrado também por Turquia, Egito, representantes da oposição síria e de organizações árabes e islâmicas regionais, ‘é o único caminho para sair da crise’, segundo Morsi.

‘Acho que situação vai se agravar se não houver solução’, afirmou.

Dilma, por sua vez, voltou a defender um cessar-fogo imediato na Síria e o início de um processo político liderado pelos sírios, com apoio da comunidade internacional, para resolver a questão. A presidente propôs ainda que o Oriente Médio entre em acordo para proibir armas de destruição em massa na região, a exemplo do que ocorre na América Latina.

Comércio
Dilma e Morsi trataram ainda do comércio entre os dois países. Segundo o Itamaraty, de 2002 a 2012, o volume de comércio entre Brasil e Egito passou de US$ 410 milhões para US$ 2,96 bilhões, com amplo superávit brasileiro.

No ano passado, enquanto as exportações brasileiras ao Egito somaram US$ 2,7 bilhões, as importações do país do Oriente Médio totalizaram apenas US$ 251,5 milhões. O Egito é o principal comprador de produtos brasileiros na África.

Dilma afirmou que os dois países devem trabalhar para que as trocas se incrementem e sejam mais equilibradas. Ela afirmou que o acordo de livre comércio entre o Egito e o Mercosul contribuirá com esse objetivo.

Assinado em 2010, o pacto ainda não foi ratificado pelos países-membros do Mercosul. No Brasil, o documento está na Casa Civil e ainda não foi enviado ao Congresso Nacional.

G1