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Israel adota medidas de segurança após confrontos com palestinos

4/11/2015 00:20
  Policiais israelenses patrulham ponto de ônibus em Jerusalém (Foto: Thomas Coex/AFP)Policiais israelenses patrulham ponto de ônibus em Jerusalém (Foto: Thomas Coex/AFP)

Israel aprovou neste domingo (18) a adoção de medidas de segurança mais rígidas após o aumento do número de agressões palestinas com arma branca e o ataque a um grupo de israelenses que visitava ilegalmente um local sagrado na Cisjordânia, que foi incendiado na sexta-feira.

O incidente no túmulo de José, na Cisjordânia ocupada, e os ataques praticamente diárias desde 1º de outubro provocaram uma espiral de violência e o temor de uma nova intifada nos territórios palestinos ocupados.

 

Túmulo de José foi incendiado por palestinos, em Nablus, norte da Cisjordânia ocupada, dizem israelenses. A imagem foi divulgada pelo porta-voz do Exército de Israel, Peter Lerner (Foto: Reprodução/Twitter/Peter Lerner)Túmulo de José foi incendiado por palestinos, em
Nablus (Foto: Reprodução/Twitter/Peter Lerner)

Segundo a agência de notícias France Presse, Israel estabeleceu postos de controle nas zonas palestinas de Jerusalém Oriental, de onde procedem vários agressores com faca, e reforçou as patrulhas com centenas de soldados.

De acordo com a EFE, 300 soldados foram posicionados na cidade sob comando da polícia nacional para apoiar outros organismos de segurança. O posicionamento de soldados em Jerusalém, medida não vista em uma década, desde a Segunda Intifada (2000-2005), acontece em paralelo à instalação de grandes blocos de concreto e controles das forças de segurança em bairros palestinos de Jerusalém considerados “zonas de atrito”.

As autoridades israelenses também ordenaram outras medidas, como a demolição imediata das casas dos agressores, a revogação de suas permissões de residência e o recrutamento de guardas para vigiar o transporte público, creches e escolas.

Quarenta e um palestinos, boa parte deles agressores com facas, morreram desde o início dos confrontos, que deixaram sete vítimas fatais do lado israelense.

Ataque a grupo de judeus
Neste domingo, vários israelenses que visitavam o túmulo de José na Cisjordânia ocupada, ponto sagrado do judaísmo que foi incendiado na sexta-feira, foram atacados por palestinos antes de uma ação do exército que retirou todos do local.

O grupo entrou em Nablus sem autorização do exército na madrugada de domingo. Uma vez no local, os israelenses foram atacados por palestinos. Pouco depois foram retirados por soldados israelenses, que coordenaram a operação com policiais palestinos.

De acordo com a rádio militar, quase 30 israelenses visitaram o túmulo de José para rezar no local e cinco foram detidos por entrada sem autorização em Nablus. A polícia israelense considerou a visita “totalmente irresponsável” e disse que o incidente “poderia ter acabado de forma trágica”.

Dezenas de palestinos incendiaram na sexta-feira o túmulo, segundo a polícia palestina. Para os judeus, o local é o túmulo de José, um dos 12 filhos de Jacó. Mas também é venerado pelos muçulmanos – que acreditam que o túmulo pertence a uma figura religiosa local -, e pelos samaritanos, uma seita separada do judaísmo.

Israelense segura arma ao lado de oficiais após morte de palestino (Foto: Reuters/Reuters TV)Israelense segura arma ao lado de oficiais após
morte de palestino (Foto: Reuters/Reuters TV)

Ataques com facas
O incidente aconteceu um dia depois de uma nova onda de violência que terminou com palestinos mortos após tentativas de esfaquear israelenses, incluindo soldados, em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada.

Após o sábado de extrema violência, quase 2 mil manifestantes se reuniram durante a noite no centro de Jerusalém, convocados por organizações israelenses de esquerda com o lema “Judeus e árabes se negam a ser inimigos”.

‘Recompensar os terroristas’
Israel expressou neste domingo indignação com uma ideia francesa sobre uma presença internacional na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém e chegou a acusar Paris de “recompensar o terrorismo”.

“Ao tornar suas as falsas acusações feitas pelos dirigentes palestinos sobre a mudança de ‘status quo’ do Monte do Templo (nome dado pelos judeus à Esplanada das Mesquitas), o texto proposto pela França recompensa o terrorismo que os palestinos iniciaram”, afirma o ministério israelense das Relações Exteriores em um comunicado.

A França anunciou a intenção de propor ao Conselho de Segurança da ONU uma declaração com a previsão de uma presença internacional na Esplanada, um local que cristaliza as tensões entre israelenses e palestinos.

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