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Inspetores da ONU deixam Síria com amostras de suposto ataque químico

Relatório final sobre quatro inspeções feitas no país deve ficar pronto em duas semanas, afirma secretário-geral

31/08/2013 11:13

Inspetores da ONU, que investigavam o suposto uso de armas químicas em 21 de agosto nos arredores de Damasco, deixaram a Síria no manhã deste sábado. Eles cruzaram a fronteira para o Líbano poucas horas depois de o presidente Barack Obama dizer que os EUA consideravam uma ação militar limitada, sem o envolvimento de tropas terrestres , contra a Síria. Durante a visita, eles realizaram quatro dias de inspeções.

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AP

Inspetores da ONU chegam à entrada de terminal de jatos privados no aeroporto internacional de Beirute, Líbano, para partir para Europa com amostras coletadas na Síria

EUA: Ataque químico da Síria deixou 1.429 mortos, incluindo 426 crianças

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse a diplomatas que os especialistas podem levar duas semanas para ter um relatório final pronto.

Segundo o correspondente da BBC Kevin Connolly em Beirute, no Líbano, a saída dos inspetores da Síria remove um obstáculo prático e político para uma ação militar liderada pelos EUA. Qualquer ataque que pudesse colocar os inspetores da ONU em perigo era impensável, e seria considerado prematuro antes do trabalho no local ter sido concluído, acrescenta Connolly.

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Citando uma avaliação feita pela inteligência americana , o secretário de Estado John Kerry acusou a Síria de deixar com o ataque químico 1.429 mortos, incluindo 426 crianças . Após a rejeição do Parlamento britânico a uma ação militar , o presidente francês, François Hollande, reafirmou seu apoio à posição dos EUA.

A Síria disse que a alegação dos EUA era “cheia de mentiras”, e que os rebeldes eram os culpados pelos ataques. O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que seu país vai se defender contra qualquer “agressão” ocidental.

A Rússia, um aliado-chave da Síria, alertou que “qualquer ação militar unilateral ignorando o Conselho de Segurança da ONU” seria uma “violação direta do direito internacional”.

AP

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, faz pronunciamento sobre Síria no Departamento de Estado, em Washington (30/8)

‘Bandido e Assassino’

Em um discurso na sexta-feira, Kerry afirmou que entre os mortos estavam 426 crianças e disse que o ataque foi um “horror inconcebível”.

Minutos após o pronunciamento, a Casa Branca publicou um documento sobre o uso de armas químicos do governo sírio. Mas algumas informações confidenciais, segundo o secretário de Estado, só serão reveladas a congressistas americanos, “para proteger fontes e métodos”.

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Durante seu pronunciamento, Kerry afirmou que o governo de Assad já usou armas químicas em diversas ocasiões anteriores ao ataque do dia 21 e se referiu ao presidente sírio como “um bandido” e “um assassino”.

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Os EUA têm defendido uma ofensiva internacional na Síria para impedir que o governo de Damasco volte a usar armas químicas. No entanto, é improvável que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma moção prevendo a intervenção militar, já que a Rússia já vetou três resoluções anteriores .

Posicionamento

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky, disse que ainda não se sabe quanto tempo levará para analisar as amostras, mas que os testes devem ser finalizados antes que se chegue a quaisquer conclusões. Ele falou depois que o secretário-geral se encontrou com representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

AP

Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa durante pronunciamento sobre Síria na Casa Branca (30/8)

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Em seu discurso na sexta-feira, entretanto, o secretário de Estado americano afirmou que a investigação da ONU não trará novas conclusões a respeito da autoria do ataque.

“A ONU não pode nos dizer quem usou as armas, isso não é uma exigência da investigação da ONU. Ela só poderá nos dizer se tais armas foram usadas”, afirmou, acrescentando: “A ONU não pode nos dizer nada que nós já não sabemos ou que não tenhamos compartilhado com vocês”, disse Kerry.

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Pouco depois do pronunciamento de Kerry, Obama disse que o ataque na Síria ameaça a segurança nacional americana. Ele afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a ação a ser tomada, mas garantiu que ela será específica para impedir o uso de armas químicas.

“Não estamos consideando de forma alguma uma ação militar que envolva soldados no local, nem que signifique uma campanha longa”, disse. “Mas estamos analisando a possibilidade de uma ação limitada que ajudaria a garantir que não só a Síria, mas outros no resto do mundo entendam que a comunidade internacional quer manter a proibição do uso de armas químicas”, afirmou.

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Preparativos

Em Washington, Obama se encontrou com o Conselho de Segurança Nacional. Forças americanas continuam a se posicionar na região no Oriente Médio, se preparando para um possível ataque.

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Na quinta, o Parlamento britânico rejeitou a proposta do governo de uma ação militar na Síria. O premiê David Cameron afirmou que “agiria de acordo” com a decisão. A Alemanha também descartou a participação em um ataque ao país.

No entanto, o presidente da França afirmou que a votação no Reino Unido não mudará sua decisão de apoiar uma “ação dura” contra Assad. Os dois líderes queram enviar uma “forte mensagem” a Damasco condenando o suposto uso de armas químicas. Nem a França nem os EUA precisam de aprovação parlamentar para a ação militar.

Outro aliado dos EUA, a Turquia, pediu uma ação semelhante aos bombardeios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na antiga Iugoslávia, em 1999. A Otan realizou 70 dias de ataques aéreos para proteger civis em Kosovo mesmo sem uma resolução da ONU. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, também disse que qualquer intervenção militar deve ter como objetivo derrubar Assad.

 

Ig