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Coreia do Norte volta a disparar míssil balístico

29/11/2017 02:49

Kim Jong-un acompanha trabalho em fábrica de transportes na Coreia do Norte – AP

O Pentágono disse que avaliações iniciais indicam que foi feito o teste de um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), que voou por mil quilômetros até cair no mar do Japão. Já o governo japonês estimou que o projétil voou por 50 minutos, segundo a emissora NHK. Num comunicado, o chefe do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse que Seul e Washington estão analisando o tipo de míssil que Pyongyang lançou.

 

Minutos depois de a Coreia do Norte disparar o projétil, o Exército sul-coreano também realizou um teste de míssil em resposta à provocação. Já o governo japonês convocou uma reunião de emergência após o lançamento do míssil, afirmou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga, à emissora NHK. Shinzo Abe, premier do Japão, disse que o disparo do míssil foi um ato violento que não pode ser tolerado.

— Nunca cederemos ante a um ato de provocação. Reforçaremos nossa pressão sobre Pyongyang — delcarou Abe à imprensa.

Trajetória do projétil
Ilha de
Hokkaido
RÚSSIA
CHINA
Mar do
Japão
AOMORI
Pyongsong
COREIA
DO NORTE
O míssil teria caído a 210 quilômetros a leste de AOMORI
zona econômica exclusiva do Japão
O local de lançamento foi Pyongsong, na província de South Pyongyan
Seul
COREIA
DO SUL
JAPÃO
Tóquio
Oceano Pacífico
Desde março
6 de março
14 de maio
21 de maio
4 de julho
28 de julho
29 de Agosto
15 SETEMBRO
Hwasong-12
Hwasong-14
Hwasong-14
Pukguksong-2 /
Hwasong-7 /
Scud ER
Míssil balístico de curto alcance
Hwasong-12 míssil balístico intercontinental
Míssil balístico
míssil balístico
míssil balístico
KN-15 / Polaris-2
de alcance
intercontinental
intercontinental
Míssil balístico
intermediário
de médio alcance
versão melhorada
segundo a C. Norte
Lançado
de Sohae
Kusong
Pukchang
Panghyon
Mupyong-ni
Sunan
Sunan
Distância
percorrida
787 km
500 km
933 km
998 km
2.700 km
3.700km
1.000 km
Altitude
2.802 km
3.724,9 km
550km
770km
2.111,5 km
260 km
Alcance
estimado
4.500 km
1.200 –
2.000 km
6.700 km
Cerca de
10.000 km
De 3.700km
a 6.000km
De 3.700km
a 6.000Km
7.000 – 8.000 km
1.000 km
(segundo a C. do Sul)
(alcance teórico)
Fontes: SouthKoreadefence, KCNA, NuclearThreatInitiative, GlobalSecurity.org,
missiledefenseadvocacy.org, missilethreat.csis.org
*Agência oficial de informação da Coreia do Norte

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que as opções diplomáticas seguem sobre a mesa para resolver a crise nuclear com a Coreia do Norte. Tillerson pediu à comunidade internacional que tome novas medidas à margem das sanções já aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU numa declaração lida por seu porta-voz em Washington. Já a chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, também reagiu ao disparo, que classificou como uma “violação inaceitável”.

 

— Esse lançamento representa uma provocação grave e uma séria ameaça à segurança internacional — disse uma porta-voz de Mogherini.

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, condenou fortemente o lançamento e disse que o seu governo vem se preparando para os testes norte-coreanos. Moon ainda acrescentou que não há escolha para a comunidade internacional a não ser continuar aplicando pressão e sanções contra a Coreia do Norte. O presidente fez as declarações num encontro de segurança nacional após o teste desta terça-feira.

 

Há dez dias, os EUA recolocoram Pyongyang na “lista do terror” e impuseram novas sanções para isolar ainda mais o regime, o que a Coreia do Norte considerou como uma “grande provocação”. O país havia sido retirada da lista em 2008. Em sua última demonstração de hostilidade contra a Coreia do Norte, o presidente dos EUA, Donald Trump, designou a nação asiática como Estado patrocinador do terrorismo novamente.

Sete opções militares e não militares contra a Coreia do Norte

  • O líder norte-coreano, Kim Jong-un, fala com funcionários Foto: AP

Endurecimento das sanções

Os EUA, seus aliados europeus e o Japão anunciaram que negociam severas sanções contra a Coreia do Norte. A ONU já sancionou sete vezes o país. De acordo com fontes diplomáticas, as novas medidas poderiam afetar o petróleo, o turismo, o reenvio ao país dos trabalhadores norte-coreanos no exterior e decisões no âmbito diplomático.

 “Nosso Exército e nosso povo estão cheios de raiva e ira depois que esses gângsters atrozes se atreveram a colocar o nome do nosso país sagrado nessa miserável lista de terrorismo. Enquanto os Estados Unidos continuarem com essa política hostil contra a Coreia do Norte, seguiremos fortalecendo a nossa (força de) dissuasão”, ressaltou a agência estatal de notícias “KCNA”, ao citar um porta-voz do ministério de Relações Exteriores do país.

A Coreia do Norte lançou dezenas de mísseis sob o comando do líder Kim Jong-un e vem acelerando seu programa de armas, concebido para lhe dar a capacidade de visar os EUA com um míssil nuclear poderoso. O último projétil, lançado em setembro, sobrevoou Hokkaido, no Norte do arquipélago japonês, e caiu no Pacífico cerca de 2 mil quilômetros a Leste, disse o governo do país. O foguete viajou aproximadamente 3.700 quilômetros, de acordo com os militares da Coreia do Sul – longe o suficiente para atingir o território norte-americano de Guam, no Pacífico, que Pyongyang já ameaçou.

 

Na sua primeira declaração após o lançamento do míssil em setembro, a Coreia do Norte afirmou que seu objetivo é alcançar o equilíbrio com a força militar dos Estados Unidos, segundo divulgado pela agência estatal KCNA. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, ainda afirmou que, apesar das sanções da ONU, seu país está próximo de dispor de uma arma nuclear:

“Nosso objetivo final é estabelecer o equilíbro de força real com os EUA e fazer os governantes americanos não ousarem a falar de opção militar conosco”, dizia a agência, citando Kim.

 

Em setembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou as mais duras sanções contra a Coreia do Norte, que passaram por unanimidade após os Estados Unidos suavizarem suas demandas iniciais para ganhar o apoio da China e da Rússia. A resolução proíbe as exportações têxteis e restringe o envio de derivados de petróleo para o país, num esforço para aumentar a pressão contra o regime norte-coreano e seu programa de mísseis nucleares e balísticos.

Em resposta às sanções, a Coreia do Norte afirmou que aceleraria seu programa de armas para dotar-se de armamento atômico:

 

“A adoção de uma ilegal e malvada nova resolução de sanções impulsionada pelos Estados Unidos constituiu uma ocasião para que a Coreia do Norte comprove que o caminho que elegeu era absolutamente correto”, indicou o Ministério de Exteriores num comunicado publicado pela agência oficial KCNA. “A Coreia do Norte redobrará os esforços para incrementar seu poderio e proteger a soberania nacional e o direito a existir”.

 

Mais cedo, especialistas do governo dos Estados Unidos afirmaram que acreditavam que o regime de Kim Jong-un poderia realizar um novo teste dentro de alguns dias. Uma das fontes afirmou que os Estados Unidos têm evidências de que monitoramento de sinais japoneses sugerindo que a Coreia do Norte está preparando um novo lançamento eram precisos. Uma fonte do governo japonês também havia declarado nesta terça-feira que o Japão detectou sinais de rádio sugerindo que a Coreia do Norte pode estar preparando outro lançamento de um míssil balístico, embora tais sinais não sejam incomuns e imagens de satélite não mostrem atividade nova.

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