Ex-ditador fora condenado pelo assassinato de manifestantes na época da chamada Primavera Árabe; ex-presidente ficou cerca de seis anos preso

Hosni Mubarak, em reprodução de imagem divulgada pela televisão egípcia durante seu julgamento
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Hosni Mubarak, em reprodução de imagem divulgada pela televisão egípcia durante seu julgamento

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak foi libertado nesta sexta-feira (24), após passar cerca de seis anos na cadeia. O anúncio da libertação foi feito pelo seu advogado, Farid El Dib. O ex-ditador havia sido condenado à prisão perpétua em 2012.

“Ele deixou o hospital militar de Maad às 8h da manhã de hoje e se dirigiu à sua casa no bairro de Heliopolis, no Cairo”, confirmou o advogado.  Mubarak estava detido no hospital militar devido às suas complicações de saúde.

No último dia 13 de março, a Procuradoria-Geral do Egito ordenou a soltura do ex-presidente de 88 anos. Ele foi deposto e preso em 2011 por um golpe militar após uma série de protestos que tomaram a praça Tahrir durante a chamada Primavera Árabe.

O ex-ditador, que ficou no poder de 1981 a 2011, tinha sido condenado à prisão perpétua por conspirar para assassinar 239 manifestantes. Em 2014, porém, um tribunal de apelação aceitou um novo julgamento e o absolveu.

Trinta anos de poder

Durante praticamente 30 anos, Mubarak manteve-se no poder, tornando-se um aliado confiável dos EUA e de Israel na região, mas governando o Egito com mãos de ferro, abrindo pouco espaço para a oposição interna.

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Nascido em uma família humilde em 1928 em uma pequena cidade na província de Menoufia, perto do Cairo, o ex-ditador formou-se na academia militar egípcia em 1949 e entrou na Força Aérea do país em 1950.

Anos depois, acumulando os postos de comandante da Força Aérea e vice-ministro da Defesa, ele teve papel fundamental no planejamento do ataque surpresa contra as forças israelenses na península do Sinai, dando início à guerra de Yom Kippur em 1973.

Ele foi recompensado dois anos depois, quando, cedendo à pressão internacional, Sadat nomeou um vice-presidente, escolhendo Mubarak. Em 1981, Sadat foi assassinado por militantes islâmicos durante uma parada militar no Cairo. Mubarak, sentado ao seu lado, escapou ileso. Ele assumiu a presidência do país após a morte de Sadat.

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